Eles não sentem piedade de nós

 
Jorge Béja

14 DE JANEIRO DE 1996 –  Neste dia, a comerciária Cleusa de Oliveira, 39 anos, foi levada por populares ao Hospital Padre Olivério Kremer, em Realengo, subúrbio do Rio, após ter sido encontrada caída na rua, com fortes dores no peito e sem força para caminhar. Carregada, chegou ao hospital às 21 horas. Mas não passou da porta de entrada, onde permaneceu deitada num banco de cimento. Uma hora e meia depois de agonizar, morreu ali mesmo. O relógio marcava 22 horas e 30 minutos.

Foram inúteis os apelos, os gritos, a revolta das pessoas que se agrupavam perto de Cleusa. Uns à espera de atendimento. E todos clamando  para que os médicos socorressem Cleusa. Quase derrubaram as grades da portaria, que estavam fechadas.Os médicos não a socorreram. “Estamos em greve“, ouvia-se dizer as vozes do pessoal vestido de branco e que vinham lá de dentro do hospital. Era o que também se lia nas faixas esticadas na portaria. Por causa da greve, equipes de televisão estavam presentes à porta do Olivério Kremer. Tudo foi flagrado pelas câmeras, desde a chegada até Cleusa morrer e  exibido nos noticiários do dia seguinte.
O PROCESSO JUDICIAL

Cleusa deixou apenas um filho de 14 anos. Posto sob a tutela da tia, o menino deu entrada na Justiça com ação indenizatória contra o Estado do Rio de Janeiro. Em fevereiro de 1997 veio a sentença impondo ao Estado-réu a obrigação do pagamento de pensão e dano moral ao filho. E paralelamente, o Promotor de Justiça ofereceu denúncia contra 5 médicos plantonistas, acusados pelo Ministério Público como autores de homicídio (artigo 121 do Código Penal). Ouvido a respeito da condenação do Estado, o então governador Marcelo Alencar declarou à Folha de São Paulo: “O Estado vai recorrer”. De minha parte e como advogado da causa e também procurado pelos jornalistas, respondi: “O Estado se recorrer vai perder novamente”. O Estado recorreu e perdeu. O Tribunal de Justiça manteve integralmente a Sentença da 1ª instância. Da parte do Estado, houve uma só mudança: trocaram o nome do hospital que passou a chamar Hospital Albert Schweiter. Nada mais.

NADA MUDOU. PIOROU, ATÉ.

2 DE JUNHO DE 2014 –  Foi anteontem. O fotógrafo Luiz Cláudio Marigo, 63 anos, saiu de casa para caminhar no Aterro do Flamengo. Ao voltar para casa de ônibus, sentiu fortes dores no peito dentro do coletivo (linha 422, Grajaú-Cosme Velho). Sem perder tempo, o motorista Amarildo, imediatamente, parou o ônibus na porta do Instituto Nacional de Cardiologia  (INC)e pediu que socorressem aquele passageiro. Amarildo — e mais gente com ele — todos imploraram socorro, justamente na instituição pública federal especializada em cardiologia. No entanto, como noticiam os jornais de ontem e de hoje, Luiz Cláudio “não recebeu qualquer cuidado dos médicos do instituto… após dez minutos de espera, ele foi atendido pela equipe de uma ambulância que chegava ao instituto. Só meia hora depois à parada do ônibus é que bombeiros do Samu chegaram para prestar socorro. Eles tentaram, em vão, reanimar o fotógrafo por 40 minutos… Além de a unidade de saúde não ter serviço de emergência, os profissionais de saúde estavam em greve” (O Globo, edição de hoje, 4.6.2014, p. 12/13).

SEM DESCULPAS, SEM JUSTIFICATIVAS

Não existe motivo algum, minimamente plausível, para que Luiz Cláudio não fosse socorrido pelo INC. Imediata e eficazmente socorrido. Dizer que lá não existe serviço de emergência é de um cinismo sem igual e repugnante. Tem, sim. E tem muito mais que uma emergência. Tem um serviço completo e moderno e que as emergências não têm. Tem médicos e pessoal especializado. Tem equipamentos e tecnologia avançadas e específicas para prestar todo tipo de socorro aos cardíacos. Mais ainda àquele que está com a vida por um fio, agonizante, caído no chão de um ônibus parado na porta do INC e com o coração quase parando. Até que parou de bater.

