E o desejo de Álvarez de Azevedo se transforma em desesperados versos de amor…

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O advogado, dramaturgo, ensaísta, contista e poeta paulista Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831-1852), no poema “Meu Desejo”, revela todo o ardor de uma paixão incontida. Morreu com apenas 20 anos, porém jamais será esquecido.

MEU DESEJO
Álvarez de Azevedo

Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta:
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta….

Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra….
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra….

Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.

Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escomilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!

Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro….

Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de langor!

One thought on “E o desejo de Álvarez de Azevedo se transforma em desesperados versos de amor…

  1. “Meu desejo era ser o cortinado que não conta os mistérios do seu leito.”
    O que implica que o poeta que sofre e chora não era o gostosão da sua musa. E quem sabe se enquanto ele declamava como um tolo inexperiente, ela se estrebuchava sob os lençóis exsudando o suor do prazer intenso – com outro!
    Finalmente ele confessa a desilusão do fraco: … Meu desejo era ser o amante que sonhas, que desejas…
    Ou seja: ao final o poeta aceita ser até enganado ou, grosseiramente, ser corno pela amada dos seus sonhos!
    Esses poetas…

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