É o Supremo que não permIte a conferência do voto eletrônico

Adriano Benayon
Correio da Cidadania

A urna eletrônica “brasileira” não é, nem um pouco, confiável, pois ela depende do programa (software), sendo impossível detectar qualquer fraude nele inserida. Baseio-me no que tem sido demonstrado por professores de ciência da computação, da mais inquestionável competência. Eles explicam que, sem mudar para urnas de geração mais avançada, o próprio voto impresso, a última linha de defesa dos que pugnam por eleições livres, só possibilitaria comprovar, por amostragem, ter havido fraude em determinada seção ou zona eleitoral.

Mas os tribunais eleitorais não admitem sequer a impressão do voto e o próprio STF chegou ao ponto de considerá-la inconstitucional, alegando que isso quebraria o sigilo do voto, princípio constitucional com valor de cláusula pétrea.

Ora, até antes da urna eletrônica, o eleitor escrevia na cédula o número de seu candidato, e seria puro nonsense dizer que se estava quebrando o sigilo do voto.

Faz lembrar a República Velha e um dos motivos da Revolução de 1930: instituir eleições livres. O país clamava por acabar com o voto de cabresto, no contexto socioeconômico semicolonial descrito no clássico de Victor Nunes Leal, Coronelismo, Enxada e Voto.

Contava-se esta estória: um grande fazendeiro chama os peões e distribui- lhes papeis dobrados em envelopes para colocar na urna. Um dos peões pergunta ao patrão se poderia saber o que está escrito no papel. Resposta: “Não pode, não. Você não sabe que o voto é secreto?”

UM SISTEMA FALHO

Seria de valia para quem deseja conhecer a questão acessar o site www.votoseguro.org e ler a ata de reunião da CCJ da Câmara dos Deputados, de 08.05.2012, na qual falaram os principais especialistas em segurança eletrônica do país.

Há um excelente resumo (12.05.2012) desses depoimentos por Osvaldo Maneschy, que começa assim: Na audiência pública para discutir se o voto eletrônico deve ser impresso ou não, na CCJ da Câmara, ficou claro: o TSE bate de frente com os especialistas em informática que garantem que a impressão é a única forma de tornar segura a urna eletrônica que usamos no Brasil, de primeira geração, ultrapassada, diferentemente de máquinas modernas – como a urna eletrônica argentina, de terceira geração – que imprime o voto e permite que o eleitor o confira.

Maneschy cita o professor Diego Aranha, hoje na Unicamp, e que fizera importante demonstração pública disto: “Tivemos apenas uma hora de acesso ao código-fonte da urna eletrônica brasileira, mas foi tempo suficiente para quebrarmos o único dispositivo que ela usa para garantir o sigilo do voto”.

Aranha foi, na UNB, aluno do Prof. Pedro Rezende. Este, em um de seus artigos magistrais, publicado no Observatório da Imprensa, 15.04.2014, esclarece que um sistema eletrônico de votação como o do TSE, baseado em urna modelo DRE, caracterizado por não permitir recontagem dos votos, potencializa ao máximo os problemas decorrentes da informatização, por implicar dependência absoluta em relação ao software.

Rezende cita pesquisas da agência oficial dos EUA, U.S. Election Assistance Commission, (diretrizes VVSG – Voluntary Voting System Guidelines) e o Brennan Report, da Universidade de Nova York. Elas descrevem 128 formas de fraude em sistemas de votação eletrônica e recomendam a diretriz VVPAT (Voter-Verifiable Paper Audit Trail), que dota o sistema de trilha de auditoria com registro material de cada voto, verificável pelo eleitor.

Esse registro serve para entrada do voto eletrônico na urna, em cujo modo é escaneado, ou como saída do voto eletrônico, em cujo modo é impresso; depois, para depósito manual ou automático, para possível auditoria.

SÓ O BRASIL INSISTE…

Ainda o Prof. Rezende: “Dos países que testaram ou usaram sistema baseado em urna DRE … todos, à exceção do Brasil, já a abandonaram. Bélgica, Rússia, Índia, EUA, Canadá, México, Venezuela, Peru, Equador, Argentina usaram e trocaram ou adaptaram seus sistemas para algum modo VVPAT. Por fim, EUA Israel, Equador e Argentina, em eleições locais ou regionais, já usaram ou usam sistema E2E, cujas trilhas virtual e material de contagem e de auditoria dos votos são interdependentes”. (artigo enviado por Henrique Ze).

