Efeito da crise: Novas contratações têm salários 10,7% menores

Aline Salgado
O Dia

Assim como a lei do mercado, segundo a qual quanto maior a oferta menor é o preço, existe a lógica do emprego. Com o avanço da desocupação, aumentou a diferença entre as remunerações de profissionais desligados e de contratados.

Segundo levantamento da Catho Fipe, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (Caged/MTE), em maio, as empresas admitiram profissionais com salários 10,7% mais baixos do que os pagos a ex-empregados.

Embora a diferença seja normal, a margem é bem superior a de anos anteriores. Como a de 2013, quando era de 6%. “Esse movimento de piora nos salários e na pressão salarial é consistente com o cenário mais adverso da economia e do mercado de trabalho. E a tendência é de piora no desemprego nos próximos meses”, afirma o economista da Catho Fipe Raone Costa, que prevê novo avanço da desocupação em junho, para 6,8%.

Em maio, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre) medida pela Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PME/IBGE) chegou aos 6,7% — a maior para o mês desde 2010 (-7,5%). O patamar também é bem superior ao observado em igual período do ano passado, quando o desemprego aumentara 4,9%.

Em números reais, a população desocupada cresceu 38,5% em 12 meses, ou mais 454 mil pessoas. Ao todo, em maio, 1.633 milhão de profissionais foram contados pelo IBGE como desempregados. Mais atualizado e com dados recolhidos apenas no mercado formal, o Caged mostrou, até maio, saldo negativo de 243 mil vagas no ano.

DIFERENÇA AMPLIADA

O economista da Catho Fipe salienta que o aumento da diferença entre os salários de admitidos e demitidos passou a crescer de maneira mais forte a partir de maio do ano passado, quando os recém-contratados recebiam 7,7% menos do que os desligados. “Indústria de transformação, construção civil e extrativa são as atividades em que a diferença salarial é maior. Já no comércio e nos serviços, as remunerações estão mais próximas”, observa Costa.

Na análise mensal, o salário médio de admissão registrou queda de 1,6% em maio, na comparação livre de efeitos inflacionários com maio do ano passado, segundo levantamento feito pela Catho Fipe.

(matéria enviada pelo comentarista Guilherme Almeida)

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