Eleitores ainda não têm opção definida

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha – muito boa – publicada pelo FSP de 3 de abril e descoberta pela Elena, minha mulher, antes que eu percebesse, revela bem o grau de indefinição que ainda envolve o eleitorado em torno da sucessão presidencial deste ano. A pesquisa procurou dividir as qualidades e defeitos de José Serra e Dilma Roussef no quadro inicial da disputa que reflete nas intenções de voto.

Antes porém de entrarmos no assunto, vamos relembrar o mais recente levantamento do Datafolha que apontou 36 por cento para Serra, 27 pontos para Dilma Roussef, 11 para Ciro Gomes e 8 por cento para Marina Silva. Os votos nominais somam 82 por cento. Logo, a faixa de 18 por cento reúne os indecisos e os que vão votar em branco ou anular o voto. Muito alta ainda esta faixa, no final da campanha cai para 7 ou 8 pontos. É sempre assim. Mas este é um outro tema. A questão principal é que 47 por cento dos que estão dispostos a votar em Serra disseram ao Datafolha desconhecer as qualidades do ex-governador, embora seja ele, nome de sua preferência.

Em relação a Dilma Roussef, 61 por cento do que a escolhem sustentam igualmente desconhecer suas qualidades. Em matéria de identificação de defeitos, 63 por cento acham que Serra não conhece os problemas do país. Em relação à chefe da Casa Civil, aliás, ex-chefe, esta indagação sobe a 71 pontos. Quanto aos defeitos identificados pelo eleitorado entre outros, estes se equivalem e representam percentuais muito baixos na pesquisa.

O que chama mais a atenção e realmente constitui o aspecto mais importante do levantamento é que em ambos os casos os índices de desconhecimento tanto das qualidades quanto dos defeitos supera as taxas de intenção de voto. Eis as provas apresentadas pelo Datafolha: 47 por cento ignoram as qualidades de Serra, mas mesmo assim, hoje 36 por cento dispõem-se a votar nele. Sessenta e um por cento desconhecem as qualidades de Dilma Roussef. Porém 27 por cento a escolhem como candidata. Logo, fica patenteada a força maior de emoção que da razão. As qualidades e os defeitos podem se tornar decisivos, mas predomina a emoção. Uma vantagem evidente em favor de Dilma Roussef que recebe apoio de Lula. E Lula, com uma aprovação de 76 pontos contra uma rejeição de apenas 4, sintetiza e interpreta muito mais a emoção do que a razão.

O levantamento demonstra indiretamente que é muito mais fácil transferir a emoção do que motivar pela razão. Não é apenas esta, entretanto, a vantagem de Lula que passe à Dilma Roussef: existe também a questão de política salarial. Infinitamente melhor do que a de Fernando Henrique Cardoso. Com Lula, os salários pelo menos empatam com a inflação. Na era FHC perdiam disparado. Este aspecto é pouco lembrado pelos cientistas políticos quando comparam a administração do PSDB com a do PT. Os trabalhadores foram torturados pela política trabalhista de FHC. Nada mais importante do que o salário para a vida humana. É preciso igualmente não esquecer que os padrões das classes de renda baixa evoluíram. Estavam estagnados de 95 a 2003. Uma parte substancial da emoção passa por aí. Por isso altos índices de desconhecimento dos candidatos pesa pouco. A emoção, esta sim, pesa muito.

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