É uma maravilha quando a Justiça funciona, como no caso dos traficantes que usavam aviões da FAB

Circula na internet, com grande sucesso, uma reportagem (sem menção do autor ou do jornal ou site), informando que a 2ª Turma Especializada do TRF-2ª Região manteve a condenação de sete acusados de integrar a quadrilha que usava aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar drogas para a Europa.

O esquema foi desbaratado na chamada operação “Mar Aberto”, realizada pela Polícia Federal em 1999. Segundo informações do processo, os oficiais foram presos quando tentavam embarcar, no Recife, 32,9 quilos de cocaína em um avião Hércules C-130, que partira da Base Aérea do Galeão, no Rio, e fez escala na capital pernambucana a caminho do balneário espanhol de Las Palmas.

O julgamento no TRF ocorreu nos autos da apelação criminal apresentada pelos réus contra a sentença da Justiça Federal do Rio. Foram condenados o americano John Michael White, os tenentes coronéis da Aeronáutica Paulo Sérgio Pereira de Oliveira e Washington Vieira da Silva, o também oficial da Aeronáutica e especialista em aviação Luiz Antônio da Silva Greff, Luiz César Pereira de Oliveira (irmão do tenente coronel Paulo Sérgio Pereira de Oliveira), a boliviana Lila Mirta Ibañez Lopez e o civil Luís Fernando dos Santos.

Ainda de acordo com dados dos autos, a cocaína estava embalada em 30 pacotes, armazenados em duas malas. Todos os pacotes estavam cobertos por uma camada de algodão e enrolados em borracha e papel celofane, com vários desenhos de Mickey Mouse.

A cocaína encontrada tinha, segundo peritos da Polícia Federal, 98,96% de pureza. Dependendo das substâncias misturadas para o consumo, poderia render entre 80 a 100 quilos, o equivalente a US$ 3 milhões. A droga seria entregue ao réu Luís Cezar Pereira de Oliveira, que se encontrava nas Ilhas Canárias, na Espanha.

John Michael White, Paulo Sérgio Pereira de Oliveira, Washington Vieira da Silva, Luiz Antônio Greff e Luís César Pereira de Oliveira foram
condenados pelos crimes de tráfico de entorpecentes e por formação de
quadrilha para o tráfico. John White ainda foi enquadrado nos crimes de
falsificação e uso de documentos públicos.

Lila Mirta Ibañez Lopez foi condenada por associação para o tráfico de entorpecentes, ocultação de valores obtidos como fruto do crime e também por falsificação e uso de documentos públicos. Luís Fernando dos Santos recebeu pena pelo crime de ocultação de valores angariados com a atividade criminosa.

O americano John White foi quem recebeu a maior condenação: 39
anos de reclusão em regime fechado e multa de 5.750 salários mínimos (o
equivalente, hoje, a mais de dois milhões de reais). Além disso, o TRF
determinou a perda de todos os seus bens, direitos e valores adquiridos
desde 1997, por entender que eles foram obtidos exclusivamente com ações criminosas.

Lila Ibañez foi apenada em 19 anos e seis meses de reclusão, mais multa de 1.500 salários. O tenente coronel Washington Vieira da Silva recebeu pena de 17 anos de prisão e 1.330 salários mínimos de multa. Paulo Sérgio de Oliveira, Luiz Antonio Greff e Luiz César Pereira de Oliveira tiveram penas fixadas, para cada um, em 16 anos de reclusão e 532 salários mínimos de multa. Apenas Luiz Fernando dos Santos não ficará na cadeia, tendo sido condenado a prestar três anos de serviços à comunidade e a pagar multa de 20 salários mínimos.

Em seu extenso voto, o relator do processo no TRF, desembargador federal André Fontes, entendeu serem incabíveis os argumentos dos acusados, que, basicamente, sustentaram que as escutas telefônicas que foram usadas para desbaratar a quadrilha teriam sido colocadas ilegalmente e que não haveria provas suficientes nos autos para sustentar as condenações.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *