Em 1964 não houve ASILADO, os EXILADOS tinham todo o direito de tomar suas próprias decisões, os GUERRILHEIROS, apesar de errados, também respeitados. FUGITIVO, nenhum, TURISTA, apenas um, FHC, protegido. As falas desnecessárias do general Leônidas e Dilma.

Analisadas ontem as posições e as opções de Brizola, Arraes, Jango e Prestes, recomeço hoje a caminhada, esperando que a memória não me abandone. Em 1964 não houve ninguém ASILADO. Aliás, nas duas ditaduras abertas e ostensivas, raros os que sofreram esse tipo de punição. Principalmente dois, e ex-presidentes. Em 3 de outubro, Washington Luiz, faltando 1 mês e 12 dias para passar o governo, foi ASILADO nos EUA, junto com seu ministro do Exterior, Otavio Mangabeira.

Em 10 de novembro de 1937, no dia mesmo da imposição-implantação do Estado Novo, foi ASILADO o ex-presidente Artur Bernardes. Como ele deixou o governo em1926, não houve explicação para a punição. Além do mais, estava com quase 70 anos, não tinha a longevidade de hoje. Ficou 8 anos em Portugal.

EXILADOS foram muitos, pelos mais diversos caminhos, cada qual tinha a sua explicação, e o direito de defender a própria vida e da família, da forma que achasse mais efetiva.

Principalmente jornalistas e políticos que não queriam aderir à ditadura, resolveram enfrentar o desconhecido, ir para outro país, onde recomeçaram a vida. Todos merecem o respeito geral, eram os senhores de suas próprias determinações. Alguns tiveram grandes problemas para sair do Brasil, mas para redução do espaço, vou citar a aventura quase dramática de dois.

São eles: Marcio Moreira Alves e Hermano Alves, eleitos deputados em 15 de novembro de 1966 pelo MDB, com Mario Martins candidato a senador. Marcito contou em livro o que foi obrigado a fazer para deixar o Brasil. Todas as fronteiras estavam fechadas para ele, passou por quatro estados, até chegar ao Uruguai.

Depois, morou em 8 ou 9 países, não estava passeando e sim se formando e se aprofundando para a luta que pretendia viver quando voltasse. Voltou, não houve nenhum jornal que lhe desse emprego. A não ser a Tribuna da Imprensa, onde escreveu durante 2 anos. Foi então para O Globo, teve a grandeza de escrever artigo sobre a independência da Tribuna.

Hermano também não conseguia EXILIO, todas as saídas impedidas, as embaixadas vigiadas. Aí foi beneficiado pela liberdade da diplomacia e os espírito indomável do ex-chanceler Afonso Arinos de Mello Franco.

Quando ministro do Exterior, ficou muito amigo do também chanceler do México, que deixando o governo, veio para o Brasil como embaixador. Um dia Afonso liga para ele, dizendo-perguntando: “Precisamos conversar, posso passar aí?” Lógico, a resposta foi positiva.

O embaixador esperava na porta, o carro entrou, Afonso saltou, abraçou o amigo e confidenciou: “Na mala do meu carro está o jornalista Hermano Alves, que precisa de ASILO”. O embaixador fez tom de aborrecido, falou: “O senhor devia ter me avisado”. Chamou o motorista oficial, determinou: “Guarde o carro do embaixador na garagem”. Hermano foi para Portugal, já era casado com uma portuguesa, até hoje mora lá.

Outros se EXILARAM com as maiores dificuldades. Muitos que estavam em Brasília, onde as embaixadas começavam a ser construídas, arriscaram assim mesmo. Como Waldir Pires, que com vários deputados entrou na embaixada da Iugoslávia, viajaram. O governo ditatorial não se incomodou, “não eram os inimigos”.

FUGITIVO, nenhum, embora pelas peripécias que tiveram que enfrentar, pudessem ser chamados assim. Mas teriam que acrescentar: FUGITIVO POSITIVO.

TURISTA, apenas um, FHC. Não foi cassado, perseguido, preso ou procurado. Em 1978, José Serra, EXILADO verdadeiro no Chile, voltou, tentou ser candidato, não conseguiu, estava cassado.

Este repórter, em 1966 cassado por 10 anos, em 1978, acreditando que os 10 anos já haviam transcorrido, foi lançado a senador pelo PMD. Resposta dos ditadores de plantão: Agora a cassação não é mais por 10 anos, é para sempre”.

Nesse mesmo 1978, FHC se candidatou ao Senado, na chapa com Franco Montoro. Como não foi cassado, não era perseguido nem representava perigo para o regime, foi registrado. Montoro teve 3 milhões de votos, FHC 300 mil, em 1982 assumiu. (Naquela época não havia suplente, registravam 3 nomes. E FHC começou a carreira).

GUERRILHEIROS é a denominação nobre, mas inteiramente insensata para personagens praticamente suicidas. Excluídos os que foram “trocados”, todos realmente assassinados. Fui sempre pessoalmente contra a GUERRILHA, minha convicção: sendo um grupo muito pequeno, seriam dizimados e fortaleceriam a ânsia de tortura e de vingança da ditadura.

Tudo se consumou. Acontece que os bravos GUERRILHEIROS não conheciam História, eram ferrenhos admiradores do “Cavaleiro da Esperança” e da vitoriosa “Coluna de 1924/26”. Só que entre essa época e a aventura da GUERRILHA, se passaram 40 anos, que fizeram a diferença.

E a transformação pelo tempo, transformou os jovens heróicos, que perderam a vida sem nem de longe terem ameaçado a ditadura. Nem reverenciados foram, a ditadura não deixava e os jornalões não se incomodavam nem se interessavam.

A entrevista inútil e desnecessária do general Leônidas, além dessas duas palavras, merece outra: incompreensível. Por que essa fala agora, inteiramente fora de órbita, sem qualquer explicação? Foi uma perda de tempo, sem nenhuma autenticidade e apenas com dois assuntos interessantes: a apreciação sobre os GUERRILHEIROS e a perplexidade pela reivindicação, sem a menor veracidade, de que “quando chefiei o DÓI-CODI não houve tortura”.

Como Leônidas Pires Gonçalves jamais passou pelo DOI-CODI, é lógico que não pode falar sobre tortura. Mas por que a força para aparecer como CHEFE DO DOI-CODI, o que seria inteiramente depreciativo para ele? Pois ali era o centro nacional da tortura, que depois se espalhou. O DOI-CODI não tinha chefe do I Exército, quem mandava e comandava tudo era o general Orlando Geisel, seu criador e entusiasta.

Quanto aos GUERRILHEIROS, a observação do general Leônidas é tão óbvia, primária e elementar, que não precisava exibi-la 50 anos depois. Além do mais, de 1964 ao final de 1966, início de 67, como coronel, foi adido na Colômbia. Depois fez carreira longe do Rio, com ligeira passagem por aqui, em cargos administrativos e já bem perto da derrocada da ditadura.

O que torna disparatada a afirmação incrédula, “eu chefiei o DOI-CODI”, é o fato de o general não ser torturador e por isso, foi a melhor escolha para ministro do Exército do primeiro governo civil. Num momento em que muita gente tentava “ressuscitar a ditadura que estava morta”.

Ressurreição que começou com a destruição da Tribuna em março de 1981, (depois da “anistia ampla, geral e irrestrita”), continuou com outra monstruosidade no Riocentro em 30 de abril do mesmo 1981, e com vários atentados de bastidores, organizados por generais inconformados, que sabiam que, se não obtivessem sucesso, nada lhes aconteceria.

Que foi o que aconteceu por causa da atuação do general Leônidas, que vem agora provocando espantosa perplexidade, ao afirmar: “EU CHEFIEI O DOI-CODI, só que não houve tortura”. Não dá, general, DOI-CODI E TORTURA são sinônimos.

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PS – Quanto a Dona Dilma, é a bravateira do absurdo. O general chamou de FUGITIVOS, todos os que saíram do Brasil a partir de 1964. Dona Dilma seguiu a trilha aberta por ele, encampou a palavra, registrou-a como propriedade pessoal.

PS2 – Nem o general nem a civil são empolgados pela linguagem, podiam pelo menos consultar o Aurélio ou o Houaiss. O general, que completa 89 anos agora em maio, pode dizer o que quiser, até mesmo não sendo torturador, garantir que é. Além do mais, o general não é candidato a nada, não precisava conceder a entrevista.

PS3 – Quanto a Dona Dilma, não devia ser tão entusiasmada com o descaminho do general, que descobriu ou inventou que quem SAIU DO BRASIL É FUGITIVO.

Ps4 – Ela perdeu muitos votos que não tinha. E já começou a perder tempo para tentar reconquistar os votos perdidos, com a afirmação sempre desgastada e desrespeitosa: “EU NÃO DISSE O QUE DISSERAM QUE EU DISSE”. Esse é o caminho mais curto para o segundo lugar, no segundo turno.

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AMANHÃ:

Depois de tentar de todos os modos, o terceiro mandato,
Lula deixa o poder, satisfeitíssimo. Pelo prazer de derrotar Serra, em 2014,
e quem aparecer e se arriscar, em 2018

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