Em 1910, exatamente há 100 anos, Rui Barbosa se lançava candidato pela primeira vez. Desistiria em 1914, concorreria em 1919, que plataforma eleitoral. Envergonharia os que vieram depois. Principalmente os de agora, anônimos ou quase pseudônimos

Dentro de alguns dias estaremos marchando para as urnas. Esse “marchando” não é um acaso de linguagem, apenas ocaso de convicção. Sempre fomos tangidos pelos que estão no Poder, que nos obrigam a sair de casa para escolher alguém. Quem? Ninguém. Sempre foi assim. No Império e na República.

A República foi imposta ou IMPLANTADA, mas disseram que foi PROMULGADA. Sem povo. Mais indireta do que o próprio Império, não passou de uma luta entre dois marechais ambiciosos que não sabiam o que era povo.

A República foi dada como “republicada” (e não republicana), mas só foi haver eleição 5 anos depois, em 1894. No primeiro ano, um dos marechais (Deodoro) ficou como Chefe do Governo Provisório. O outro (Floriano), como Ministro da Guerra. Com a primeira Constituição, (de fevereiro de 1891), consolidaram a derrota e a exclusão, ao mesmo tempo, dos Abolicionistas e dos Propagandistas da República.

Em 25 de fevereiro de 1891, concretizaram o que chamaram de eleição, era apenas “eleição”. Deodoro, que era PROVISÓRIO, foi referendado por 243 parlamentares. Só que desses 243, quase 90 votaram em Prudente de Moraes (presidente do Senado), que não admitiu de jeito algum a candidatura.

Uma hora depois tinham que escolher o vice-presidente. Candidato único, Almirante Wandenkolk, há 1 ano e 4 meses, Ministro da Marinha do próprio Deodoro. Foi eleito o general Floriano, que nem era candidato. Não vou contar a história, mas apenas mostrar e lembrar como surgiu a República e como vem capengando até hoje.

De 1889 até 1930, não houve República. De 1930 até agora, duas ditaduras nem disfarçadas, com os que tomavam o Poder, batendo no peito, e apregoando, “defendemos o ideal Republicano”.

Durante mais de 50 anos não havia nem eleição nem eleitorado. Agora existe eleitorado verdadeiro, mas sem candidatos, sem compromissos, sem programas, nenhum projeto de governo. Mas temos que votar, É OBRIGATÓRIO.

No domingo estarão votando (?), dois terços da população. Somos 195 milhões de habitantes (o Censo deve confirmar), estão inscritos 130 milhões, exatamente esses dois terços citados e numerados. Votarão nas necessidades nacionais, nas exigências de desenvolvimento, progresso e prosperidade? De maneira alguma. Candidatos saíram de convenção partidária? Quem ou qual? Apresentaram propostas, projetos, plataformas de prioridades, como se dizia até 1930?

De 1984 até 1906, três paulistas, sem concorrentes. Escolhiam um vice-presidente do Norte-Nordeste, estava consumada a chapa. Em 1906, o ex-presidente Campos Salles, medíocre, queria voltar (depois do vergonhoso “acordo da DÍVIDA”, assinado em Londres), Rui Barbosa também colocou sua candidatura pela primeira vez, os dois superados e ultrapassados.

Minas queria “fazer” o presidente, tinha um governador, Afonso Pena, de boa reputação. O “dono” de tudo, Pinheiro Machado, pressionado, referendou Afonso Pena. Mas o vice, Nilo Peçanha, do Estado do Rio, INIMIGO MORTAL de Rui Barbosa, marcaria tumultuadamente o futuro.

E se falo nesse episódio, na eleição de 1910, é porque agora, se completam exatamente 100 anos, da maior e talvez única eleição verdadeira já realizada. Afonso Pena morreria em 15 de junho de 1909, de acordo com a Constituição da época deixava 17 meses para o vice.

Assumindo, Nilo Peçanha fez tudo para Rui não ser candidato. Só havia um partido, mas até 1934 existia o voto independente. Rui se refugiou nessa trincheira, fez campanha maravilhosa, lembrada até hoje. Sem qualquer meio de comunicação, nem o rádio (inventado em 1894) chegara ao Brasil. Mas até hoje se fala na CAMPANHA CIVILISTA de Rui Barbosa.

