É preciso apelar a Sérgio Moro para que não deixe o país e termine sua obra saneadora

Sérgio Moro é exonerado da Justiça Federal

Desapontado, Moro pensa em morar nos Estados Unidos

Carlos Newton

Embora sejam numerosos, fortes e ameaçadores, os inimigos da Lava Jato não são invencíveis. Pelo contrário, bastou um juiz de verdade assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal para logo desfazer a principal arma dos “garantistas”, que se dizem cultores da aplicação da lei, mas na realidade trabalham as brechas da legislação para garantir a impunidade de governantes, parlamentares, autoridades e empresários envolvidos em sonegação, improbidade, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.

Como são crimes que não ameaçam a ordem pública nem a segurança dos cidadãos, os autores têm a garantia da impunidade até trânsito em julgado na quarta instância (Supremo), circunstância que assegura a prescrição dos crimes por decurso de prazo.

IMAGEM EMPORCALHADA – Esta é situação real da Justiça, que é inteiramente conhecida no exterior e contribui para emporcalhar a imagem do Brasil, único país da ONU a ter tamanha leniência em relação à criminalidade das elites.

Luiz Fux está determinado a mudar essa situação. Menos de um mês após assumir a presidência do Supremo, ardilosamente usou a sessão administrativa para conseguir dar um freio nessa garantia de impunidade.

Com uma manobra foi de uma habilidade surpreendente, deu um xeque-mate nos ministros ligados à corrupção, que nem esboçaram reação e aprovaram por unanimidade a determinação de que as ações criminais voltem a ser julgadas pelo plenário do tribunal, acabando com a ditadura da Segunda Turma, que vinha impondo sucessivas derrotas à Lava Jato.

GILMAR E MARCO AURÉLIO – O único ministro que se mostrou contrariado foi Gilmar Mendes, que reclamou da decisão ser tomada em sessão administrativa, mas votou a favor. Furioso com a mudança, o “garantista” Marco Aurélio Mello também votou a favor, mas três dias depois deu o troco, ao libertar um dos mais temíveis criminosos do país, André do Rap, um dos chefões da fação PCC.

Pegou muito mal para Marco Aurélio, porque o presidente do Supremo logo revogou sua decisão, mas o criminoso já estava foragido. Neste faroeste caboclo, ficou claro que Fux faz o papel de amigo do mocinho e Marco Aurélio representa o protetor da bandidagem.

É nesta conjuntura que a Dra. Rosângela, mulher de Sérgio Moro, tenta convencê-lo a ir morar nos Estados Unidos, onde será recebido com todas as honras.

UM APELO A MORO – É um momento de decisão, e a bancada da corrupção tenta incentivar Moro a deixar o país. Seu desencanto é natural. A campanha movida contra ele na mídia e nas redes sociais é implacável, embora não haja a menor prova de parcialidade e de conluio com o Ministério Público, nem mesmo nas centenas de horas de gravações ilegais publicadas pelo The Intercept.

Como juiz, Moro jamais direcionou a Lava Jato. Apenas examinava as denúncias a ele encaminhadas pela força-tarefa, aceitava ou não. E o fato de a Lava Jato priorizar o PT e o Centrão foi causado pelos rumos das delações dos doleiros, com Alberto Youssef à frente, e depois pelos próprios empresários envolvidos. Por isso, PMDB e PSDB só entraram depois, no decorrer das delações.

A Lava Jato não morreu, está prosseguindo do jeito que permitem. Portanto, é preciso fazer um apelo a Sérgio Moro, para que ele prossiga sua carreira aqui no Brasil, que tem uma Justiça ainda tão capenga. Fica, juiz, e deixe a vida te levar.

    

18 thoughts on “É preciso apelar a Sérgio Moro para que não deixe o país e termine sua obra saneadora

    • Meu amigo Famigerado, a gente sabe que Thomas More era tão utópico que acabo decapitado, por não querer cumprir as ordens de Henrique VIII, com sua cabeça exposta na feira, igual ao Lampião. Mas o nosso Moro precisa botar a cabeça no lugar para continuar a servir ao país, que está carente de lideranças. Ir morar nos EUA significa mergulhar no ostracismo.

      Abs.

      CN

  1. Moro ERA apenas mais um alpinista político que sonhava escalar o Monte Everest entretanto, nos treinos despencou do Pão de Açucar. Um amador a menos e um babaca a mais na nossa lista.

