Economia terá, neste ano, o pior desempenho desde 1990

Vicente Nunes
Correio Braziliense

As projeções já apontam para queda de até 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB), consolidando todo o desastre do governo Dilma Rousseff. Mesmo com esse tombo, a inflação se mantém resistente, pode passar de 10% caso o dólar insista na trajetória altista. Essa combinação perversa, de recessão e inflação, está levando o desemprego para níveis assustadores.

Não há perspectiva de recuperação rápida da atividade. Talvez, em meados de 2017, o país comece a dar os primeiros sinais de que saiu do atoleiro. Isso, é claro, se Dilma mantiver o juízo e adotar, de vez, uma política econômica responsável.

Esse quadro devastador não impediu o Banco Central de, mais uma vez, aumentar a taxa básica de juros (Selic), para 14,25% ao ano. Desde o piso alcançado pela Selic, de 7,25%, que vigorou por apenas seis meses, entre outubro de 2012 e abril de 2013, os juros subiram 7 pontos percentuais, um choque inacreditável para a atividade. O Comitê de Política Monetária (Copom) avisou que o arrocho está concluído. Diante desse recado explícito, os analistas já começaram a contagem regressiva para a redução da taxa básica.

QUANDO CAIRÁ?

Até o fim do anúncio do ciclo de alta, as apostas eram de que os cortes na Selic começariam a partir do segundo trimestre de 2016, quando, por efeito estatístico, a inflação mostrará um tombo. Agora, uma leva de especialistas começa a cogitar a possibilidade de os juros baixarem ainda no fim deste ano, dada a gravidade do quadro econômico. O que se verá daqui por diante é um filme de terror. O desemprego vai disparar, o calote nos empréstimos e financiamentos dará um salto expressivo e o estouro da bolha de crédito tenderá a espalhar o pânico.

Entre os banqueiros, o clima é de total apreensão. A ordem foi ampliar o máximo possível as provisões para crédito de liquidação duvidosa. A torneira de empréstimos praticamente fechou. Empresas do setor imobiliário estão tendo todos os pedidos de financiamento negados. Teme-se que o setor repita o colapso registrado no ramo automobilístico. Essa situação não seria relevante se as operações de crédito não representassem hoje quase 60% do Produto Interno Bruto (PIB). Os mais pessimistas falam em um possível estouro de bolha semelhante ao que se viu nos Estados Unidos em 2008. 

6 thoughts on “Economia terá, neste ano, o pior desempenho desde 1990

  1. Que há uma bolha de crédito espraiada nos 60% da população brasileira que se encontra endividada, isto não resta a menor dúvida.

    Parece ser que estamos em contagem regressiva para que ela estoure em função de três efeitos: o efeito de corrosão dos salários pela inflação, o achatamento do rendimento médio real habitual do trabalhador que ainda se mantém no emprego e o crescimento da população desocupada que tende a aumentar com o aprofundamento do processo recessivo e a significativa diminuição do mercado de trabalho.

    Quanto à inflação é bem possível que atinja dois dígitos. Se decompormos o IPCA veremos que a inflação no grupo de itens de despesas com preços administrados pelo governo, até junho, já está anualizada em 15,10%!!!

    O rendimento médio real habitual do trabalhador brasileiro já caiu mais de 2% de 2014 para cá. E como as demissões tendem a se acentuar, por decorrência, a massa de rendimento da população também tende a cair.

    Numa conta simples, se a família brasileira, em média, estava com 87% do seu orçamento comprometido com a carga tributária e dívidas com o sistema financeiro, tornar-se-á insustentável daqui por diante revelando o tamanho da bolha na forma de inadimplência.

    O resultado é que pode se esperar um crescimento no índice de inadimplência a revelar o tamanho e a profundidade da bolha de crédito.

  2. 2015.
    Prefeituras estão falidas. Logo, pedem ajuda para o governo estadual.
    Os estados estão falidos. Logo, pedem ajuda para o governo federal.
    O governo federal está falido:
    1. Logo, pede ajuda, NOVAMENTE, para os banqueiros. Os banqueiros, em sua posição confortável, sabendo que estão lidando com contumazes caloteiros, “metem a faca”.
    2. Logo, aumentam os impostos.
    3. Logo, diminuem os investimentos.

    Mas NUNCA, desde o Império, diminuíram os gastos com folha de pagamento dos parasitas desnecessários.
    Para o Brasil, começou tendo que sustentar os fugitivos de Portugal. De 10 mil à 15 mil pessoas, numa colônia pobre de recursos, pois toda a renda era levada para Portugal.
    Essa conta foi crescendo sem parar, até hoje.
    No fim do Império, a folha de pagamento consumia 70% da arrecadação. Em 1953 também.
    É a única despesa “imexível”, como diria o Magri.
    Afinal, é ela que mantém os cabos eleitorais, parentes, amantes e amigos dos membros da Corte sem trabalhar. Recebendo, e bem, sem trabalhar.
    Trabalho é para os otários, nós.

  3. E os ” centuriões “do PT estão com os “dias contados”… Com a palavra Sérgio Moro e/ou os asseclas do “Brasil 247″… Interessante, não?

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