Teve que enfrentar o Ministro da Guerra de Nilo (general Hermes da Fonseca, sobrinho de Deodoro), eram pouco mais de 300 mil eleitores, mas que eleição. Basta dizer o seguinte: no programa de Rui, 26 itens de COMPROMISSOS. Nos quais se incluíam até REFORMA AGRÁRIA, SALÁRIO MÍNIMO, LICENÇA-MATERNIDADE, limite de 8 horas de trabalho, seguro-saúde, FÉRIAS, HABITAÇÃO, voto DIRETO E SECRETO, Liberdade Religiosa, proteção ao JOVEM e ao IDOSO. Não esquecer: isso há 100 anos. A mesma elite que não queria mudança ontem, não admite hoje ou amanhã.

Só para encerrar esta lembrança. Rui e Hermes morreram em 1923, que personagens. E Nilo, também inimigo de Rui, foi governador do Estado do Rio e, em 1922, candidato a presidente, numa chapa com nome sugestivo: REAÇÃO REPUBLICANA. Derrotado por Artur Bernardes, abandonou a vida pública antes dos 50 anos, foi o presidente mais moço do Brasil.

Corta, passa para a eleição desta semana. Votamos (ou votaremos) em compromissos? Não existem. Em pessoas? Quem? Medíocres não escolhidos por ninguém? Partidos? Não se interessam pelo Poder para concretizar as idéias que não têm, querem é se satisfazer com o que receberem do fracionamento do governo Lula.

Uma parte, representada e representativa pelos 37 ministérios. Nada importante para a coletividade, mas altamente desejada pelos partidos. São 37 ministérios (APENAS?), mas se somam e naturalmente se dividem e se subdividem em dezenas ou até centena de milhares.

Não podem ser nominados agora, é impossível dizer quem irá DISTRIBUIR e quem RECEBERÁ. Nos Estados, muitos governadores e senadores, não estão garantidos, entre oposicionistas e situacionistas, como se dizia antigamente. Hoje, todos se misturam, principalmente depois da eleição. Só olham para a placa do transporte. Aquele que indica, Planalto-Alvorada, fica lotado antes mesmo de liberado o acesso.

***

PS – A não ser que haja modificação e divergência na pesquisa, como aconteceu nos EUA duas vezes com Nixon, Dona Dilma NÃO TEM PARA QUEM PERDER. (Nixon: favoritíssimo em 1960, perdeu para Kennedy. Esquecido pela pesquisa, ganhou surprendentemente em 1968).

PS2 – Mas é preciso saber e concordar com o que Dirceu diz e como age. “O PT vai mandar de verdade no governo Dilma, não mandou nada com Lula no Poder”.

PS3 – E o próprio Lula, alguém ainda admite que agirá realmente como um ex-presidente? Ou se comportará como ex-presidente candidato, não desde agora, e sim a partir do momento em que “consagrou” Dona Dilma, por ser ela a única que não o ameaça?

PS4 – O resto é o resto. Com o Maracanã fechado para 2014, Dilma-Lula-PT-Dirceu travarão grande jogo, na várzea mesmo. O corintiano Lula pode não gostar, mas o que fazer?

PS5 – E pode dizer, sem ser desmentido por ninguém: “Candidato desde 1989, vencido ou vencedor, por que desistiria se continuo no Poder?”

PS6 – Um fato que pode acontecer tranquilamente:a reconciliação Lula-Dirceu. Não para o sossego de Dilma e do seu primeiro Poder, mas para a entronização (com o que a palavra tem de mais autêntico) de alguém que SATISFAÇA Lula ou Dirceu. Este, com muito mais tumulto.

PS7 – De qualquer maneira, tumulto é o que não faltará. Sem falar na guerra para censurar até mesmo a Carta de Pero Vaz Caminha. Talvez se salve por causa da frase consagradora e quase adivinhação: “A TERRA É DE TAL MANEIRA DADIVOSA, QUE EM SE PLANTANDO, DAR-SE-Á NELA TUDO”.

PS8 – Não é nem adivinhação. É fácil constatar. Histórico não é o 3 de outubro de alguns dias e sim o 1º de janeiro de alguns meses. Haja o que houver, temos que nos preparar. Não haverá posse e sim assalto ao Poder.

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