É preciso entender que, sem o BNDES, o Brasil jamais será um país industrializado

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A atuação do BNDES tem sido fundamental ao desenvolvimento 

Flávio José Bortolotto

Após a Revolução de 1930, sob a liderança do grande presidente Getúlio Vargas (1930 – 1945) e (1951 – 1954), o Brasil fez um grande esforço de Industrialização e Desenvolvimento. Até então éramos dependentes do café, açúcar e pecuária. Com a Industrialização iniciada por Vargas, acrescentamos valor aos produtos e desenvolvemos um mercado interno, até então muito anêmico.

Na Segunda Guerra Mundial o Brasil foi um aliado estratégico dos EUA e do Reino Unidos, porque, além de fornecer alimentos e matérias-primas minerais, montou bases aéreas e navais, enviou forças de terra, mar e ar para combater no Atlântico e na Itália, computando-se cerca de 50 mil homens, entre a Força Expedicionária Brasileira (FEB), a Marinha e a FAB, constituindo uma grande reserva para os aliados.

COMISSÃO MISTA – Dentro desse entendimento o Brasil solicitou a vinda da Missão Cooke (1942) e da Missão ABBINK (1948), que, junto com os Técnicos do Ministério da Fazenda, planejaram o incremento de nossa Industrialização.

Em 1950 formou-se a Comissão Mista Brasil-EUA. Seu financiamento seria aproximadamente de US$ 1,5 bilhão, sendo cerca de US$ 500 milhões pelo Banco Mundial/Eximbank e US$ 1 bilhão (em cruzeiros) pelo Ministério da Fazenda.

Para administrar esse financiamento no Brasil foi criado o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (atual BNDES), visando, principalmente, projetos de Infrastrutura de energia, principalmente elétrica, transportes,  comunicações etc.

GUERRA DA COREIA – As coisas estavam bem encaminhadas neste ponto quando em 27 de julho de 1950 começou a Guerra da Coreia do Nort, e em 1951 os Estados Unidos solicitaram ao Brasil ajudar com uma nova FEB (Força Expedicionária Brasileira) para combater o comunismo na Coreia.

O Governo Vargas procrastinou, manobrou e não mandou uma FEB para a Coreia como os outros aliados, tipo Reino Unido, Austrállia, Nova Zelândia, Canadá, e dali para a frente nossas relações com os EUA não foram mais as mesmas. Os EUA forneceram menos da metade dos US$ 500 milhões (em valores da época) e o BNDE teve que assumir o restante. Achamos que o Governo Vargas cometeu um grave erro estratégico em relação a Guerra da Coreia.

GRANDE TRABALHO – O BNDE então fez um grande e patriótico trabalho em nosso desenvolvimento Industrial. Arcou com a maior parte sozinho e deu conta do recado.

Todos os países, especialmente os EUA e os Tigres Asiáticos, subsidiam suas empresas especialmente em pesquisa e desenvolvimento, muita coisa com a cobertura da defesa nacional, e o BNDES faz isso no Brasil.

Se houve abusos, exageros, favorecimentos indevidos na gestão do BNDES nos governos petistas, é necessário sabedoria para jogar fora a água suja do banho, sem o bebê junto.

VAMOS “DANÇAR” – Sem industrialização não teremos bom padrão de vida para a média do povo e sem BNDES não teremos Financiamento Estratégico para nossa Industrialização.

Depois da maior queda do PIB em um século (-9% em 2015 e 2016), e recuperação lentíssima, com déficit fiscal federal em 2019 de R$ 139 bilhões, e déficit fiscal federal em 2020 de R$ 124 bilhões, não me causa estranheza que o governo busque “aumento de arrecadação mesmo que não tenha nome de aumento de impostos”.

Mas como equilibrar as contas de outra maneira? De um jeito ou de outro, acho que vamos “dançar”.

5 thoughts on “É preciso entender que, sem o BNDES, o Brasil jamais será um país industrializado

  1. Prezado mestre Bortolotto, o teu último parágrafo atiça a curiosidade sobre o que seja essa “dança” e por isso seria muito didático se tivesse uma continuidade.

    Abraços.

  2. Caro Bortolotto, como sempre sua análise é precisa e coerente. É preciso que compreendam que a culpa dos erros do BNDES não foi da instituição, mas dos dirigentes aparelhados colocados para usar os seus recursos. O erro não é, nem nunca foi, na missão do Banco, foi sempre que não o deixaram cumprir essa missão, que é importantíssima para a recuperação do país.

  3. “É preciso entender que, sem o BNDES, o Brasil jamais será um país industrializado.”

    Contra-argumento:

    Os Estados Unidos da America não têm BNDES nem mesmo um só banco do governo – até o FED é dirigido pelo setor privado. No entanto, é uma potência industrial!

    • Jaburu, não dá para comparar o processo de industrialização dos Estados Unidos com o do Brasil, o deles começou com a abertura do Oeste pelas estradas de ferro, pela indústria naval e de armamento, pela exploração do carvão e petróleo e pela indústria automobilística, sempre num regime de liberalismo econômico, mercados abertos e concorrência selvagem, basta analisar as vidas dos grandes “barões da indústria” do século dezenove, que você pode chamar, conforme o ponto de vista, de empreendedores ou criminosos. E passaram por duas guerras mundiais numa posição geograficamente privilegiada que forçou enormemente o desenvolvimento da indústria, sem o inconveniente dos ataques inimigos aos centros de produção. O Brasil foi sempre uma nação predominantemente agrícola e mais tarde de exportação de commodities, além de ser provavelmente o campeão mundial dos entraves burocráticos. Além disso, o relacionamento indústria/universidade deles foi sempre diferente do nosso, com um maior entrosamento indústria/pesquisa em termos de financiamento.
      A outra das duas megapotências industriais do mundo, a China, mandou uma missão ao Brasil para estudar o funcionamento do BNDES e formou o seu próprio sistema de financiamento, e o resultado está aí.

  4. “É preciso entender que, sem o BNDES, o Brasil jamais será um país industrializado.”
    “Será”? Em matéria de industrialização, o Brasil está mais para “já foi”. Nos anos 1980, a indústria respondia por um terço do PIB nacional; atualmente, é por volta de uns 15%. O país regrediu no campo fabril, derrotado pela concorrência avassaladora da China, e virou uma “cidade morta” de Monteiro Lobato, uma terra onde tudo foi e nada é, enquanto todo mundo sonhava nadar no dinheiro das exportações de soja pra China. Hoje o comércio brasileiro está inundado de produtos chineses e de outros países. Como nossas indústrias vão competir no mundo? Vai dar para competir em preço com os produtos chineses, num mundo em que a maioria da população vai ficando com o dinheiro cada vez mais curto?

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