  2. Traidor! Abandonou o Presidente Bolsonaro no meio da Pandemia, tentando desestabilizar o governo com fins que só ele pode dizer. Decepcionou a todos, jogando por terra a sua trajetória como Herói da Lava Jato. Após ser defenestrado nas redes sociais, demonstra certo arrependimento com as críticas as suas atitudes antipatriotas, empreendendo fuga para os Estados Unidos. Mostra com tudo isso a que veio. Triste, muito triste, e desolador a performance de Moro ao abandonar uma vida no Judiciário digna e elogiosa, e entrar no executivo e na política pela porta da frente e sair pelos fundos, cuspindo asneiras e desqualificando quem lhe proporcionou uma oportunidade de trabalhar em prol do Brasil.

    • Para os apoiadores incondicionais de Bolsonaro todo o mundo que discorda dele é traidor; Moro, Mandetta, e quem mais que tiver integridade e coragem. São incapazes de perceber que não se ajuda um presidente escondendo, tentando justificar e compactuando com seus erros, mas sim tentando ajudar a não comete-los e a corrigi-los. Culto à personalidade, até hoje, eu tinha visto com Stalin, Mao, Fidel. Agora estou vendo com Bolsonaro. E não se tocam.

  3. ATUALMENTE, MORO É UM DOS MELHORES JUÍZES DESSE PAÍS. HÁ POUCOS TÃO BONS QUANTO ELE. HOMEM ÍNTEGRO, SÉRIO, HONESTO, RESPEITADOR, CONHECEDOR PROFUNDO DE SUA PROFISSÃO. PENA QUE TENHA SE DEIXADO LEVAR PELA CONVERSA ENGANOSA E FINGIDA DE UM IMBECIL.

  4. Data vênia caro Antonio, o Moro “foi” um dos melhores juízes deste país, ele não é mais. E fez besteira em deixar a magistratura se deixando levar pelo conto d vigário contado pelo boçal, este sim um traidor do discurso e das promessas com que foi eleito.

  5. Moro é mais um político. Cometeu erros, se beneficiou das regalias concedidas aos integrantes da parte de cima do judiciário. Confundiu justiça com justiceirismo.
    Claro, teve o mérito de agilizar processos, notadamente de certas pessoas.
    Também recebeu o apoio incondicional da mídia em geral, com raras exceções, mesmo cometendo excessos que ultrapassaram os limites legais.

    Quanto a Fux, ele primeiramente deveria ser um garantista do cumprimento das leis e da CF. Porém, faz o papel de legislador. Mas acho que sua vaidade fala mais alto. Então, suas decisões pessoais, por convicção, vão agradar uns e desagradar outros.

  6. Sergio Moro é um de leis, porém de leis já feitas.
    No dia em que ele passou para o outro lado do “balcão” e integrou o “parque fabril” que fabrica as leis no Brasil, viu como funcionava a “máquina” e passou a dar razão ao chanceler da Prússia Qtto Von Bismarck, com aquela história de que o povo não sabe como são feitas as leis e as salsichas.
    Acho o Sérgio moro um grande aplicador de leis, mas não tem qualquer afinidade com este mundo dos que fazem as leis.
    Enfim, é talhado para “uma coisa” e não pode querer ser também hábil em “outra coisa”.

  7. Tenho predileção especial em debater com o meu conterrâneo, Vidal.
    Firme em suas convicções, expõe os seus motivos com personalidade, deixando pouca margem à discussão.

    Todas às vezes que trocamos ideias aprendo muito, ratificando ou retificando meus pensamentos e interpretações a respeito dos temas variados postados na TI, que o comentarista gaúcho domina como poucos.

    Dito isso, lá vou eu de novo não discordar de Vidal, porém eu queria saber – caso ele me der a honra de esclarecer – onde Moro errou, onde ultrapassou as barreiras legais, onde foi mais político que magistrado?

    Por ser garantista declarado, Vidal não poderá se basear nos grampos ilegais da Intercept, pois se a lei reza que este expediente é criminoso, desde já precisa ser deixado de lado por uma questão de coerência, de garantia na obediência à lei.

    Conforme os resultados obtidos pela Lava Jato, algo inédito no Brasil, custo a entender essa desvalorização ao juiz que esteve à frente dos processos, que os julgou e condenou.
    A impressão que se tem é que Moro foi mais criminoso que Lula e sua quadrilha;
    mais cometeu deslizes que no petrolão;
    foi mais prejudicial à nação e povo que os males praticados pelos petistas quando no poder!

    Não posso dar mais ênfase às garantias contidas nas leis, pelo fato de termos homens que julgam e punem quem as desobedece, logo, nos deparamos com a falibilidade.
    Também existe a hermenêutica, ou seja, o magistrado querer interpretar o que queria dizer o legislador quando promulgou as normas, regras, o procedimento que devemos adotar, conforme seria melhor para a sociedade e país.

    Se ambos foram agredidos, prejudicados, nada mais justo que aqueles que se insurgiram contra as leis que sejam devidamente condenados, e recebam uma dosimetria adequada quanto ao tempo que serão retirados do convívio das demais pessoas pelos danos causados propositadamente.

    Não fosse assim, onde as leis precisariam ser levadas ao pé da letra, então juízes para quê?!
    Basta seguir o que nelas está escrito, siga-se à risca, e fim.
    Pouparíamos rios de dinheiro, milhares de árvores cortadas para a fabricação de papéis, tempo, e os processos seriam julgados no dia dos acontecimentos, simples.
    Nada de defesas, de acusações, investigações, atenuantes, agravantes … nada disso, simplesmente sumário.

    A menos que eu esteja percebendo muito sutilmente que, o inteligente, culto, e profundo conhecedor dos problemas nacionais, meu amigo e gaúcho, Vidal, queira diminuir o ex-juiz, caso se candidate à presidência da República, tirando o seu candidato preferido da disputa, conforme postado no seu comentário de ontem que não teria chances de vitória (certamente se referindo a Ciro Gomes, pois aprecia os planos do ex-governador cearense).

    Enfim, Moro deveria ser mais respeitado e considerado na minha ótica, no meu entendimento, na minha percepção dos fatos.

    Portanto, nada contra a posição de Vidal, mas eu apresentar o contraponto, e não com a intenção de o meu conterrâneo mudar de ideia, longe disso.

    Abração, parceiro.
    Saúde e paz.
    Te cuida!

    • Claro Bendl,
      ideias são para ser colocadas. A gente vai concordar ou discordar delas, faz parte da humanidade e ela só progrediu, porque as ideias foram discutidas, aprimoradas ou contestadas.

      Quanto às conversas divulgadas, sim foi um crime a sua obtenção e não sua divulgação, pois é função do jornalismo a exposição de fatos. Mas o que importa mesmo é o conteúdo.
      Penso assim. Caso contrário, na ocasião que Moro divulgou a conversa de Dilma com Lula (gravação ocorreu após o período colocado pela justiça) eu não me importaria com o conteúdo divulgado. Mas achei importante, embora reconheça que também houve um crime na ocasião.
      Não sei se pensas o mesmo ou diferencias as situações.

      Não critico Moro por ele ser um possível candidato, até porque nem sei suas ideias sobre economia, o que pensa sobre gestão do país.

      Abraço, saúde e vida longa.

  8. Carlos juiz de verdade que beija os pés de Adriana Anselmo AGRADECENDO PELA INDICAÇÃO AO STF NÃO MERECE RESPEITO.Voce virou um defensor do descumprimento das lei.

  9. Em alguns momentos, cada vez maiores, penso em deixar de expor minhas opiniões. Tenho me restringido ao máximo. Mas, em alguns momentos, aqui e ali, não deixo de responder, de contrapor ideias e comentários que julgo “fora da casinha”.
    Nos últimos dois meses, com um grupo de amigos, recolhemos cerca de cem mil, isto mesmo, 100.000 comentários/opiniões de pessoas em sites, blogs e programas/video veiculados no youtube, todos recentes.
    Diria Boris Casoy: é uma vergonha! Do total, em 92,7% dos comentários, as opiniões são classificadas em dois aspectos: respostas sem qualquer lógica com os temas tratados e na defesa, intransigente, de um dos dois lados: petistas/esquerdistas e bolsonaristas. Neste item, a defesa, na maioria das vezes, em desacordo com a verdade dos fatos. Apenas 7,3% das opiniões foram feitas com base na VERDADE DOS FATOS.
    Aqui na nossa TI, se tivermos condições, pretendemos num futuro próximo, com a aquiescência de nosso grande CN, realizar a mesma pesquisa.
    Por fim, ao tabularmos os dados, chegamos a diversas conclusões.
    Mencionarei apenas algumas: utilização de informações sem a devida verificação da veracidade; opiniões sobre temas, sem qualquer conhecimento do mesmo; ataques pessoais e ofensas; tergiversar. Algo muito interessante: estamos descobrindo pessoas que atuam em vários locais com suas opiniões. Alguns chegam a comentar/assistir até 8 programas por dia! Serão viciados políticos ou contratados?
    No fundo, a maior conclusão que se constata é a de uma ampla e geral falta de conhecimentos políticos e da sociedade!
    Assim, reitero o que venho perguntando a mais de 3 anos na nossa TI: como melhorar a qualidade de nossa democracia e de nossas instituições, se o eleitor é tão desqualificado?
    Deixo esta contribuição para pensarmos.
    Fallavena

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