Eduardo desafia o Conselho de Ética e promove um filme pró-ditadura sem autorização

Eduardo tenta promover filme sobre ditadura em área pública

Jéssica Eufrásio
Correio Braziliense

Um convite que circula no WhatsApp tem provocado polêmica nas mídias sociais e gerado críticas por parte de parlamentares da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). O material mostra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), convidando a população a assistir ao filme 1964: o Brasil entre armas e livros, na Vila Planalto, bairro localizado entre os palácios do Planalto, da Alvorada e do Jaburu.

Durante a gravação, o deputado diz que a produção audiovisual “conta a história do Brasil” e “desagrada seu professor de história, que tenta te enviesar ideologicamente para que você acredite apenas no que ele diz”. Em grupos de WhatsApp circulam, ainda, um texto com informações sobre o evento e uma imagem com o cartaz do filme.

 

INCENTIVADOS – Na foto, a exibição está marcada para esta quinta-feira, dia 7, às 19h, na área atrás da Igreja Nossa Senhora do Rosário de Pompeia. No rodapé, há uma logo com o nome de Eduardo Bolsonaro e, na mensagem de texto, os espectadores são incentivados a levar cadeiras para assistir ao longa-metragem.

O comunicado também fala de um projeto intitulado Cine Brasil, cujo objetivo é propagar, em praças públicas, a “verdade sobre os acontecimentos mais importantes” do país.

SEM AUTORIZAÇÃO – Apesar do agendamento, o evento não tem autorização para ser realizado. No DF, conforme estabelece a Lei Distrital nº 5.281/2013, atividades de caráter eventual — sejam elas públicas ou privadas e que produzam reflexos no sistema viário ou na segurança pública — precisam de autorização das administrações das respectivas regiões administrativas, com requerimento apresentado até 30 dias antes.

Por meio de nota, a Administração Regional do Plano Piloto informou que “não há, no dia 7 de novembro, evento com licença para ocupação de área pública no local mencionado”. A ideia também não agradou a grupos de moradores da Vila Planalto. Para a jornalista e escritora Leiliane Rebouças, 44 anos, a exibição do filme representa um “desrespeito à história da população da Vila Planalto”.

DITADURA – “Somos vizinhos dos três palácios e somos testemunhas oculares de vários momentos da história do país. Não vejo de forma boa o filho do presidente da República trazer, para um local que sofreu com a ditadura no Brasil, um filme que deturpa a história”, criticou.

Leiliane acrescenta que a ideia entre os que se indignaram não é impedir a exibição, mas repudiar a iniciativa. “Como alguém eleito democraticamente fala, em uma semana, sobre a implantação de um ato institucional inconstitucional e começa a querer apresentar filmes que mostram esse regime autoritário como algo bom? Nenhum regime autoritário é bom”, completou a jornalista.

Uma professora e moradora da Vila Planalto que preferiu não se identificar afirmou que a comunidade da região não entendeu o motivo da escolha do local, principalmente por se tratar de um deputado eleito pelo estado de São Paulo.

SEM ACORDO – “Não queremos censura de forma alguma. Sabemos que o espaço é público. Mas não houve nenhum tipo de acordo e fomos surpreendidos com esse evento. Além de desrespeitar as regras administrativas, ele tem um viés político muito estabelecido”, comentou.

Os deputados distritais Fábio Felix (PSol), Leandro Grass (Rede) e Arlete Sampaio (PT) emitiram notas de repúdio à ideia. Nos documentos, eles criticam o fato de agentes públicos e grupos políticos terem a intenção de “reescrever a história do Brasil”.

“É inadmissível que qualquer pessoa defenda o Golpe Militar de 1964. Tratando-se de um deputado federal, eleito pelo povo, que tomou posse jurando defender a Constituição Federal, além de filho do presidente da República, é ainda mais grave”, afirma o texto assinado por Arlete Sampaio.

AFRONTA – Integrantes da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar da CLDF, Leandro Grass, que preside o comitê, e Fábio Felix consideraram o convite uma “afronta à democracia”.

“Nós, deputados distritais, repudiamos qualquer ato que reafirme ou defenda a ditadura no Brasil. Enquanto defensores da Constituição Federal, os parlamentares, sejam distritais, estaduais ou federais, devem prezar pela democracia. Qualquer atitude diferente desta deve ser repudiada”, ressaltaram.