AMANHÃ:

Por que o Supremo não aceita que haja impressão do voto?

19 thoughts on “É o Supremo que não permIte a conferência do voto eletrônico

  1. À medida que cada novo escroque vai-se sucedendo, fica mais patente e irrefutável a constatação de que, no Brasil, o que não presta mesmo é uma maioria da população, em torno de 53%. Os políticos são apenas ervas daninhas adubados por essa parcela de estrume social.
    Ora, futilmente, muito se debate o financiamento público das campanhas eleitorais. Para que tamanho lengalenga, se o finaciamento público de campanha já está em voga: o famigerado Bolsa Família. Por enquanto, trata-se de um privilégio que só comtempla o PT. Dinheiro público arrancado do otário produtivo, para enfiar no fiofó de sanguessugas inúteis, em forma de aliciamento eleitoreiro. Na recém-realizada eleição, esse pacto silecioso, entre a galera do Bolsa Família e o Partido dos Trabalhadores, mostrou eficácia: membros petistas poderiam roubar à vontade, em troca do Bolsa Família, contavam com a cumplicidade e o perdão do eleitotado “bolsista”. E assim aconrteceu! Afiná, nóis non condena o pulico qui róba, mái aquele cabra qui róba e non sorta um mucadín-u pra nóis. Visse Seu minhino? Pôs intonce, oxent!

  2. Valeu Moderador, jornalista Carlos Newton.
    Assunto mais do que badalado no transcorrer da eleição, a famigerada e sinistra urna eletrônica, que não dá recibo do voto do eleitor ( prima-irmã da nefasta pesquisa de opinião de voto) merecia artigo de um especialista em informática.
    No caso, Adriano Benayon ,do Correio da Cidadania, demonstrando que, como a base de dados, a urna do STE , ela é INCONFIAVEL , ao acolher e transferir quase 140 milhões de dados inserido ( os votos ), para o somatório que representa o resultado final do pleito.
    No fundo e no raso, ela é tão rapidinha como safadinha, pois não há um comprovante para o eleitor, do voto que confiado a ela.
    Comparando com o sistema eletrônico das loterias da Caixa Econômica, o nosso VOTO vale menos que uma aposta. Simples, assim…

  3. Pronto:

    “Comparando com o sistema eletrônico das loterias da Caixa Econômica, o nosso VOTO vale menos que uma aposta. Simples, assim…”
    Andrade, pelo menos na loteria você tem como reclamar.

    Agora, o curioso mesmo é que NENHUM PARTIDO reclamou da urna.

  4. Agora é a urna ? No caso Proconsult , de 1982, os fraudadores ficaram impunes. Nem urna eletrônica tinha. O Moreira Franco e o Armando Nogueira estavam envolvidos na fraude eleitoral. O Armando Nogueira era adorado pelos jornalista apesar do seu envolvimento no golpe que o Brizola descobriu. A Dilma venceu de forma sensacional. A maioria no Brasil não quis Aécio.

  5. O brasileiro é o único animal que vai para ruas , protesta contra o governo, vaia a presidente na frente do mundo inteiro e….vota nela meses depois.

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    Somente os alucinados petistas , não veem o ribombar dos canhões bem próximos.

  6. Li agora num blog.
    Trinta funcionários do TSE estavam trancados numa sala sem celular e que eram os guardiões dos dados eletrônicos .Aécio estava vencendo até 88,9% dos votos apurados .Havia a questão do horário eleitoral.Geraldo, Serra e FHC vão para Belo-Horizonte encontrar Aécio nesta hora e, de repente Dilma aparece como vencedora.Muito estranho, você não acha?

