É preciso investigar o papel de Temer/Loures no acordo entre JBS e Petrobras

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Charge do Amarildo (amarildo.com)

Marcelo Coelho
Folha

Para fins de comparação: a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra Lula, no caso do tríplex do Guarujá, tinha 149 páginas. A que Rodrigo Janot acaba de divulgar, contra Temer e seu ex-assessor Rodrigo Loures, tem 60. Para Janot, o presidente “recebeu para si, em unidade de desígnios e por intermédio de Rodrigo Loures, vantagem indevida de R$ 500 mil, ofertada por Joesley Batista, proprietário do grupo J & F, tendo sido a entrega dos valores realizada por Ricardo Saud, executivo do grupo”.

A célebre “compra do silêncio” do ex-deputado Eduardo Cunha, que levaria à acusação de obstrução da Justiça por parte de Temer, não é mencionada. Em outro documento, a PGR afirma que seria necessária uma análise mais cuidadosa, aprofundada e responsável para formar opinião sobre isso. A gravação da conversa entre Joesley e Temer, entretanto, tem sua autenticidade reafirmada e justifica pontos fundamentais da denúncia.

COMPRANDO APOIO – O principal, para a Procuradoria-Geral da República, é que o dono da JBS estava interessado em ter pessoas favoráveis a seus interesses em vários órgãos federais, como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), e a Receita.

Rodrigo Loures teria se prontificado com Joesley a levar alguns nomes para que Temer fizesse as nomeações. Havia, ademais, um problema específico no Cade, órgão encarregado de combater práticas monopolísticas na economia.

Uma empresa do grupo JBS em Cuiabá se queixava dos preços impostos pela Petrobras na venda de gás natural. Deixaria de perder R$ 1 milhão por dia se lhe fosse permitido comprar gás diretamente na Bolívia, em vez de passar pela Petrobras. Rodrigo Loures foi então acionado por Joesley para intervir junto ao Cade. O problema é que, aparentemente, segundo depoimentos de funcionários do Cade, Loures não conseguiu alterar nenhum procedimento usual nas decisões do órgão – apesar de ter falado em nome de Temer.

ACORDO FECHADO – Acontece que, no dia 13 de abril de 2017, o preço do gás foi resolvido por um acordo entre a Petrobras e a empresa do grupo JBS. A pendência vinha desde setembro do ano anterior. A conversa entre Joesley e Temer, na qual o presidente indicou Rodrigo Loures como interlocutor, foi em 7 de março. Feito o contrato com a Petrobras, em 13 de abril, o assessor de Temer recebeu R$ 500 mil no dia 28 do mesmo mês.

Seria apenas uma parcela: segundo conversa gravada entre Loures e Saud, os pagamentos seriam semanais, variando conforme os preços cobrados pelo gás da Petrobras.

Nada a ver com Cunha e seu silêncio, portanto. A questão a ser investigada, sem dúvida, é a de qual o papel de Temer nesse acordo com a Petrobras. As parcelas de R$ 500 mil destinavam-se ao presidente?

OUTROS OPERADORES -A PGR transcreve outras conversas entre Loures e Saud, em que se mencionam vários personagens, como “Ricardo”, “Celso”, “Edgar” e “Coronel”. Seriam possivelmente pessoas que intermediavam pagamentos ilícitos para Temer.

Num trecho comprometedor, RoLoures indica que o “coronel” (provavelmente João Batista Lima Filho) e outro ex-assessor de Temer, José Yunes, já “não podem mais” –entendendo-se que seria necessário arranjar outros intermediários para as propinas oferecidas pela JBS.

Denúncia não é acusação formal: trata-se apenas do pedido para que se abra processo. Após alguns passos em falso iniciais, a suspeita contra Temer se consolida agora.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Oportuno artigo de Marcelo Coelho, lembrando que Temer indicou seu assessor Loures a Joesley, que lhe fez um pedido e houve atendimento, com o estratégico acordo fechado entre a JBS e a Petrobras um mês depois da conversa gravada no subsolo do Palácio do Jaburu, e com o primeiro pagamento de R$ 500 mil ao já empossado deputado federal Loures. Fica demonstrado, portanto, que antes de “demonizar” Joesley e “inocentar” Temer, como o lobby do Planalto defende na mídia e nas redes sociais, é preciso identificar com clareza a atuação de cada um dos notórios bandidos que infestam o governo e a política. E neste caso é preciso investigar também a Petrobras e seu presidente Pedro Parente. (C.N.)

16 thoughts on “É preciso investigar o papel de Temer/Loures no acordo entre JBS e Petrobras

  1. Interessante , porque também não investigar o Adv. da JBS que era o braço direito do Janot na PGR ?? Ele saiu da PGR e foi ser o Advogado da JBS para fazer esta delação (mega sena), e possivelmente teve a sua ajuda ?? quem sabe os honorários foram também divididos entre os ” amigos ” ?? o flagrante combinado indica que pode ter sido combinado mesmo…..

  2. C. Newton, buenas.
    Permita-me esticar a tua assertiva aposta na Nota da Redação: precisamos identificar, também – e urgentemente -, quem é o juiz e quem é o procurador que Joesley tinha “na mão”.
    O Judiciário permanecerá silente à revelação dos nomes?

  3. Prezado Jornalista Marcelo Coelho (FOLHA ??)

    A saber, não tenho partido. Sou apenas brasileiro entre milhões existentes no país, que sofre com as consequências e irresponsabilidades dos nossos governantes. Afirmo que a impressa em geral pode condenar o liberar os criminosos, não somente a Justiça (que às vezes não existe). Portanto sugiro uma abordagem na sua reportagem: ” É preciso investigar o papel de JANOT/ MARCELO MILLER no acordo da JBS” eis uma Ótima Material – Aceita???

  4. A questão não é se o Temer é ou não é um bandido. Todo o político brasileiro é um meliante em potencial e não existe político honesto. A questão se resume na delação e nos valores pagos e, a dupla Lulla/Dilma, levou muito mais dinheiro que o Temer. Só que a dupla de safados Fachin/Janot, só denunciou o Temer.

  5. Na peça da acusação do Temer, tem a procuração assinada pelos JBS no dia 03/3/17 para o advogado tratar da homologação da delação, esta procuração só é dada quando começam as tratativas com a PGR. No dia 7 o Joesley gravou o Temer e no dia 8/05/17 o escritório de advocacia aceita como sócio o procurador Miller, tudo é coincidência. A PF conforme o laudo recebeu os arquivos por ordem verbal no dia 6/04/17 e o acordo com a JBS começou somente no dia 7, também tem coincidência aqui. Está tudo no laudo. O arquivo da conversa do Temer está que foi criado em 2013 e não neste ano.

  6. Certamente a quadrilha do Temer não é a única; mas, com certeza a mais maligna.
    Outros ministros anteriores foram defenestrados do cargo, quando o poste quis dar foro privilegiado ao satã de quatro dedos, teve que voltar atrás com o rabo entre as perna; no entanto agora….

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