Em artigo na Folha, Temer culpa Loures e se diz vítima de “heresia jurídica”

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Charge do Nani (Nanihumor.com)

Michel Temer
Folha

Depois de 45 dias de acusações abjetas e caluniosas, repetidas ao país à exaustão, apresentei minha defesa oficial à Câmara dos Deputados. Nela fica demonstrada minha inocência cristalina. Não cometi, à frente da Presidência, nenhum deslize penal, ético ou moral. São tantos os procedimentos e fatos ilegais e arbitrários assacados neste processo torpe contra mim que não é fácil escolher por onde começar. Meus defensores gastaram cem páginas apenas para descrevê-los sucintamente.

Não deixa de ser uma ironia que, advogado de carreira e professor, eu venha a ser apresentado, a esta altura da vida, ao “direito penal da ilação” e ao “direito penal do porvir” -criações inusitadas do Ministério Público Federal que estão assombrando o mundo jurídico.

SEM PROVAS – Pelo “direito da ilação”, da mera suposição e dedução, fui acusado, sem provas, de ter recebido R$ 500 mil pelas mãos de terceiros por ordem do empresário-grampeador Joesley Batista, dono do grupo J&F.

A denúncia não descreve sequer um detalhe de minha suposta conduta ilícita. Onde? Quando? A quem pedi? De quem recebi? Nem aponta o que teria eu oferecido em troca ao “corruptor-geral da República”.  Esses fatos não podem ser encontrados na inepta peça acusatória. Eles simplesmente inexistem.

Bem como não se atendeu aos pleitos da empresa no Cade, local de origem da suposta propina. A Polícia Federal registrou essa falta de “contrapartida”. A acusação se vale apenas, e o tempo todo, da palavra de um delator desesperado para transferir seus crimes a outros. E usa gravação clandestina feita por ele. E os fatos? Foram mandados às favas.

PRÉ-ACORDO – Descobrimos na peça acusatória outra novidade assustadora: a denúncia montada contra mim baseou-se em inédito pré-acordo de colaboração premiada. E este não trouxe ao conhecimento da Procuradoria-Geral da República (PGR), autora do pedido de investigação, e ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o autorizou,”fatos criminosos pretéritos à negociação do acordo em foco”, como é usual, mas a previsão de crimes que poderiam ou não ocorrer no futuro, ou estariam em curso.

Ou seja: o delator não apontou crime contra mim, mas prometeu fabricar algum delito no futuro próximo. E assim o fez, em troca de imunidade total para 245 crimes e perdão para 2.000 anos de prisão, ao desdobrar a gravação ilícita e descontínua, imprestável como prova judicial, em “ações controladas”. Inaugurou-se, assim, o espantoso “direito penal do porvir”.

Foi uma ação desse nível de temeridade – com envergadura para macular não o governante, mas a instituição Presidência da República, e desestabilizar o país – que foi aceita de maneira açodada, sem passar pelo crivo do plenário do STF.

FALTA DE ELEMENTOS – Foi, reafirmo, com base na gravação ilícita que o Ministério Público determinou as ações controladas e medidas cautelares posteriores – todas, portanto, frutos de uma mesma árvore envenenada.

Depois de constatarem a total falta de elementos mínimos para sustentar a imputação de crime, meus advogados perguntam se estou sendo denunciado por ter um ex-assessor “de total confiança” ou por ter conversado com um empresário no Jaburu.

“Ou estaria Michel Temer sofrendo os dissabores de uma denúncia exclusivamente em razão de ser o presidente da República, em uma verdadeira manifestação política contra seus ideais de governo?” A única resposta possível para esta última questão é “sim”.

ARROGÂNCIA – A experiência ensinou-me que a arrogância nunca é boa conselheira. Como sabem os que têm fé, Deus prefere os homens simples, aqueles que, mesmo alçados às mais altas posições, guardam a consciência de saber-se exatamente iguais aos seus semelhantes.

Destacaram, entre todas as manchetes infames destes últimos dias, que sou o primeiro presidente da República denunciado no exercício do cargo por corrupção. Isso só foi possível porque é a primeira vez também que se atropela de forma tão violenta e absurda o devido processo legal.

Defendo-me de acusação que é uma verdadeira heresia jurídica, um atentado ao Estado democrático de Direito. Que seja a primeira e a última denúncia neste feitio arbitrário.

INOCÊNCIA – Digo isso em favor da presunção constitucional de inocência devida a todos os brasileiros. Que em nosso país até o mais humilde cidadão sinta-se preservado das flechas da injustiça.

Luto hoje não apenas pela minha inocência, mas para garantir o direito sagrado de todo brasileiro. Luto para que prevaleça a lei sobre os interesses subterrâneos e inconfessáveis que movem aqueles que envenenam nossas instituições e querem matar princípios básicos consagrados pela nossa civilização.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Em tradução simultânea, Temer está acusando seu ex-assessor de total confiança Rocha Loures, na linha da “Nega Maluca”, antigo sucesso de Evaldo Rui: “Toma que o filho é teu”. E seguindo na mesma linha, Temer entra na “Filosofia” de Noel Rosa e André Filho: “O mundo me condena, e ninguém tem pena, falando sempre mal do meu nome”. E vêm aí as delações do doleiro Lúcio Funaro e do ex-deputado Eduardo Cunha, botando a boca no trombone. Vamos aguardar. (C.N.)