No que diz respeito à greve, subscrevo o editorial de hoje do O Globo: “HOMICÍDIO – A SAÚDE é um serviço essencial, regido por normas em caso de greve, a fim de que, em hipótese alguma, haja risco de vida e a segurança do cidadão.O CONTRÁRIO do que ocorreu no caso do fotógrafo Luiz Claudio Morigo, que morreu num ônibus, em frente ao Instituto Nacional de Cardiologia, devido à falta de atendimento por médicos de braços cruzados. UM TRÁGICO episódio que exige investigação policial séria, para cobrar responsabilidades, inclusive com o possível enquadramento de culpados por homicídio“.
E concluo eu:  Eles não sentem piedade de nós, como não sentiram de Cleuza, da pequena Adrielly, de Luiz Cláudio…..

32 thoughts on “Eles não sentem piedade de nós

  1. Dr. Jorge Béja, essa estória é recorrente. Já aconteceram vários casos como este. A falta de respeito pela vida começa por onde não deveria começar. É triste.

  2. Caro Jornalista,

    Peço licença a todos para republicar um comentário postado aqui em novembro de 2013:

    PASSEI UMA NOITE NO HOSPITAL REGIONAL DA ASA NORTE – BRASÍLIA

    Um lixo!

    Tanto as instalações quanto os funcionários!

    Para que os senhores tenham uma ideia, de frente e a uns três metros dos bancos da sala de espera existem dois banheiros (um masculino e um feminino) formados por um cubículo cada, com uma porta de frente para o vaso sanitário, sem tranca, com os buracos para a instalação das fechaduras precariamente tampados por pedaços de papel higiênico! E para piorar, o feminino nem iluminação tinha! Um desrespeito com as senhoras que frequentam aquele açougue! Vidraças quebradas, provavelmente por algum paciente indignado por ser tratado como bovino.

    Pude ver uma mulher, ao se dirigir para um dos atendentes da recepção, ser menosprezada e tratada com assovios, cantadas e gracejos de desprezo, mesmo depois dela dizer, humildemente, “por gentileza” ao animal, ao pedir uma informação. Era inacreditável a maneira como as pessoas eram tratadas ali. Nem em delegacia se trata tão mal. Só é possível qualificar o nível do atendimento do lugar quem estava presente, pois o maior descaso e a maior agressão, muitas vezes, não são feitas por palavras.

    Pude ver uma enfermeira gritar com os pacientes que “quem não saísse do corredor seria atendido (?) por último”. Parecia que todos daquele lugar estavam apenas fazendo um favor aos doentes; para amenizar os ânimos, elas chamavam cinco pacientes de uma vez do salão de espera e colocava-os em um corredor interno, para dar a ideia aos demais, postados no lado de fora, que estavam sendo atendidos quando, na verdade, apenas foram deslocados para outro ponto de espera, longe dos olhares. Muitos desistiam. Outros diziam que eram tratados como cachorros. Para mim, parecida tratamento dado a presos, já que o lugar era cheio de seguranças de uma empresa pertencente a uma deputada local.

    Pude ver uma médica começar o atendimento, sumir por duas horas, depois reaparecer e sumir novamente às 05h30min… e isto depois de alguns pacientes estarem há mais de 12 horas na espera. E o médico que deveria substituí-la chegar só duas horas depois, mais ignorante do que a médica que veio substituir, gritou com alguns doentes, mandou os acompanhantes de cada paciente saírem da sala e depois sumiu (algumas senhoras presentes diziam que havia um recinto para tirar uma “pestana”…). Pessoalmente, eu acho que foi embora.
    Pude ver mulheres gritando, indignadas, e doentes espalhados nos corredores sobre macas.

    No nascer do dia chegaram os funcionários da empresa de limpeza jogando água no cômodo de espera, obrigando os presentes a saírem do prédio para não serem molhados. Felizmente não estava chovendo. Em seguida, um drogado morador de rua entrou no ambiente e começou a gritar e a importunar os pacientes, sob o olhar imparcial dos seguranças que, pela forma que se dirigiu a eles, já era velho conhecido do lugar.

    Lá pelas 08:00 horas da manhã, ao sairmos daquele lugar, passamos em frente ao suntuoso estádio Mané Garrincha! Coisa linda! Realmente um feito do primeiro mundo.

    Hoje digo, tranquilamente, que naquela noite os doentes não foram tratados por médicos ou enfermeiros. Foram tratados por animais travestidos de seres humanos! Se tivessem ido a um hospital veterinário, teriam sido melhor atendidos.

    E pensar que o governador é (ou era, ou foi) médico!

    Abraços.

    PS: O Brasil real não é aquele que as pessoas que compartilham este espaço moram.
    O Brasil real é um lugar bem mais terrível! Sem lei, sem regras, sem dentistas, sem médicos, sem educação, sem segurança, sem transporte, sem direitos… Uma verdadeira “Idade Média”, “Idade das Sombras.”

    O Brasil real tem apenas três coisas: Igreja, futebol e álcool.

    “Todos Juntos, vamos! Prá frente Brasil, Brasil! Salve a Seleção…”

  3. Por isso é importante importarmos medicos que tenham mais compromisso com o juramento de hipocrates do que abrirmis vagas para medicos que tenham compromissos com o juramento do hipocrita presidente da CFM.

    • Importar curandeiros de Cuba? Esta é a solução do PT? Se o dinheiro usado e roubado pelos bandidos mensaleiros, os julgados e presos e aqueles que ainda estão soltos, como o bandido maior, Lulla o barba, traidor dos “cumpanheiros” fosse usado para a saúde e a educação certamente não teríamos que ler este tipo de notícia.

  4. Esse é o retrato dessa “República Socialista Sindicalista Cleptômana” que assola o país. Estamos sem comando, e a greve foi o passo para eles chegarem ao poder e perpetuarem a corrupção e a incompetência como lema, atos e fatos deste desgoverno ! A bastilha tem que cair em todos sentidos, formas, caminhos, e direções, nada pode sobrar, nem o “capo de voz gutural e cínico por natureza” e sua ventríloqua “antalógica” !!!!! As ruas nos esperam !

  5. Dr. Béja,
    Certamente as três mais importantes áreas que qualquer governo decente deveria se preocupar são:
    Educação, Saúde e Segurança.
    No governo petista, com seus desmandos e descalabros no Brasil há doze anos, temos nesses segmentos os resultados seguintes:
    Educação, aumento do analfabetismo;
    Saúde, os episódios mencionados pelo senhor e comentarista Francisco Vieira, somados às mortes em filas e à espera de atendimento médico e hospitalar, constata-se pesarosamente o descaso à vida do cidadão brasileiro pelo PT;
    Segurança, os números anuais de mortes por homicídios, chacinas, latrocínios, tráfico de drogas e armas, combates entre facções, milícias, assassinatos por encomendas, artingem números muito acima de qualquer revolução ou guerra existente agora na face da Terra, desde o advento do PT ao poder.
    E se eu agregar os acidentes de trânsito, que atingem índices aterradores, algo em torno de quase CINQUENTA MIL MORTOS POR ANO, o Brasil petista apresenta mais mortos que durante os quatro anos de guerra na Síria, em um ano apenas!!!
    O difícil de suportar é que tais cenas deprimentes como as que foram narradas pelo Dr.Béja e Francisco Vieira, se misturarão com outros acontecimentos tão revoltantes quanto estes e, em seguida, sem que as providências sejam efetivamente levadas a efeito para pelo menos minorar esta gravíssima situação nessas áreas mencionadas.
    Os médicos cubanos que foram contratados demagogicamente, e que muitos estão abandonando as suas funções, dão conta que, em certos locais para onde foram designados não há o que fazer pela total falta de estrutura!
    Em compensação, eis a Copa, em solo brasileiro.
    E haverá as Olimpíadas, também dentro de dois anos.
    E, nesse meio tempo, quantos casos escabrosos como esses teremos relatados neste espaço democrático?
    Mas dinheiro tem para Cuba, e prejuízos são dados à Petrobrás;
    A carga tributária continua a mais alta do mundo, e os juros e taxas bancárias verdadeiras extorsões;
    Leis são criadas para extinguir a democracia, e fortunas são jogas fora com a construção de estádios em cidades onde não tem times de futebol e torcida suficientes para frequentá-los durante o ano.
    Renovação geral nessas eleições. venho solicitando há tempos.
    Obrigado, Dr. Béja, por mais este artigo esclarecedor e, agora, sobre a Saúde.

  6. EM TEMPO:

    Senhores, me esqueci de dizer que os exames dos pacientes não puderam ser impressos for falta de tinta na impressora! Pude ver um exame impresso e constatei que estava ilegível.
    O QUE É UM MÍSERO CARTUCHO DE IMPRESSORA para um país que cobra tanto da população?

    bem… Pra fala a verdade, não sei se realmente faltava cartucho no hospital ou se era preguiça dos “dedicados funcionários” em trocar o que estava na máquina!

