Eleições reforçam a democracia, mas também deixam no ar um sentimento de desânimo

TRIBUNA DA INTERNET | Dizer que existe democracia no Brasil é uma enganação surrealista

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Em uma cidade da importância do Rio de Janeiro, foi triste assistir a uma eleição entre dois políticos de terceira categoria, como Marcelo Crivella e Eduardo Paes. Como se dizia antigamente, “um pelo outro, eu não quero troca!”, porque nenhum deles merecia voltar a exercer o cargo.

Em comparação com as “administrações” e os “legados” de Paes e Crivella, as obras do prefeito Cesar Maia trazem saudade aos cariocas. É bom lembrar que ele deixou R$ 1,3 bilhão em caixa ao transmitir o cargo, enquanto Paes legou R$ 506 milhões em dívidas reconhecidas pela Controladoria-Geral do Município, e Crivella agora deixará os servidores sem décimo terceiro salário.

UM PAÍS ENDIVIDADO – No resto do país, o panorama visto da ponte é semelhante, com as prefeituras atulhadas em dívidas, assim como os Estados e a União.  

Os dados do Tesouro Nacional sobre o endividamento do governo federal são impressionantes. Já chegou a 4,6 trilhões de reais, e uma parcela de 27% vence a curto prazo, em setembro de 2021.

Detalhe importantíssimo: esses R$ 4,6 trilhões não incluem as dívidas dos Estados e Municípios, o que eleva o total para R$ 6,4 trilhões, já ultrapassando o PIB, cujo montante hoje atinge R$ 6,3 trilhões.

RECORDE HISTÓRICO – Em recente artigo, Pedro do Coutto apontou aqui na TI que o governo vem emitindo novos títulos para financiar o déficit orçamentário, causado por despesas que ultrapassam os totais de arrecadação. No mês passado o ministro Paulo Guedes bateu todos os recordes, ao emitir títulos públicos no total de 173 bilhões de reais, o maior volume da história.

O presidente Bolsonaro – do alto de sua “ignorância sesquipedal”, como diria o general João Figueiredo – continua achando que o Brasil está no melhor dos mundos e anuncia que o ministro Guedes é “insubstituível”.

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P.S. – Essa é a nossa sinistra realidade nos anos 20 deste século, que são uma espécie de Era do Jazz ao contrário. Justamente por isso, as eleições municipais reforçaram a democracia, mas também deixaram no ar um pesado sentimento de desânimo. (C.N.)

14 thoughts on “Eleições reforçam a democracia, mas também deixam no ar um sentimento de desânimo

  1. Vendo quem foi para o segundo turno nas eleições presidenciais de 2018 e agora na eleição para prefeito do Rio, chego mais uma vez a conclusão de que brasileiro definitivamente não sabe votar! Colocar o “nervosinho” novamente na prefeitura com a chave do cofre foi demais! Em Cuiabá o prefeito reeleito havia sido filmado guardando dinheiro nos bolsos do paletó. O modelo está TODO errado e NINGUÉM de dentro quer que mude minimamente. Até quando o povo e o país aguentarão? Quanto a dívida pública EXPLOSIVA logo em breve criarão novos impostos para cobrir os rombos e deixar tudo como está . Triste realidade a nossa!!!

    • O governo tem que continuar amparando os mais necessitados nesta crise sem precedentes (auxílio emergencial, bolsa família e etc..) e dar crédito às empresas que também estão no “sufoco”. Não há dinheiro então a saída é encaminhar as reformas e pressionar o congresso para aprová-las o quanto antes ou o aumento da carga tributária que estrangulará ainda mais a economia. O certo é fazer outra reforma da previdência (sem mamatas para militares e policiais dessa vez) , fazer uma ampla reforma administrativa que inclua os atuais servidores e vender as estatais deficitárias (privatizações). Bolsonaro não fará isso é jogará o país no limbo!

  2. Esta eleição no Rio de Janeiro, dá no que pensar.
    A “traulitada” foi tão grande, que imaginamos que se a justiça libertasse o Sergio Cabral e o autorizasse a se candidatar, o povo carioca certamente o elegeria, mas com uma votação assim tão consagradora? Quando o próprio povo não se ajuda, a coisa fica difícil. Ou seria a síndrome do arrependimento, por ter votado num governador que não era político, e deu no que deu? E resolveu voltar as origens? A política tem razões que a própria razão desconhece.

  3. No meu modesto entender eu vejo esta eleição, com sua campanha, propaganda, debates e resultados, simplesmente como mais uma sessão de “panem et circus” proporcionada pelo sistema explorador ao seu público cativo.
    Uma eleição, no Brasil, só terá significado de esperança quando o índice de abstenção for 100%.

