Eduardo Paes disputa reeleição enfrentando Lindberg Farias

Pedro do Coutto 

A praticamente dezoito meses das eleições municipais começam a surgir os candidatos que se propõem – como é natural – a enfrentar Eduardo  Paes que obviamente vai disputar a reeleição pelo PMDB, com o apoio do governador Sérgio Cabral, mas não mais em aliança com o PT. A política é assim. Se as pessoas mudam, as alianças também. Nas urnas de 2008, Paes teve inclusive o apoio do ex-presidente Lula contra Fernando Gabeira.

Agora o quadro é outro. O senador Lindberg Farias, ex-prefeito de Nova Iguaçu, está transferindo seu domicílio eleitoral para o Rio e pretende se lançar à disputa. Não arrisca nada, seu mandato conquistado nas últimas eleições é de oito anos, possui as condições que o habilitam a tentar o Palácio da Cidade.

Inicialmente o Partido dos Trabalhadores contava com ele para concorrer à sucessão de Sérgio Cabral, mas ou ele, Lindberg, antecipou os fatos ou os fatos anteciparam-se a ele. A verdade é que do oceano do PT, vitorioso com Dilma Rousseff, emergiu Lindberg Farias como uma perspectiva carioca. Inclusive vale considerar que uma coisa não necessariamente atrapalha a outra. Ele pode disputar a Prefeitura e, dois anos depois, o governo do Estado.

A história apresenta vários exemplos. Jânio Quadros em São Paulo, um deles. Também na terra paulista Serra é outro. Concorreu à presidência em 2002, à Prefeitura em 2004, venceu, renunciou e conquistou o executivo estadual nas urnas dois anos depois. Lindberg é um candidato forte. Eduardo Paes também. A luta deverá ser tão interessante quanto intensa.

No final de seu mandato, em 2014, o governador Sérgio Cabral não poderá tentar permanecer no Palácio Guanabara. Provável que ingresse na campanha por uma cadeira no Senado. Mas para isso terá que renunciar seis meses antes, ou seja em abril. Aspectos da legislação eleitoral brasileira na realidade contraditórios e espantosos. Em nada acrescentam à cultura jurídica do país. Presidente, governador, prefeito podem tentar a reeleição permanecendo no posto.

Porém se qualquer um deles quiser disputar outro cargo eletivo tem que se afastar seis meses antes do pleito. Casuísmo completo legado pela emenda que permitiu a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Já deveria tal descritério ter sido modificado para melhor. Mas não foi. Continua valendo. Surpreende que a Comissão de Reforma Política constituída por iniciativa do senador José Sarney não tenha sequer discutido o tema. Mas esta é outra questão.

O fato é que as eleições municipais se aproximam e são elas, sem dúvida, uma prévia da sucessão presidencial de 2014. Três capitais são extremamente importantes: Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Isso aumenta a dimensão de tais disputas. No Rio, como partido, o PT tem se mostrado mais fraco que o PMDB. Mas no momento não sei. A candidatura Lindberg é forte. Pode ser batido por Eduardo Paes, mas é mais sólida que os outros nomes que tentam decolar: Andréa Gouveia Vieira e Otávio Leite, ambos do PSDB.

Como no samba antigo, vai sobrar um. Derrotado em 2008 para prefeito, numa eleição que jogou fora ao menosprezar os suburbanos, batido disparado por Sérgio Cabral no ano passado, Fernando Gabeira parece ter ingressado numa face de crepúsculo, da qual somente poderá sair disputando uma cadeira de deputado daqui a três anos.

Dificilmente surgirá um terceiro nome. Foi aventado o de Carlos Minc, por Sérgio Cabral, para vice de Paes no lugar de Moniz Sodré, mas depois recuou. Prefere que o ex-ministro do Meio Ambiente seja o vice de Pezão nas eleições para o Palácio Guanabara. Vamos ver.

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