  7. Perfeito e completo o seu comentário, caríssimo Francisco Bendl. Uma sinopse do quadro geral em que vivemos. Obrigado por ter lido e comentado o artigo, que tanto me doeu escrever, porque, como advogado da causa consequente à morte de Cleusa, acompanhei de perto o desespero e a revolta da família e vizinhos, que absorvi e dediquei-me graciosamente.
    Jorge Béja

    • Senhor Márcio de Oliveira, encareço, peço e rogo que seus comentários sejam à altura da sua pessoa, dos articulistas, comentaristas e leitores, dentre estes últimos, a honrosa atenção do Papa Francisco, leitor do nosso blog. Não empregue palavras chulas, não ofenda, não magoe…Márcio é leitor do nosso blog. Escreva um artigo, transmita seus conhecimentos, ajude o outro, estenda a mão, goste do seu próximo…Márcio é pessoa importante, que sabe pensar, viver, amar e ser amado. Não fique aborrecido. Somo 68 de idade e falo a um filho.
      Gratíssimo.
      Jorge

      • Este meu apelo foi porque o prezado leitor Márcio havia escrito uma palavra de baixo calão, ofensiva a outro comentarista, Francisco de Assis. Um xingamento. Reparo, agora, que a palavra de baixo calão desapareceu da curta frase-resposta. Para que meu apelo não fique solto, gracioso, sem causa, peço a editoria do blog que esclareça a respeito do desaparecimento do palavrão que agora não se lê mais.
        Grato,
        Jorge

          • Dr. Béja,

            Como se trata de um novo comentarista, que não conhece direito o funcionamento do Blog, “amaciei” suas críticas e deletei uma de suas mensagens, na esperança de que ele possa participar dos debates aqui, sem ofender ninguém.

            Abs.

            CN

          • O CN não retirou o xingamento, está lá: “petista”. Não é um atentado à dignidade de qualquer pessoa decente ser chamado de petista?

  8. Na faculdade de Medicina, uma professora de anatomia nos contou abertamente que precisou ligar diretamente para o secretário de saúde do Estado, que era conhecido dela, para que o seu irmão fosse atendido em um hospital público especializado. Caso sua irmãzinha não fosse influente e bem relacionada, o sujeito teria morrido.

    O hospital universitário Gafree Guinle, com excelentes profissionais, parou de receber novos pacientes de uma hora para outra. Retirando a esperança e a vida de doentes e familiares que corriam desesperadamente por suas vidas contra o tempo.

    A riquíssima rede Sarah também te deixa agonizando durante seis meses com doenças de sua especialidade, sem te dar nenhuma oportunidade ou resposta aos pedidos de cadastro, para depois negar atendimento pelo simples fato de você ser paciente idoso.

    O SUS se tornou o sistema do caos, da influência, da corrupção, do passar a frente, do negar atendimento, dos pacientes desrespeitados, espancados e assassinados.

    Os pacientes são tratados, caso não sejam conhecidos e influentes, de modo mais deplorável do que os cadáveres do primeiro período, servindo tão somente para bater o ponto, ser observado e dissecado.

    Somente a fachada recebe cuidados. Vá a uma UPA ou a um grande hospital público.

    Sofra um acidente na estrada, ainda que o socorro da concessionária de altos pedágios chegue, a omissão é algumas vezes policial e rodoviária, mas quase sempre faltam médicos e você vai rodar, peregrinar de um hospital público para outro até conseguir um atendimento de emergência ou uma internação.

    Em São Paulo, foi necessário contrair uma superbactéria, depois de três dias jogada numa maca no corredor, para que minha mãe fosse internada no isolamento e, por esse milagre, conseguisse realizar uma cirurgia de emergência, e sair viva desse episódio.

    Nos planos de saúde, sempre lotados, com preços altos, auditoria de fachada e gestão absurda, a morte também é banalizada pela falta de atendimento. Meu amigo de trabalho perdeu seu pai dessa forma banal, aguardando atendimento num hospital particular do plano.

    Na saúde brasileira, somos, como grande maioria, tratados como mortos indigentes em vida.

    Nas funerárias e nos cemitérios as extorsões e irregularidades continuam destroçando o estado moral e tirando proveito dos familiares.