  4. As eleições no Brasil estão se transformando em um circulo vicioso, onde são eleitos invariavelmente corruptos.
    O sistema eleitoral foi feito com essa intenção, de repetirmos a mesma pantomima a cada dois anos, e nada mudar.

    Manuela e Boulos estiveram quase lá, mas foram derrotados porque fazem parte do mesmo esquema de eleições que nunca vão representar a vontade do povo, pelo fato que as escolhas dos candidatos são previamente definidas, então vota-se no que sobrou.

    O altíssimo índice de abstenções comprova o desgaste do processo eleitoral, e a decepção do povo com a política, sinônimo de roubo e corrupção.

    Evidente que os partidos vibram com as milhões de pessoas que ficaram em casa ou com aqueles que não podiam votar.
    A multa cobrada do eleitor reverte para as quadrilhas que, sempre, e cada vez mais, enriquecem, enquanto o povo empobrece e, cada vez mais, é roubado, explorado e manipulado.

    A cada dois anos, o que se vê nas ruas não é o movimento de um povo que quer votar, mas a procissão em homenagem à morte da esperança, do desenvolvimento, de uma nação decente, que implantou oficialmente a imoralidade, a falta de ética, a corrupção, e a dilapidação de um país que teria as melhores condições do planeta para estar ao lado dos gigantes deste mundo.

  5. A impressão que da, é que a cada dois anos, somos obrigados a escolher o ladrão que vai nos roubar.
    A política é a carteira de identidade do povo. Assim sendo, um diz quem é o outro.

  6. César Maia pode ser lembrado com saudades agora, talvez em vista de seus sucessores, mas em sua última gestão todo mundo dizia que ele só se preocupava em falar de política na internet e tinha deixado a gestão da cidade de lado, e ninguém lamentou quando ele deixou o cargo.

  7. Por piores escolhas que se façam é melhor votar do que não, as eleições são escolas de civismo e o eleitor a cada nova eleição vai aprendendo. Aquele bando de idiotas que se recusa a votar sob alegações diversas, as mais absurdas possíveis são inimigos declarados da democracia. Não é se recusando a opinar, a escolher que a realidade muda, é optando mesmo que nem sempre seja pelo melhor.

  8. Ímpio,

    Assim escreveste:

    “Por piores escolhas que se façam é melhor votar do que não, as eleições são escolas de civismo e o eleitor a cada nova eleição vai aprendendo. Aquele bando de idiotas que se recusa a votar sob alegações diversas, as mais absurdas possíveis são inimigos declarados da democracia.”

    Gosto dos teus comentários.
    Escreves bem, com propriedade, expões muito bem as tuas ideias, logo, és um bom comentarista.

    Mas, mesmo para os bons, existem os textos ruins, sem inspiração, sem que fossem refletidos antes de suas publicações; é o caso deste teu recado, que citei parte acima.

    Democracia se entende como liberdade sem imposições.
    Claro, existem normas, regras, leis, deveres, mas temos o direito inalienável de optar, escolher.
    Um deles, votar se a pessoa quiser, e não ser obrigada!

    Justamente essa determinação legal de se votar é antidemocrática, razão pela qual tanta corrupção no processo eleitoral, e tantos eleitos desonestos e incompetentes.

    A tua afirmação que, as “eleições são escolas de civismo”, respeitosamente digo que o povo não tem passado de ano, tem sido reprovado, inexoravelmente:
    São Paulo, se pudesse não elegeria Covas;
    Rio, da mesma forma, não teria eleito Paes;
    Porto Alegre teria optado por outro, e não o Melo.

    Vota-se no resto, naquele que, em tese, seria contra algum movimento, principalmente o fantasma do comunismo ou ameaça do socialismo.
    Interessante e curiosamente, os democratas e capitalistas que nos têm roubado, explorado e manipulado; têm sido eles que condenam mais brasileiros à miséria e à pobreza a cada ano, e transformaram o Brasil em feudos, pois os poderes agora são castas, ao lado das elites e sistema financeiro.

    Votar para quê?!
    Quem conseguirá desmontar o sistema, que há anos extorque o cidadão e o deixa abandonado à própria sorte?
    A cédula jamais modificará o stablishment, o status quo, pois as leis e o poder judiciário existem para se proteger e dar guarida aos outros dois, legislativo e executivo.

    Ímpio, não és capaz de mencionar um presidente que tivemos e que teria mais elogios que críticas. Não consegues, aliás, nenhum de nós!

