Reforma melhorará a economia, mas efeito no crescimento não será nem notado

Resultado de imagem para recessao charges

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Rosana Hessel
Correio Braziliense

A aprovação da reforma da Previdência pode dar um novo impulso à combalida economia. O impacto não será imediato na recuperação do crescimento, porém, vai ajudar na retomada da confiança se a redução das despesas for realmente robusta. Mas, apesar da ampla margem da vitória do governo na votação, a economia efetiva com as mudanças das regras no sistema de aposentadorias pode ficar abaixo do inicialmente previsto e até mesmo próxima à da proposta do então presidente Michel Temer.

Pelas contas de analistas da Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado Federal, o impacto fiscal apenas no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), dos trabalhadores do setor privado, e do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), dos servidores civis, será de R$ 744 bilhões.

DIFERENÇA – Esse valor é inferior à economia prevista pelo relator da PEC da Previdência, o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), de R$ 824 bilhões apenas nessas duas rubricas. O dado que consta no relatório aprovado na Comissão Especial considera uma economia de R$ 688 bilhões, para o RGPS, e de R$ 136 bilhões, para o RPPS. Com isso, há uma diferença contábil de 9,7% em relação aos R$ 744 bilhões estimados pela IFI, que é otimista.

Nas contas da entidade, são considerados os dados do substitutivo à proposta de emenda à Constituição (PEC), apresentado em 13 de junho, que previa economia de R$ 987 bilhões nesses dois regimes. Logo, há uma diferença de R$ 163 bilhões que ainda não entrou na conta e que, quando for considerada, provocará um risco de o impacto final da reforma apenas no RGPS e no RPPS ficar abaixo de R$ 700 bilhões.

De acordo com as notas técnicas dos economistas Alessandro Ribeiro de Carvalho Casalecchi, Rodrigo Octávio Orair e Pedro Henrique Oliveira de Souza, no caso do RGPS, seria de R$ 567,4 bilhões, ou seja, uma redução de 17,5% em relação aos R$ 688 bilhões estimados no texto-base aprovado na Comissão Especial.

SERVIDORES – No RPPS, dos servidores públicos civis, a redução de despesa em 10 anos, por exemplo, seria de R$ 66,8 bilhões. A PEC original, enviada pelo Executivo, previa economia de R$ 155,4 bilhões em 10 anos. Já o substitutivo de 13 de junho, de R$ 120,6 bilhões.

“Quanto às modificações posteriores ao substitutivo de junho, ainda não fizemos os cálculos, porque é preciso realizar novas simulações a cada mudança nas regras”, explicou Alessandro Ribeiro. Ele contou que os cenários considerados foram as regras atuais vigentes, a PEC no formato original e o substitutivo, que não mudaram as medidas propostas na reforma para os servidores civis da União.

O texto-base, aprovado nesta quarta-feira (10/7) por 379 deputados, possui ao menos 16 destaques e emendas aglutinativas que ainda precisarão ser votados. Uma delas, do Podemos, prevê afrouxamento das regras para policiais, e, se for aprovada, a tendência é de frustração na robustez da economia da reforma.

DISCREPÂNCIA – O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, demonstrou preocupação com a discrepância entre os dados do impacto fiscal do governo e dos apontados pela IFI, que tem uma equipe de economistas respeitada pelo mercado e não costuma errar nos números.

“Ainda é cedo para sabermos exatamente qual será a verdadeira economia da reforma. Mas, se ela ficar abaixo de R$ 700 bilhões, será decepcionante. Se isso acontecer realmente, a reforma ficará parecendo um puxadinho que não será muito bem-aceito pelo mercado”, alertou.

“O governo vai ter de trabalhar com mais força em outras fontes de receitas para melhorar o fiscal, como concessões. Além disso, terá de se esforçar muito para reduzir despesas e adotar mais medidas de controle de gastos”. Para ele, a aprovação do Pacto Federativo e uma nova discussão de reforma da Previdência dos estados e dos municípios seriam favoráveis para melhorar o impacto nas contas públicas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Logo a reforma estará aprovada no Senado, o país não sentirá nenhuma diferença. Continuará nessa brutal crise econômica, e seja o que Deus quiser. (C.N.)

7 thoughts on “Reforma melhorará a economia, mas efeito no crescimento não será nem notado

  1. Essa reforma, para ter resultado econômico, deveria deixar claro que todos os privilégios foram extintos. Não é o que está acontecendo. A “desidratação” está sendo aplicada ferozmente pelos representantes das corporações e o que vai resultar é aquele desejo do Paulinho da Força: uma reforma “meia-boca” para prejudicar o governo atual.

    Com as outras reformas será o mesmo: garantia de privilégios às custas do dinheiro do povo! É o programa do Centrão e seus eventuais aliados comuno-petistas sob a liderança dessa figura grotesca apelidada de Nhonho.

    Para aqueles que tiveram alguma esperança, a triste realidade é essa: O sonho acabou!

  2. A crise não é econômica.

    É demográfica.

    Em plena revolução industrial nossa população saiu de 10 milhões em 1900 para 209 milhões em 2019. 21 vezes mais.

    Os EUA tinham 90 milhões em 1900, hoje tem menos de 4 vezes este número, eles são 350 milhões.

    Não existe como absorver nem metade da mão de obra ociosa do Brasil.

    Estas pessoas dificilmente serão incluídas no mercado de consumo. Nem os seus filhos o serão.

  3. 1. A Oxford University foi fundada no seculo 12 e a Cambridge University no meado do século XIII.
    The Royal Society, a primeira sociedade de ciència no mundo, foi criada em Novembro de 1660. Sir Isaac Newton presidiu essa sociedade de 1703 a 1727 (a Newton devemos o Cálculo Diferencial e Integral, leis físicas do movimento, e estudos sobre a natureza da luz entre outros feitos, como a lei de gravitação universal!). E foi na Inglaterra que começou a Revolução Industrial por volta de 1760.
    Dessa Inglaterra sairam os Pilgrims para os Estados Unidos e lá chegaram em 1620. Dezesseis anos após a chegada dos Pilgrims, em 1636, a Harvard University foi fundada, , e logo após nove outras.
    Desse pote rico em cultura, ciência e engenharia surgiu o povo americano. Um dos fundadores da nação americana, Benjamin Franklin, era reconhecido como grande cientista nos círculos europeus naquela época.
    2. Retrato 3/4 do Brasil: Em 1500 os portugueses nos descobriram e só em 1816 Dom João VI, protegido por esquadra inglesa, chegou ao Brasil em fuga da perseguição francesa.
    No final do século 17, funcionava, em Salvador, duas instituições de ensino superior. O Colégio dos Jesuítas, para a formação de sacerdotes e bacharéis em Artes, e a Aula de Fortificação e Artilharia, para a formação de engenheiros militares.
    Nessa época, nossos cérebros deixavam o país para se diplomarem em poesia ou em direito em Coimbra! Houve outras áreas, mas a literatura foi a predominante.
    3. Conclusão: os americanos dominam a Engenharia, Ciència, Literatura, Arquitetura, e são os criadores das maiores inovações tecnológicas atuais.
    Nós somos religiosos retrógrados, não inventamos nada (não me venham com Santos Dumont que os americanos tèm os Wright brothers) e ainda festejamos os poetas que nada contribuiram para a formação de um país robusto e avançado.
    E ainda para coroar a inutilidade há uma secção na TI que publica versinhos! (minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá… ai, ai, é de fazer chorar!)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *