Egos e traições na equipe econômica agitam os bastidores do governo

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Meirelles e Dyogo Oliveira em rota de colisão

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O que é a vaidade humana. Bastou a possibilidade de Michel Temer ser substituído pelo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), na Presidência da República, para que uma guerra de egos tomasse conta da equipe econômica. Gente graúda dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, que, até então, convivia civilizadamente, passou a bater cabeça tentando permanecer no cargo ou mesmo galgar funções de maior destaque.

Toda a disputa está correndo de forma velada, mas, nos bastidores, é possível identificar os focos de tensão, com grupos plantando notícias uns contra os outros. A onda de veneno abrange, inclusive, os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento). Uns dizem que, num eventual governo de Rodrigo Maia, o chefe da Fazenda seria mantido no cargo. Já Dyogo seria substituído por Mansueto Almeida, atual secretário de Acompanhamento Econômico.

OUTRA VERSÃO – Outros afirmam que Meirelles não terá nenhuma chance num eventual governo Maia, pois o atual presidente da Câmara dos Deputados considera que o chefe da equipe econômica tem ideias ultrapassadas. Dyogo, no entanto, seria preservado no Planejamento com o apoio do senador Romero Jucá (PMDB-RR). Pessoas ligadas a Meirelles e a Dyogo garantem que os dois não estão trabalhando com a hipótese de mudança de governo. E que têm procurado atuar juntos na elaboração de medidas para tirar o país do atoleiro em que se encontra.

Tanto na Fazenda quanto no Planejamento se admite que Meirelles e Dyogo nunca foram próximos. No início do governo Temer, os dois trombaram muito. Mas, ao longo do tempo, foram acertando os ponteiros. “Eles têm conversado muito, afinando as ideias em torno de decisões tomadas pelo governo”, diz um ministro com trânsito no Palácio do Planalto.

Para comprovar essa boa convivência, ele conta que, nesta semana, Meirelles ligou para Dyogo afim de acertarem a resposta a ser dada ao Tribunal de Contas da União (TCU), que alertou sobre o risco de o governo estourar a meta de superavit primário deste ano, de deficit de até R$ 139 bilhões.

BRIGAS HISTÓRICAS – Disputas entre os ministérios da Fazenda e do Planejamento são históricas. Mas chama a atenção o intenso tiroteio travado nas últimas semanas. “Tem havido muita briga”, reconhece um técnico da Fazenda. “Mas não se trata de uma luta por sobrevivência se houver troca de governo. A disputa é por ideias, o que é saudável”, minimiza. Um alto funcionário do Planejamento reclama que todos se referem à equipe de Meirelles como genial, mas, na verdade, a Fazenda pouco tem formulado. As principais medidas adotadas pelo governo têm saído do time comandado por Dyogo.

“O problema é que a equipe do Planejamento não faz barulho”, assinala um técnico. “Mas quando uma medida que tomamos dá certo, a Fazenda sempre colhe os louros”, acrescenta. Ele cita o caso da liberação de recursos das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Enquanto o assunto esteve em discussão, a equipe de Meirelles a bombardeou o quanto pôde. A partir do momento que Temer comprou a ideia, até para criar fatos positivos para o governo, não faltaram pais e mães da medida.

SINAIS DE TRAIÇÃO – Dentro do Planalto, auxiliares do presidente dizem que alguns sinais de traição já foram anotados. “Foi incrível ver as notícias sobre a permanência da equipe econômica num eventual governo de Rodrigo Maia. Sabemos quem se apresentou para permanecer no cargo se houvesse troca no Planalto”, destaca um assessor de Temer.

Para ele, é importante deixar claro que lealdade é tudo para o chefe do Executivo. “Temos noção de todos os que estão com o governo. Esses permanecerão nos cargos que ocupam. Já os traidores sabem o que o destino lhes reserva”, avisa.

2 thoughts on “Egos e traições na equipe econômica agitam os bastidores do governo

  1. Vicente Nunes, O nosso grande Hélio Fernandes cunhou uma verdade: “Todos economistas deviam ser condenados a prisão perpétua e imediatamente fuzilados”. Teorizam como se fossem uma fábrica de ideias. As ideias parece ficarem em uma prateleira. Tem para todos os gostos. Se der certo palmas e purpurinas, se não der foi o clima, a crise externa, os preço das commodities que diminuiram muito. As desculpas sempre estão na ponta da língua. Temos dois exemplos, Roberto Campos e Delfim Moreira. Ponham na balança o que disseram e se concretizou. Aqui ali adivinharam. O resto foi um fracasso rotundo permeado com corrupção e serviço à banca internacional.

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