É preciso ficar bem atento ao que acontece na disputa pelo Mar do Sul da China

O mapa dos territórios em disputa no mar do Sul da China

Este é o mapa das ilhas em disputa no Mar do Sul da China

Deu no People’s Daily

Um destroier da Marinha dos EUA, o USS Decatur, navegou em águas da Ilha Xisha, parte do Mar do Sul da China e de águas territoriais chinesas, em outubro, sem licença das autoridades chinesas. O governo chinês opõe-se firmemente a esse comportamento de provocação, e tomará uma série de contramedidas efetivas. Na declaração sobre fundamentos do mar territorial, emitida em maio de 1996, China esclareceu o fundamento legal da territorialidade das Ilhas Xisha. A Lei da República do Povo da China sobre o Mar Territorial e a Zona Contígua e outras leis internacionais também estipula que navios de guerra estrangeiros têm de obter aprovação do governo para navegar em águas chinesas.

A entrada de navios de guerra dos EUA em águas chinesas, sem permissão, viola gravemente a soberania da China e seus interesses se segurança, e é infração grave contra a lei chinesa e a lei internacional, além de ser também ameaça contra a paz, a segurança e a ordem em águas importantes.

A ação dos EUA visa a ferir a soberania, a segurança e interesses marítimos de países regionais, em nome de uma suposta “operação liberdade de navegação”. Mas esses atos de provocação mais uma vez deixam à vista a energia negativa da estratégia de “Reequilíbrio para a Ásia” do governo norte-americano, e ao mesmo tempo comprovam que o papel dos EUA é, realmente, criar confusão e problemas no Mar do Sul da China.

A suposta patrulha que os EUA lançaram dessa vez vem precisamente quando China e Filipinas, países diretamente interessados na questão do Mar do Sul da China, estão recompondo suas relações. Durante a visita oficial do presidente Rodrigo Duterte à China, os dois países assinaram vários acordos de cooperação.

O ato de provocação dos EUA em águas territoriais chinesas, num momento em que o reatamento de relações entre China e países relevantes está levando a questão do Mar do Sul da China a uma solução encorajadora, é prova de que os EUA insistem em desestabilizar o Mar do Sul da China, jogando com as tensões e agindo para reaquecê-las.

Ao lançar essas supostas patrulhas, a superpotência diz ao mundo que não sabe conviver e não pode tolerar nem com um Mar do Sul da China tranquilo, nem com um Pacífico Asiático pacífico e estável.

O presidente Duterte destacou, em discurso, que “os EUA sentem-se um pouco aflitos, ao verem os laços firmes que unem hoje China e Filipinas,” e suas palavras revelam a complicada psicologia dos EUA. A ostensiva provocação pode ser vista, de fato, como modo de tentar aliviar a própria depressão e própria frustração, espécie de movimento inercial do que foi a potência hegemônica.

Washington deve cuidar de entender que é precisamente essa sua mentalidade hegemonista que resultou na decadência de sua influência global como hoje se vê, e na própria inabilidade para enriquecer os bens públicos com energia positiva. Washington também deve admitir que aquela era, quando um país podia dominar uma rede de alianças criando tensões e mentiras sempre novas ou renovadas, já acabou e jamais voltará.

Ninguém quer enfraquecer a influência dos EUA na região do Pacífico Asiático, mas essa influência tem de se basear numa dedicação positiva ao desenvolvimento comum de toda a região. A mentalidade hegemonista já senil e ultrapassada dos EUA não é mais aceita, de modo algum, pelos países regionais, que aspiram à paz, à cooperação e ao progresso partilhado.

É bem sabido que a “liberdade de navegação”, frequentemente citada pelos EUA como pretexto, não passa de uma falsidade, para permitir que os EUA tentem impor à região uma “liberdade absoluta”, só dos EUA, para que cuidem do que entendam que seja sua segurança.

Mas os EUA devem ter em mente as reais consequências de buscar segurança absoluta só para si, e que o país já pagou preço suficientemente amargo pela própria arrogância e pela própria ignorância.

A decisão arbitrária, dessa vez, com certeza levará os EUA a um impasse. Esse país obsessivo e turrão pode conseguir algum poder duro, mas jamais conseguirá poder suave nem poder inteligente.

Se os EUA querem realmente ser potência mundial, de modo algum podem recorrer a armas, armamentos, separação ou provocações, na tentativa de obter algum proveito das águas turvas e agitadas. Esforços para ampliar interesses têm de partilhados por todos os países. Palavras altissonantes, mas ações agressivas de teimosia obstinada não recebem respeito e confiança como resposta de outros países.

Ao longo dos anos, sempre empenhados só em firmar a própria hegemonia marítima, os EUA só tem feito desestabilizar a paz regional, intrometendo-se ilegalmente no Mar do Sul da China, provocando a China e tentando minar os laços que ligam China e Filipinas.

Washington não entendeu que esses truques infantis não conseguem reverter a tendência regional na direção de desenvolvimento pacífico. Como as Filipinas já disseram, “Não podemos ser para sempre os ‘irmãos escurinhos dos EUA”. A opção dos filipinos por ajustar as políticas diplomáticas e reforçar a cooperação com a China também prova que a causa injusta que os EUA tentam promover encontra pouco ou nenhum apoio.

Ainda mais, os EUA que não acalentem fantasias na questão do Mar do Sul da China, porque essa não será a primeira briga que arrumam, contra a China. A China é uma rocha, na determinação de salvaguardar a própria soberania e a própria integridade territorial. A China nunca exigirá o que não lhe pertença, mas lutará por cada polegada do território protegido pela soberania chinesa.

O presidente Xi Jinping da China, na reunião de comemoração dos 80 anos da conclusão da Longa Marcha (1934-36), conclamou todos os militares chineses a permanecer vigilantes e conscientes de suas responsabilidades, destacando que a modernização da defesa nacional e das forças armadas da China deve prosseguir, porque é necessária à defesa dos interesses da soberania, da segurança e do desenvolvimento da China.

Quanto mais os EUA insistirem em tentar consolidar sua hegemonia com ações militares, mais a China reforçará sua defesa, e maior a firmeza com que defenderá seus próprios legítimos interesses.

O exército chinês com certeza salvaguardará a soberania nacional e a segurança da China, aumentando a força e o escopo do patrulhamento conforme seja necessário e otimizando suas capacidades defensivas. A China nunca permitirá que EUA desestabilizem Mar do Sul da China – para a China, essa é questão de princípios.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enviado pelo jornalista Sergio Caldieri, este importante editorial do People’s Daily, orgão oficial do Partido Comunista Chinês, reflete a tensão existente por causa da posse de algumas ilhas do Mar do Sul da China. Os governos das Filipinas e da China, diretamente envolvidos, já estão se entendendo a respeito, mas os Estados Unidos, que não têm nenhum envolvimento direto, fazem questão de interferir. É uma infantilidade que ameaça o equilíbrio da política internacional. (C.N.)

12 thoughts on “É preciso ficar bem atento ao que acontece na disputa pelo Mar do Sul da China

  1. “A próxima guerra na China” é o 60º filme de John Pilger para a o canal de tv britanico ITV.
    Pilger revela o que a noticiario esconde – que a maior potência militar do mundo, os Estados Unidos e o segundo poder econômico do mundo, a China, ambos armados com ogivas nucleares, estão no caminho da guerra.
    O filme de Pilger é um aviso e uma história inspiradora de resistência.”

    Trailer: http://thecomingwarmovie.com/

    Os Estados Unidos cercam a China com 400 (Quatrocentas) bases militares, atualmente.
    E navios de guerra, bombardeiros e mísseis.

    O filme é um aviso e tanto para o que vêm por aí…
    O tempo da Tump’êta inaugura-se 20 de Janeiro 2017

  2. “As mensagens de Geddel (O Antagonista)

    Brasil 15.01.17 16:23

    A PF apreendeu os telefones de Geddel Vieira Lima.

    Michel Temer está com medo das mensagens envolvendo seu operador, José Yunes.”

  3. “A esfinge do Supremo (O Antagonista)

    Brasil 15.01.17 15:51

    Interlocutores de Michel Temer disseram que o presidente considera Cármen Lúcia “indecifrável”, dificultando a tarefa do Planalto de antecipar-se aos movimentos do STF, diz o Estadão.

    Para decifrar o enigma, Temer tem recorrido a Gilmar Mendes.”

  4. Essa disputa Geopolítica entre os EUA, potência ainda hegemônica ( detentora da Moeda Internacional US$ Dollar com +- 70% das Reservas Mundiais), e a ascendente China, País com potencial para ultrapassar a Economia Americana dentro de uma geração ( +- 30 anos ) é um jogo perigoso.
    Uma falha Humana e pode-se desencadear uma Guerra Nuclear a base de Bombas de Hidrogênio, +- 100 vezes mais potentes que as de Urânio 235 e Plutônio 238 jogadas sobre o Japão em Ago/1945.

  5. Não se pode esquecer que o maior problema dos chineses no mar do sul são os vietnamitas, que já travaram uma guerra na década de 70 e os chineses tomaram algumas ilhas no Mar do Sul da China.
    Os filipinos com o com a vitória no Tribunal Internacional de Haia está em melhores condições para negociação.
    Vamos aguardar as ações do Vietnã que tem se aproximado dos EUA ultimamente.

    • “PEQUIM, 14 de janeiro 2017

      China e Vietnã emitiram um comunicado conjunto, prometendo gerenciar as diferenças marítimas e salvaguardar a paz e a estabilidade do Mar da China Meridional.

      O comunicado foi emitido como secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista do Vietnã (CPV) Nguyen Phu Trong fez uma visita oficial de quatro dias à China desde quinta-feira.

      A China e o Vietnã tiveram “uma troca de opiniões franca” sobre questões marítimas, de acordo com o comunicado.

      Ambos os países se comprometeram a buscar soluções básicas e de longo prazo que ambas as partes possam aceitar via negociação e discutir soluções de transição que não afetarão a posição de cada um, incluindo a pesquisa de desenvolvimento conjunto.

      Ambas as partes concordaram em aplicar plena e eficazmente a Declaração sobre o Conduta (DOC) das Partes no Mar da China Meridional e esforçar-se pela rápida conclusão de um Código de Conduta (COC) com base no consenso no âmbito do DOC.

      Ambos os lados concordaram em gerenciar as diferenças marítimas e evitar quaisquer atos que possam complicar a situação e aumentar as tensões, a fim de salvaguardar a paz ea estabilidade do Mar da China Meridional”

      fonte: People’s Daily in english
      http://en.people.cn/n3/2017/0115/c90000-9166794.html

  6. Na Europa começam a cutucar o URSO com vara curta. E na Asia, começam a cutucar o dragão também com vara curta.
    Aonde querem chegar? Na guerra nuclear, a 3ª guerra mundial? A guerra em que Einstein afirmou que não tinha a minima idéia de que tipo de armas seriam utilzadas, a certeza que ele tinha é de que a 4ª seria disputada com paus e pedras.

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