  9. Morei em Brasília muitos anos. O HRAN, na década de oitenta, já oferecia um péssimo atendimento, era sujo e os médicos despreparados. Naquela época o atendimento de emergência era feito em nichos com macas, separados uns dos outros por uma cortina de plástico. Quando lá estive, gaze e esparadrapos sujas de sangue transbordavam das lixeiras ,lençóis sujos, cortinas manchadas de sangue, um ambiente insalubre e aterrorizante porque tinha gente sofrendo . E para completar, uma senhora chegou de ambulância, puseram-na no chão, ela ficou no chão até que chegou o médico, escabelado, a roupa toda amassada, era de noite, ele tinha acabado de acordar. O médico se abaixou pegou no ombro da senhora, sacudiu e disse: O comadre, o comadre, está tudo bem ? Isso na capital do Brasil em 1989. Juscelino fez Brasília para levar progresso ao interior do país, mas os golpistas se aproveitaram do isolamento da nova capital para transformá-la numa espécie de ilha da fantasia, onde a classe média empregada pública, com padrão de vida de primeiro mundo, vivia isolada dos problemas do povo e da periferia. Para os sem recursos o HRAN,e o HRAS enquanto os mais bem posicionados iam para as clínicas bem aparelhadas e servidas de médicos educados e bem remunerados, como a população era muito menor, ninguém via. Na minha modesta opinião tudo começou em 1964, porque antes, a saúde e a educação eram públicas e muito boas. Quem trouxe essa medicina argentaria foram os golpistas, que para pagar os americanos pelo apoio ao golpe, abriu as portas para a saúde privada e a educação privada, e com esta, surgiram as escolas de segunda classe, as famosas PPFP, que significava papai pagou, filhinho passou. Aí começou a erosão da saúde e da educação. E como a geração daquela época foi criada para não contestar, conviveu com essas mazelas sem reclamar. Os anos passaram, a cultura elitista implantada pelos golpistas transformou o Brasil numa nação desigual, a população cresceu, em 1970, 90 milhões, hoje, 200 milhões. Para corrigir o mal não vai ser fácil. Uma encruzilhada. Porque todo mundo sabe que a política é tudo. Sem a política nada muda. Então precisamos mudar os políticos. Mas os políticos brasileiros não largam o osso, o poder é tão bom para eles que eles usam a política como se fosse uma herança que é transmitida de pai para filho, assim a cultura atrasada é perpetuada por jovens de idade, mas velhos de mentalidade.

  10. Uma das coisas mais asquerosas deste fato é sentirmos que estamos ilhados sem força para modificarmos essas situações,o mais duro desse fato narrado é que não faltava recursos materiais,porém faltava o principal que falta no Brasil atualmente,caráter.Infelizmente, senhores para falta de caráter não tem solução porquê isso nasce com o indivíduo.O que era para aqueles médicos o cidadão agonizante na porta,simplesmente nada.Espero que o cliente do Dr.Beja tenha recebido sua indenização.

  11. Mais uma vez Dr. Jorge Béja, meus parabéns pelo artigo, que levantou outras situações parecidas com a qual vossa senhoria vivenciou. Todos os comentários, cada qual no seu estilo, pertinentes, e dentro do foco.
    Destaque, mais uma vez, para o comentário do senhor Francisco Bendl, que reproduziu com a clareza e a sinceridade que lhe é peculiar, as detalhadas mazelas que acometem o país, ainda no seu sono eterno , na alvorada do século XXI .
    Concordo com ele em todos os aspectos abordados.

    • Andrade, meu caro,
      Grato pelo apoio.
      Mas quando analisamos a situação do Brasil com isenção e imparcialidade, sem qualquer conotação partidária, a verdade surge e ela é arrebatadora.
      Observa que tenho concordado com teus comentários, na razão direta que tens feito assim comigo.
      Por quê?
      A razão se situa na busca de soluções para esta Nação maravilhosa que procuramos, e para um povo carente de atenções que reclamamos, principalmente no aspecto que efetivamente lhe proprciona a liberdade:
      EDUCAÇÃO!
      Um abraço.

  12. Renato Lima acusa o regime militar, que nos comandou por vinte e um anos, como o responsável pelos problemas na Saúde e Educação que enfrentamos atualmente.
    E culpa os políticos que não querem solucionar as questões mencionadas, que “não querem largar o osso”.
    Precisa-se separar as questões:
    O governo de exceção durou duas décadas;
    O governo democrático, de lá para cá, tem trinta anos.
    O Brasil vive em liberdade há mais tempo que atrelado à ditadura. Nesse meio tempo, cresceu, aumentou a sua população, seus recursos, o comércio, a indústria, o sistema financeiro se tornou muito mais sólido, tem mais Universidades, escolas … tempo suficiente para CORRIGIR o rumo que havia tomado por ocasião do golpe.
    Não foi o que aconteceu.
    Em algumas áreas de fundamental importância, os problemas se agravaram de tal maneira que se tornam difíceis prever qualquer solução a curto e médio prazo, especificamente a Segurança Pública.
    Ora, em trinta anos, não há qualquer resquício dos militares, pois os Chefes de Polícia, Secretários e Ministros têm sido civís, e já foram substituídos dezenas de vezes nesses governos que tivemos pós-ditadura. Acrescento que a liberdade do povo deveria ser fator principal para que ele mesmo vivesse mais tranquilo, mais em paz, em harmonia e, no entanto, o número de vítimas assassinadas de várias formas é como se estivéssemos em uma guerra!
    Não, os militares não podem ser acusados pela violência que hoje impera nas grandes cidades brasileiras.
    Educação.
    Quantas vezes o Ministério responsável pelo ensino mudou as suas diretrizes de lá para cá?
    Várias.
    Quantas vezes tivemos mudanças nos conteúdos programáticos das escolas entre a ditadura até o presente momento?
    Muitas, algumas geraram grande desconforto à sociedade quando o ministro era o atual prefeito de São Paulo, do PT.
    Quais foram os percentuais nos orçamentos da União que os presidentes eleitos gastaram com a Educação e Ensino?
    Sempre abaixo do determinado pela Constituição.
    O que aconteceu com os CIEPS? Uma idéia apropriada ao País e às suas crianças?
    Os políticos pós-ditadura impediram que este modelo fosse levado adiante.
    E com o analfabetismo?
    No governo do PT, AUMENTOU!
    Então, a Educação se hoje também possui problemas sérios, eles surgiram recentemente, e de acordo com a omissão dos governos civís em não investirem nesta área, simplesmente um crime lesa-pátria.
    Vou mais longe:
    O PT, que se arvora de esquerda e popular, precisa explicar à Nação, conforme tentou explicar a presidente Dilma dias atrás, que esta área tem seus custos, disse ela, a falta de recursos e investimentos necessários e tão solicitados, ao mesmo tempo negados, SE, para Cuba, verbas não faltam!
    Que para os gastos perdulários do Legislativo, há dinheiro em abundância. Da mesma forma os custos de um Executivo e seus 39 ministérios absolutamente inúteis e extremamentes caros às suas manutenções.
    Muito mais grave são as verbas gastas em PUBLICIDADE OFICIAL, cujos valores são estratosféricos, dinheiro jogado fora!
    Na mesma sintonia, as despesas com os cartões corporativos, fonte de escândalos permanentes.
    Cito alguns somente, na pesquisa rápida que fiz:

    Um funcionário do Ministério das Comunicações chegou a usar o cartão corporativo para reformar uma mesa de sinuca;
    José Dirceu, o deputado cassado do PT, além de estar sendo julgado por coordenar o Escândalo do Mensalão, também está sendo investigado por mau uso de cartão corporativo do Governo Federal;
    Os cartões corporativos também foram usados para comprar presentes em camelô e até para pagar diárias no Copacabana Palace, passando também por compra de ursos de pelúcia;
    O Tribunal de Contas da União apurou a emissão e apresentação de 27 notas frias em uma viagem do presidente Lula a um acampamento do Movimento dos Sem Terra no Mato Grosso do Sul. As notas frias foram pagas com cartões corporativos;
    No começo de março descobriu-se que um cartão ligado à Casa Civil, comandada por Dilma Roussef, à época, foi utilizado para pagar bailarinas para um servidor da Casa;
    O senador Agripino Maia declarou que levaria o caso a CPI. No dia seguinte o próprio jornal reconheceu o erro: “A Casa Civil divulgou ontem nota afirmando que não se trata de “de contrato de ‘20 moças’. Mas, sim, de 20 vasos com flores para ornamento chamado de ‘bailarina’”.
    Outro cartão foi usado na Feira do Paraguai de Brasília, famosa por vender produtos importados, na sua maioria contrabandeados ou falsificados. Funcionários da feira disseram que é normal servidores comprarem MP3 e MP4 para seus filhos e pedirem para registrar o produto na nota fiscal apenas como “material de consumo”.

    Em defesa dos militares, ressalto que esse método, dos cartões corporativos, não existia.
    Enfim, basta de culpar o passado pelos erros e omissões do presente.
    A verdade é que esta Nação vem carecendo de homens públicos honestos e competentes desde que retornou à democracia, e tem sido o povo que sofre pelos desmandos e descalabros protagonizados por parlamentares e presidentes eleitos pela população, portanto, os elos com a ditadura foram rompidos em definitivo para culpá-la de nossas mazelas neste momento que, a meu ver, se trata de uma tentativa de retirar dos ombros dos presidentes petistas o peso de suas irresponsabilidades, erros e equívocos cometidos em face de suas ideologias retrógradas, a substituição do patriotismo pelo partidarismo, e descaso pleno com a população, que se reflete e se constata pelo aumento do analfabetismo e violência desmedida!

  13. Sr. Béja, creio que o Sr. ao deitar para o corpo descansar, sua Alma compareça ao Reino da Luz, pelo seu Amor ao próximo, cumprindo à exortação do Mestre a 2 mil anos.
    Ao Sr. Bendl, que com seus comentários, nos deixa, sem assunto, bem como os demais articulistas e comentaristas, que buscam levar à LUZ de seus sentimentos fraternos, a todos nós leitores desse BLOG abençoado.
    Dr. Béja, vou relatar, um caso acontecido comigo no antigo Hospital dos Servidores Federais, que já teve o titulo de excelência, NOS TEMPOS IDOS FIZ 2 CIRURGIAS.
    Como Conselheiro da Saúde de Guapimirim/Rj, participando de um “Fórum” no auditório do Hospital em 2004, após fazer meu discurso, mostrando as mazelas na saúde, ao retornar para sentar-me, tropecei no degrau (mais ou menos 4cms de altura), cai, e quebrei a testa, sangrando muito, a mesa diretora e amigos, me levaram para ser socorrido, mas o hospital não tinha emergência, OS MÉDICOS NÃO QUISERAM ME ATENDER, fiquei sangrando e o rosto inchando, e os amigos chamara o SAMU, que compareceu, meia hora depois, e me socorreu.
    Fiquei com a lembrança, pois fiquei com uma profundidade na testa, e quando “olho a minha cara feia” no espelho, me lembro, “dentro de um Hospital, ser atendido por uma ambulância” que poderia estar atendendo algum caso mais grave de vida ou morte.
    Dr. Beja, tenho como Cidadão Consciente de sua Cidadania, mais de 50 denuncias a 10 autoridades que deveriam estar atuando na fiscalização e cumprimento da Legislação, e nada acontece de concreto.
    Os Trabalhadores, realmente tem salários miseráveis, a GREVE é um DIREITO DE SOBREVIVÊNCIA DIGNA, MAS, CERTOS GRUPOS, COMO OS MÉDICOS, QUE LIDAM COM A VIDA E A MORTE, SOB JURAMENTO, DEVERIAM COLOCAR EM SUA JAQUETA “ESTOU EM GREVE”, O SEU CONSELHO DE CLASSE DEVERIA COLOCAR:NOSSA CLASSE ESTÁ EM GREVE, A MÍDIA DEVIA PUBLICAR ARTIGOS DIÁRIOS, INFORMANDO AOS SEUS LEITORES, QUE OS MÉDICOS ESTÃO EM GREVE, MAS TRABALHANDO, E OS CIDADÃOS DEVERIAM MOSTRAR SUA SOLIDARIEDADE À CLASSE ESCREVENDO ÀS AUTORIDADES DA “DESGOVENANÇA”, LEVANDO SEU PROTESTO, E NÃO SOBREVIVENDO COM “PÃO E CIRCO E ME ENGANA QUE EU GOSTO”, 0 MÉDICO NÃO TEM O DIREITO DE DEIXAR MORRER POR ESTAR EM GREVE, NÃO, NAAAAAÃO.
    Essa questão dos mais médicos da Dilma, esta semana, mais cubanos, pediram o chapéu, recebem 900 e 9100 vai para Cuba, a isso o governo chama “atendimento médico”.
    O povo acorda em 05/10, ou vai continuar a morrer na porta dos hospitais, pela greve, pela falta de estrutura, a escolha está em Suas mãos, ao apertar a “urna não confiável.
    Façamos nossa parte, e oremos à DEUS, lembrando o alerta de Jesus: “A CADA UM SEGUNDO SUAS OBRAS” E “PAGARÁS ATÉ O ÚLTIMO CEITIL”.
    NÃO QUERO NA MINHA CONSCIÊNCIA A MORTE OU O “ALEIJUME” DE NINGUÉM, POR OMISSÃO DE MEU DEVER CRISTÃO,continuo na LUTA, até a grande “porta” se abrir, para meu auto julgamento, o que aliás, acontece a todos nós. Creiamos ou não, é uma Verdade VERDADEIRA.

  14. Obrigado, Carlos Newton. Com a explicação da editoria, procede o apelo que fiz ao leitor que exagerou e pegou pesado no comentário. Obrigado, Theo Fernandes. Fato superveniente me intriga e surpreende. Busquei na internet com o título “hospitais federais no Rio relacionados para atender turistas e torcedores durante a Copa do Mundo-fifa. Está lá: Ministério da Saúde – Instituto Nacional de Cardiologia, rua das Laranjeiras!!!! É o hospital que não prestou socorro ao fotógrafo Luiz Cláudio Marigo sob a pífia e cínica “justificativa” de não ter emergência!!!! Já estamos na Copa. Os turistas estão chegando. Vamos ficar de olho e atentos para saber se algum turista-torcedor precisou de socorro e o INC também negou. Quanta hipocrisia!!!
    Jorge B éja

  15. Dr Béja, como é salutar ser seu colega neste blog incomparável! Sua participação usualmente deixa em xeque, ou sinuca de bico, os petistas e simpatizantes. Contra fatos não há argumentos e os que narra, por os terem presenciado ou mesmo tomado conhecimento, são irrefutáveis. Essa agora do hospital padrão Fifa é mais um tapa na cara dos brasileiros. Fosse uma pessoa desconhecida da sociedade essa negligência seria somente mais uma. Mas, por ter responsabilidade solidária (é esse o termo?) o governo federal vai ter que prestar conta pela irresponsabilidade criminosa que impediu que o renomado fotógrafo e ambientalista fosse atendido adequadamente. Omissão também é crime. Sds

    • Rodrigo de Carvalho, grato por ter lido o artigo, os comentários e ter também comentado. Respondo: segundo a Lei Geral da Copa (LGC) a responsabilidade civil da União Federal não é repartida com ninguém. Em caso de dano, diz a LGC que a UF é a única a pagar indenização. E nenhuma obrigação recai sobre a fifa. Ao menos até o último dia deste ano, quando a lei de exceção perde a vigência. Você levantou relevante questão: se já estamos sob o império da LGC (1), e tendo o fotógrafo Luiz Cláudio Marigo morrido na porta do INC, que a ele negou socorro(2) e estando o INC relacionado como hospital federal no Rio para atender a turistass-torcedores da Copa(3), a responsabilidade da UF é dupla, por se tratar o INC de instituição federal e por estar vigente a LGC.
      Jorge Béja

      • Eu que agradeço sua presteza e atenção. Cabe a dúvida: fosse o vitimado um estrangeiro, seria atendido? Imagino que sim. É o padrão Fifa somente para inglês ver..

  16. Sr Bejá, o que o governo deve fazer?
    Eu como o senhor temos certeza que eles nao tem piedade de nos, nem dos infelizes que precisam de um minimo de atendimento. As vezes saominfelizes maus educados que chegam desrespeitando todospos funcionarios, mas em alguns casos, vemos o que aconteceu no hospital da Campina Grande na Paraiba, sempre fui contea o Regime Militar, mas hoje o respeito, porque num caso daqueles fascinoras que sao “segurancas” do hospital, se num regime forte estariam presos uma hira dessas, e nao esrariam s escondendo com um possivel HC, que num caso desses nao pode nem valer.
    Sera que esses seguranças, os funcionarios, os diretores desse hospital, tem piedade de nos?

  17. Caro Dr. Bejá
    Um Governo que gasta 1,2 bilhões de reais na construção do Estádio do BNDES/Timinho dos filhos do marinho e não tem dinheiro para uma simples ambulância de hospital para salvar vidas , o que esperar deste Páis.??

    PS.: Só para constar
    Esse mesmo Estádio na planta, começou com 240 milhoes, diziam que não iam ultrapassar esse valor na obra, depois passou para 400 milhões, depois mais 800 milhões, e agora essa bagatela de 1,2 bilhões………

  18. Em muitos casos quem faz a triagem dos pacientes são os seguranças , em outros os médicos se comportam como postes de jaleco branco ,sem o mínimo de humanidade e nós simples mortais ,continuaremos à morrer onde deveríamos encontrar um pouco de esperança de viver por mais um dia .

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