  7. Fico doente quando pedem o voto impresso aqui no blog. Entendam, não há cidadão honesto que queira o voto de cabresto novamente, abram a mente pow.
    Imaginem: Quem quer que o patrão exija que o subordinado vote no seu candidato e queira ver a impressão do voto para confirmar se seguiu as ordens senão, RUA??
    Isso facilitaria também na compra de voto, quantas pessoas não “vendem” seu voto e na urna vota em quem bem entender, embolsando o dinheiro de graça?? com a impressão o pagamento só seria depois da confirmação e muitos aceitariam numa boa. Conheço gente que ganhou 450 reais, de pessoas distintas, para votar em 4 candidatos que concorrem ao mesmo cargo.
    Já até citei aqui no blog outro exemplo, meus pais que funcionários públicos desde antes da CF/88, não podem citar nada sobre qualquer candidato senão serão mal vistos e coibidos pelos secretários do governador. Com o voto impresso eles perdem o direito de votar em quem bem entendessem.
    Acordem, espero que meu post não passe despercebido por quem escreveu essa matéria, passo mal quando leio tal atrocidade a minha liberdade de escolha.
    Mas como já citei também, voto impresso só para confirmação junto com a obrigação de descarta-lo ainda na seção eleitoral.

    • A tecnologia do voto impresso junto com a votação eletrônica não permite que o eleitor leve o papel para casa.
      Após a impressão ele deve obrigatoriamente ser depositado na urna junto à maquininha de votar. Em alguns casos o eleitor nem toca no voto pois tem um visor protegendo a cédula impressa.
      O eleitor confere e deposita ou aperta um botão e o voto “cai” dentro da urna anexa.
      Com isso temos a possibilidade de uma conferência futura se houver suspeita.
      Como era antigamente, o eleitor não pode sair com este voto impresso.

      • Não estou nem querendo falar em relação a candidatos, acompanhei milhares de discussões na internet mas não vi uma pessoa falar que mudou de ideia por causa delas. Quero argumentar sobre um assunto que há tanto tempo o blog traz a tona repetidas vezes e desfazer a inocência desse desejo.

  8. Caro Jornalista,

    O José Augusto Aranha está CERTÍSSIMO. É essa a ideia:

    “A tecnologia do voto impresso, junto com a votação eletrônica, não permite que o eleitor leve o papel para casa.
    Após a impressão ele deve, obrigatoriamente, ser depositado na urna junto à maquininha de votar. Em alguns casos, o eleitor nem toca no voto, pois tem um visor transparente protegendo a cédula impressa.

    O eleitor confere se a impressão ESTÁ DE ACORDO COM O SEU VOTO e deposita ou aperta um botão e o voto impresso “cai” dentro da urna anexa.
    Com isso temos a possibilidade de uma conferência futura se houver suspeita.
    Como era antigamente, o eleitor não pode sair com este voto impresso.”

    – No mês passado a Índia conseguiu colocar um satélite em MARTE e os brasileiros não conseguem colocar uma IMPRESSORA em uma urna???

    • Ocorre que na Índia há Educação, ou seja, INSTRUÇÃO, TRANSMISSÃO DE CONHECIMENTOS.

      No Brasil, uma brutalidade afirmou publicamente que 13 – 4 = 7. Ficaremos sempre no 85º lugar, se não cairmos para o 150º.

  9. Após várias denúncias de fraude, ninguém da oposição toca no assunto. Estranho, não? A quantidade de votos em Pernambuco, no mínimo, deveria ser questionada. Será que , propositalmente, estão deixando a “presidenta” se afundar na própria lama ( ficaria mais fácil governar o país depois) ou algumas surpresas nos aguardam?

  10. O Supremo está aparelhado pelo pt. Quem é o presidente do STE? Tofolli, petista de carteirinha, ex advogado do pt!
    Assinem a petição on line da Citizen endereçada ao Senador Aécio Neves pedindo revisão dos votos. Precisa-se de 20.000 assinaturas.

  11. Não, comentarista. O PT integra o SISTEMA POLÍTICO E ECONÔMICO VIGENTE, como os demais partidos, siglas ou cartórios, como queira defini-los, e o STF o encarna. Se não está contente, enfrente-o e assuma as consequências sem tirar o seu da seringa, como muitos arregados fizeram no passado e deixaram seus liderados idealistas abandonados no fogo.

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