    O que me dizes das inúteis assembleias e câmaras municipais?
    E do antro de venais, vulgo congresso nacional?
    O voto mudou o comportamento traiçoeiro, desonesto e corrupto, de deputados e senadores?
    Nada!

    Pois esta pantomima denominada eleição, apenas nos quer como figurantes de um enredo previamente estabelecido:
    Votemos em quem for e o país continuará o mesmo; o povo mais abandonado; o roubo mais incrementado; as castas com mais direitos e salários milionários; o escárnio com as nossas dificuldades mais escancarado; o desprezo pela vida dos cidadãos é crime lesa-pátria!

    Ímpio, a única escola que ensina, que aperfeiçoa, que nos dá condições de mudar o Brasil e de forma absoluta, nossos governantes nos impedem de frequentar, a do ensino e educação.
    Quanto mais pobres e miseráveis, desempregados, analfabetos, incultos e incautos, violência, saúde precária, os poderes se lambem, entram em êxtase, pois têm plena consciência que o povo jamais vai impedi-los de realizar suas intenções, de conquistar seus objetivos, que seria locupletarem-se às nossas custas!

    Não votar é um direito que “democraticamente” nos roubaram, pois a função do povo é alimentar uma caldeira que sequer água esquenta, ultrapassada, inútil, que deveria ser substituída há muito tempo, nem que fosse derrubada pela força.

    Enfim, quem se recusa a votar não é um bando de idiotas, como tu classificaste injustamente. No entanto, afirmo convictamente que, os críticos da liberdade individual, do meu direito de ir e vir, de sair de casa para votar é impedir que eu tenha essa condição CONSTITUCIONAL ser exercida.

    Logo, pessoas que repudiam o direito das demais em não votar, carecem de maiores visões a respeito, em consequência, negam a si mesmas condições que reclamarão no futuro!

    Por outro lado, o voto não me CONCEDE cidadania, Ímpio.
    Basta ser humano, que ninguém poderá negar que a pessoa não seja uma cidadã.
    E ela ratifica o seu direito não pelo voto, mas porque paga impostos; pelo fato de que sustenta as castas, elites, e possibilita lucros escorchantes aos bancos!

    Qualquer candidato não merece que eu saia de casa para votar!
    Não merece o meu tempo perdido à espera do meu “sufrágio”.
    Prefiro assistir a Rede Globo e o programa do Faustão ou brindar aos comentaristas políticos da emissora, que abordam temas que os seguidores de Bolsonaro detestam.

    Mas, é mais produtivo e útil, do que eu sair do conforto do meu lar para manter o que está decidido antecipadamente, fazer parte deste teatro mambembe, péssimo, e aplaudir atores canastrões.

    Sim, Ímpio, não sou idiota.

  9. Vamos sintetizar nossa democracia, aqui na República Tabajara que vivemos:

    a) não pode existir candidato avulso, sem partido político, a lei não permite;

    b) os partidos políticos colocam corruptos como candidatos;

    c) o povo não tem alternativa, é obrigado a votar em corruptos;

    d) corruptos são eleitos, elaboram a aprovam leis que protegem a corrupção e seus agentes;

    e) corruptos, eleitos, nomeiam juízes para os Tribunais Superiores;

    f) esses juízes nomeados pelos corruptos, em ação contínua de reconhecimento e gratidão, passam a proteger a corrupção e os corruptos, mantendo-os impunes, graciosamente ou não;

    g) o cidadão decente, aquele que foi obrigado a votar nos corruptos selecionados pelos partidos políticos, apenas paga elevada carga tributária e mantém o esgoto em volume crescente.

    Por mais que queira, não consigo esquecer a frase do republicano Ruy Barbosa, 25 anos após o regime republicano intalado no país, ao se referir a atuação de Pedro II e a monarquia que o Brasil vivia:

    “… o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas.”

    Hoje “as carreiras políticas” aceitam os imundos corruptos de braços abertos.

    Peço desculpas ao Carlos Newtons e aos demais comentaristas, porém, o que escrevi não é um desabafo e sim o que vi e assisti em quase 80 anos de vida.

    As quadrilhas que se instalaram no poder após a transferência da capital para Brasília me levaram a perder a esperança no futuro do Brasil.

    • Boa noite, Celso, li teu excelente comentário até chegar no último parágrafo, onde finalmente te revelastes, a velha mágoa de Brasília.
      Acredito que ainda um dia hás de confessar o que aconteceu com você nos idos de 1960.
      Não posso deixar de te lembrar que 97% dos políticos aqui são provenientes de outros estados e a maioria daquele paraíso de paz e justiça social do Rio de Janeiro.
      Boa Noite

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