16 thoughts on “Eduardo desafia o Conselho de Ética e promove um filme pró-ditadura sem autorização

  1. O ex-candidato de si mesmo a embaixador, notável fritador de hamburgue e que garantiu que um cabo e um soldado são suficientes para fechar o STF, realmente é irrecuperável. Um completo idiota.

  2. “Eduardo desafia o Conselho de Ética e promove um filme pró-ditadura sem autorização”

    Pergunto quem foi o retardado que pôs titulo na matéria, será ele um filhote da ditadura querendo censurar a cultura, proibindo a produção e veiculação de um filme.

  3. Sobre esse tal Ustra que a esquerda acusa de torturador, existem provas cabais de que ele o foi ou isto é produto de depoimentos quem esteve preso sob sua guarda?

    Sou contra a ditaduras, inclusive esta que infelizmente houve no país foi de responsabilidade total dos militares, que logo no começo cassaram grandes nomes da direita como Carlos Lacerda, Juscelino e Adhemar, entre outros, que foram aqueles que ajudaram a derrubar o bêbado que nos desgovernava em 64.

  4. Fora do assunto: o malandrão C Mello está dando lições de moral no seu discurso antes de dar seu voto. Nele, ainda não percebi nada sobre a realidade que a maioria dos países , depois de julgado o criminoso na primeira instância, o criminoso começa a cumprir a pena em prisão.
    Enfim, o malandrão , com sua falsa moral, está mesmo é enrolando para dar seu voto a favou dos criminosos.
    É só blá, bla em favor do direito de um criminoso que , pasme, depois de dois julgamentos e considerado neles culpado, ainda tem mais direitos a não ir para cadeia.
    Definitivamente, como o mundo inteiro até já sabe: isto aqui é o país do crime.
    PQP

    • Pelo veneno descendo pelas presas, o ódio é mortal, mesmo ele estando completamente errado, sua pessoa pode ser considerada culpada de agressão intolerância, repudiado publicamente pelo ato, acionado juridicamente, mas dai joga-lo na mesma vala comum das penas de aluguel canhotas ai é demais, provavelmente esse comentário só pode ter vindo de um celerado canhoto, e não de um jornalista.
      Errou e feito, o que não desmancha toda uma carreira de bom jornalismo, todos temos um dia ruim.

  5. Lamento informar que a manchete da notícia em questão não está sendo fiel à realidade dos fatos. O filme não é a favor da ditadura. Já assisti (com bastante atenção), e posso assegurar que trata-se de um documentário bastante elucidativo a respeito dos acontecimentos que marcaram a trajetória do poder governante na História do Brasil, culminando no regime militar.

  6. O superdimensionamento de qualquer declaração do clã Bolsonaro chega às raias do absurdo!

    AI-5, a sua tentativa de querer ser embaixador, agora com o filme sobre o período da ditadura ou do regime de exceção, pois o povo e seus segmentos os mais variados pediram pela intervenção militar, observo um exagero demasiado contra a família do presidente, e contra ele da mesma forma.

    Não, não, antes que algum desavisado ou mal intencionado me questione se estou defendo os Bolsonaro, reafirmo a ampliação invariavelmente negativa sobre qualquer palavra proferida pelo clã.

    E me posiciono dessa forma, pelo fato de quando tivemos as apresentações dos tais queermuseus, com enaltecimentos à zoofilia, pedofilia, o abuso sexual de adultos andando nus ao lado de crianças, houve até quem apoiasse esse tipo de imoralidade escancarada e pública, na contrapartida que vejo hoje as faces escandalizadas pelo que vem dizendo um rapaz inexperiente, cuja soberba lhe subiu à cabeça, que, no entanto, a sua intenção é para a melhoria do Brasil e fortalecimento dos laços familiares, além de mostrar o outro lado do regime militar, até hoje contestado justamente por aqueles que não o viveram ou já se foram desta vida!

    E dizer que temos tanto problemas para dar atenção, e nos distraímos com a conduta de um deputado!!!

    Quanta falta de senso de medidas, credo!

  7. Partindo de quem fez o artigo, eu fico em dúvida se este tal filme é pro-ditadura mesmo ou é um documentário contando a história da ditadura sem tomar partido dela.

    Sabe como é a nossa mídia, que sempre foi fake.

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