9 thoughts on “Em artigo na Folha, Temer culpa Loures e se diz vítima de “heresia jurídica”

  1. Agora o Janot anda dizendo que se não tivesse feito o tal acordo com o Batista, não ficaria sabendo dos fatos.
    O fato é que para pegar uma mala com 500 mil reais,
    deixaram o Batista levar para o exterior alguns bilhões.
    A desproporção entre os valores envolvidos é enorme e também os crimes praticados por ambos é bastante grande, dai a estranheza que o caso suscita. Tem gato nesta tuba do PGR, como se dizia antigamente.

  2. Enquanto se implode o presidencialismo de coalizão e colisão, O Brasil se apavora com a explosão de violência – perigoso reflexo da injustiça e da impunidade viabilizadas pelo regramento excessivo de um modelo estatal acostumado a tutelar e explorar a sociedade. É fundamental observar o que acontece em grandes centros urbanos, especialmente o paradigma da degradação institucional: o Rio de Janeiro.

    Vale prestar atenção no relato do publicitário Zeca Borges, gestor do importantíssimo “Disque Denúncia”, sobre as notícias mais recentes da guerra no balneário mais famoso do Brasil. O fenômeno no território administrado pelo padrão Sérgio Cabral é recorrente no resto do Brasil sob refém do Crime Institucionalizado. Nada anormal no País em que um mesmo ministro do Supremo mantém presa uma mulher que roubou uns frascos de detergente, mas que ordena a soltura do homem da mala com R$ 500 milhões em propinas. Vamos ao alerta do Zeca Borges, nos três próximos parágrafos:

    “Após o racha entre o PCC e o CV ocorrido em 2015, lideranças do PCC passaram a aliciar traficantes da ADA e do TCP, para que estas duas facções se unissem a eles com o objetivo de reaver comunidades que foram tomadas pelo CV. E também de outras que sejam consideradas estratégicas para a nova facção denominada TCA (Terceiro Comando dos Amigos, criada após a união de TCP e ADA)”.

    “Relatos anônimos cadastrados no Disque-Denúncia revelam a presença de traficantes do PCC na Rocinha, no Caju e na Pedreira, que são controladas pela ADA. Na Vila do João e na Vila dos Pinheiros, controladas do TCP, também existIria a presença de traficantes do PCC”.

    ”PCC e TCA parecem ter dado o primeiro recado de que o início dos ataques em comunidades controladas pelo CV ocorresse na Maré. No início da noite de ontem, traficantes da Vila do João e Vila dos Pinheiros, controladas pelo TCP, atacaram a da Nova Holanda, controlada pelo Comando Vermelho.
    (Obs.: No Complexo da Maré, as duas comunidades controladas pelo CV são Nova Holanda e Parque União. Todas as outras são controladas pelo TCP e pela ADA.)”.

    Resumindo: As facções criminosas tocam o terror muito além de Brasília… E tudo fica melhor para elas, já que Michel Temer corta a verba da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal – crime que nem a petelândia ousou cometer…

    Mais aqui:
    http://www.alertatotal.net/2017/07/o-macom-zveiter-sera-fatal-para-o-ex.html

  3. A raiz dos assassinos a que se refere Temer, está a corrupção a consequência dela é a morte nos hospitais, nas estradas, nas comunidades com esgoto a céu aberto e etc, etc, etc….
    Como foi falado pelo Joca, o cara realmente é um verdadeiro cara de pau, este é realmente o drácula personificado das estórias em quadrinhos.
    A Lava Jato realmente chegou nos CHEFÕES.
    É só a sociedade continuar pressionando para “limparmos” esta sujeirada.
    Volto a repetir; 1%(hum por cento) não tem jeito, pode dar todo o ouro e poder da face da terra que eles continuarão praticando a corrupção. Então, vamos resolver, tirando estes hum por cento. O resto se enquadra na nova ordem.
    E isto, não é golpe não; a sociedade ficará eternamente agradecida.

  4. Se revela, além de corrupto, de quem todos sabíamos, menos os hipócritas, que fingem descobrir agora, um hipócrita, covarde e sem nenhum escrúpulos. Loures, é o “longa manus”, segundo Janot, para mim é um bocó, mané, idiota e tolo, sua expressão diz tudo, não tem a inteligência de furtar um doce na padaria cheia de gente, é e sempre foi o garoto de recados, a mula dos traficantes, o garoto do Temer.

  5. Sempre a mesma retórica, mentir, mentir, mentir…, será que pensam que nós somos idiotas, falar em delírio do delator, quem seria capaz de inventar com detalhes e gravações, não tem como dizer que inventam mentiras, assim são todos que são delatados, em que país vivemos, parece ” Alice no país das Maravilhas”.

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