Eduardo Cunha já é o novo presidente da Câmara

Cunha: “Sem margem de erro, estou eleito”

Carlos Chagas

Desde que escolhido líder do PMDB na Câmara, há um ano, que Eduardo Cunha trabalhou para presidir a casa no biênio 2015-16. Mesmo sendo o PMDB a segunda maior bancada de deputados e até contando que o PT continuaria como a maior bancada na próxima Legislatura, a candidatura do parlamentar fluminense estava lançada.

Por que? Além da evidência da promoção pessoal e possivelmente de voos mais altos, Cunha apresentou-se como o candidato da independência de seu partido. Isso para dizer o mínimo, pois na realidade ele é o candidato da contestação, desejada por quase todos os seus colegas. Apresenta-se como a alforria diante da submissão do PMDB aos governos do Lula e de Dilma.

Sabe que sem o partido os companheiros não governariam, ainda que tivessem passado os últimos doze anos sem a participação imaginada como justa e necessária. Se mantiveram quatro ou cinco ministérios ao longo do período, julgaram e julgam insuficiente a retribuição, menos em número de pastas, mais em sua carência de grandes verbas orçamentárias. Além de nenhuma influência nas grandes decisões de governo.

Sendo assim, Eduardo Cunha é o candidato do acerto de contas. Por isso está sendo apoiado pela maioria das bancadas e até por partidos menores. Ontem, declarou sua candidatura irreversível, numa espécie de repto às movimentações no palácio do Planalto para afastá-lo. O próprio vice-presidente Michel Temer dá a impressão de haver entregado os pontos. Neste fim de semana já reconheceu o direito do colega disputar a sucessão de Henrique Eduardo Alves, fazendo apenas a exigência de que Cunha não se apresente como candidato da oposição.

Depende do ângulo por onde se examine a disputa, mas o risco, para o governo, é de uma candidatura única. Claro que outros nomes aparecerão, mas dificilmente com chances de engrossar a parada. O líder do PT, Vicentinho, ainda promete o lançamento de um companheiro em condições de quebrar a unanimidade, mas anda cada vez mais desiludido. PSDB e DEM assistem de camarote a divisão no bloco governista.

Em suma, Eduardo Cunha já é o novo presidente da Câmara, salvo inusitados. Poderá vestir a máscara de cordeiro, mas trata-se do lobo pronto para levar a presidente Dilma a atender os interesses do PMDB ou, em contrapartida, a tornar amarga a performance do governo no Congresso. Dele dependerá a organização da pauta das votações, todos os dias, podendo incluir nela projetos que desagradem e prejudiquem o poder, no caso de não atendidas as reivindicações de seu partido. Quais? As fisiológicas de sempre…

O PECADO DE HENRIQUE MEIRELLES

O maior argumento da presidente Dilma para não nomear Henrique Meirelles novo ministro da Fazenda é que ele entende mais de economia do que ela.

3 thoughts on “Eduardo Cunha já é o novo presidente da Câmara

  1. O problema que o Eduardo Cunha é conhecidamente um tipo de político que o Brasil não aguenta mais. Com Eduardo Cunha não vamos mudar é nada, moralizar nada. Ele é até perigoso porque é ávido por poder e espertíssimo. Quanto mais poder tiver, mais apodrecerá o país. Vamos continuar a fazer como sempre foi. Trocando cargo por apoio, senão o país não anda. Eduardo Cunha é uma boa liderança para o momento em que o país quer mudança, em que um maluco como o lobão convoca mega passeata, a passeata do ódio, para pedir o impeachment da Presidente ? Presidente da câmara é o segundo na linha sucessória; O primeiro , o vice presidente, também é do PMDB.
    PS: Não sejamos imprudentes. Na passeata do ódio muita coisa ruim pode acontecer. Não precisa orar não, mas vigiar com certeza. No Brasil ainda não apareceu nenhum fundamentalista É nessa hora de polaridade que eles saem das sombras. Se liga !

  2. Concordando com os dois comentários acima, igualmente imagino que as passeatas devem ser entendidas como uma manifestação de repúdio ao que está acontecendo , e não deveriam merecer descaminhos por violências, que não somariam nada. Se liga!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *