É preciso haver sistema de identificação no atendimento médico

Pedro do Coutto

São tantas as falhas no sistema de saúde pública do país que têm que ser tomadas providências urgentes para reduzi-las substancialmente e evitar de forma total erros como os das aplicações de injeções de sopa e café com leite em veias de pacientes. Tal coisa é inadmissível.

Uma ideia de Elena, minha mulher, creio ser um passo básico. Todos os que trabalham em hospitais e postos de saúde, inclusive particulares, devem ser obrigados a terem fixados crachás nas vestes informando a profissão efetiva, com o registro no Conselho próprio (Conselho de Medicina ou Conselho de Enfermagem) CRM ou COREM. A classificação visa também a distinguir se o profissional que está prestando atendimento é ou não estagiário.

Este aspecto é de fundamental importância, sobretudo no sistema de emergência quando um imponderável número de casos alunos ainda em formação são colocados para substituir profissionais formados. Nos casos de seguro ou plano de saúde, os contratantes dos planos pagam a mensalidade para poderem receber atendimento médico, e não serem socorridos por aqueles que se encontram em período de formação. Os estagiários (médicos enfermeiros, auxiliares ou técnicos de enfermagem) podem intervir desde que supervisionados por profissional qualificado, isto é já com formação plena.

Com esse sistema muitas vidas seriam salvas e também preservada a integridade de milhares de pacientes. O número de atendimentos pelo menos cresce em ritmo do aumento do número de habitantes. Mas ultrapassa tal ritmo, pois tem de se levar em conta o aumento da violência. A Folha de São Paulo publicou em sua edição de quarta-feira reportagem de Clara Roman e Valmar Hupsel Filho revelando que, no estado de São Paulo, este ano um policial foi morto a cada 32 horas.

Imagine-se por aí quantos são feridos. Não somente policiais. A violência, nos dias de hoje, não escolhe rumo ou vítimas. Veja-se a incidência de casos no Rio. Observe-se o atendimento do Hospital Souza Aguiar, que, segundo a última estatística, atende diariamente a média de 2 mil pessoas. São os que não possuem plano ou seguro de saúde particular. Some-se a isso os atendidos na rede particular. As condições urbanas conduzem à necessidade de também uma assistência crescente. Os controles e medidas de segurança têm que acompanhar a demanda, cada vez mais elástica.

A identificação profissional é um passo positivo. Sozinha não vai solucionar todos os problemas, a começar pela falta de médicos em número adequado às exigências do atendimento. Mas reduz o volume. Será um passo decisivo inclusive para que o sistema de saúde possa ter um controle real do efetivo de que dispõe.

Estamos falando do atendimento urbano, esta é a visão imediata. Mas e quanto ao meio rural? O problema da saúde é maior do que se pensa à primeira vista. Alguma coisa tem de ser feita. Deve começar pela classificação da procura, sobretudo para que as intervenções cirúrgicas não fiquem para as calendas gregas. O Ministério da Saúde poderia entrar em ação concreta e montar uma rede geral no país. Afinal foi para isso que foi criado o SUS: Sistema Único de Saúde. O doente ou o acidentado não pode ser assinalado como federal, estadual ou municipal. São seres humanos.

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