É preciso investigar

Carlos Chagas

Erenice Guerra foi demitida, apesar de ter assinado o pedido  de exoneração  levado por Gilberto Carvalho e Franklin Martins, mas agora é que deveriam começar as investigações. Em primeiro lugar, torna-se necessário saber quando seus dezessete parentes entraram para o serviço público: só depois dela haver assumido a chefia da Casa Civil ou antes, quando era assessora de Dilma Rousseff? Quem sabe até quando  exercia a consultoria jurídica no ministério de Minas e Energia?   Nesse caso, a antes ministra e  hoje candidata presidencial sabia do furor da amiga em nomear marido, filhos, irmãs e irmãos, sobrinhos e papagaios para a máquina estatal? É preciso investigar, também, se a família Guerra trabalhava ou simplesmente valia-se da força da patriarca para faltar ao trabalho e  auferir vencimentos.

Em seguida deve-se passar do geral para o particular: quantas operações foram desenvolvidas pela empresa de seus filhos, traficando a  influência da mãezona  e obtendo de empresas públicas e da administração direta  vultosos contratos com empresas privadas? Estas, beneficiadas, é preciso identificar. Contribuíram com que valores no ítem “cláusula de sucesso” para o bolso da família? Foram muitas ou poucas vezes que dirigentes de empresas privadas eram levados à presença de Erenice, só para saberem  quem realmente geria os negócios?

Estamos diante de um poço aparentemente sem fundo, tornando-se impossível vedá-lo só porque foi descoberto, como em tantos outros episódios anteriores. E não se diga que tudo aconteceu apenas no governo Lula, porque buraco ainda maior foi aberto e tapado no governo Fernando Henrique, com as privatizações.

INFLAÇÃO DESMEDIDA

Tomara que os jornais tenham acrescentado um zero a mais nas contas referentes às trapalhadas de um filho de Erenice Guerra, agenciando empréstimos do BNDES para empresas dispostas a pagar-lhe propina. Ou será que  os tempos passaram em tão vertiginosa corrida, fazendo a economia perder a noção de valores? Existe  mesmo uma empresa, em Campinas, pleiteando dois bilhões do banco empenhado em promover o desenvolvimento?  Teria o lobista-lambão exigido a estratosférica  comissão de  450 milhões de reais?

AS CAUSAS PRIMEIRAS

Pergunta-se porque tantas lambanças iguais às praticadas por Erenice Guerra sucedem-se no governo e arredores. Será por conta do grande coração do Lula, para quem auxiliares seus jamais cometem equívocos? Pela determinação do primeiro-companheiro de abrir as asas e abrigar honestos e desonestos?

Há quem suponha causas mais imediatas. Terá sido pela avidez do PT, tantos anos exposto ao sol e ao sereno e, de repente, guindado aos controles do poder? Caíram em tentação, os companheiros, conhecedores de atos anteriores praticados por outros partidos e grupos, no passado  igualmente envolvidos em tráfico de influência, formação de quadrilha, extorsão e sucedâneos?

Ou tudo acontece pelo simples fato de a política existir, desde tempos imemoriais?

A GRANDE DECISÃO

Anuncia-se para quarta-feira a sessão do Supremo Tribunal Federal que julgará recurso do ex-governador Joaquim Roriz   para escapar da lei ficha-limpa. A decisão, se tomada nesse dia, definirá a sorte de quantos candidatos tem tido negado seu registro, condenados anteriormente por crimes diversos. Ou por haverem renunciado a mandatos para evitar a cassação.

Além de perigoso, parece inócuo especular sobre sentenças judiciais antes  de exaradas, mas a informação é de que os dez atuais ministros da mais alta corte nacional de justiça estariam divididos: cinco pela imediata  aplicação da lei, cinco sustentando sua validade apenas para as próximas eleições, não as atuais.

Convém aguardar.

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