Em busca de representação

Murilo Rocha

O segundo turno das eleições para presidente, disputado de forma acirrada entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PT), trouxe para o centro do debate um eleitor não representado pelos programas dos dois partidos. O eleitor do tal voto crítico, não satisfeito com a forma de governar muito parecida das duas principais siglas do Brasil. A três dias da eleição, mais e mais pessoas, anônimos e famosos, manifestam o apoio em um dos candidatos, não antes de fazer uma série de ressalvas aos descaminhos tomados pelas siglas e seus representantes.

E esse voto crítico – pelo menos tenho percebido isso na minha rede de relações pessoais, profissionais e familiares – tende a migrar para a candidata do PT e, em menor escala, para os brancos e nulos. E isso pode ser decisivo para uma eventual vitória de Dilma em uma eleição na qual o quadro ainda é de empate técnico.

A explicação para esse movimento seria o vácuo deixado pelo Partido dos Trabalhadores ao caminhar para a direita ao longo dos últimos 12 anos. Ao se aproximar do modo de governar e de fazer política de outros partidos, o PT empurrou antigos eleitores para siglas ditas de esquerda como PSOL, PSTU ou para movimentos e grupos políticos ainda sem representação na política institucional.

O partido, ao abraçar alianças espúrias e abrir mão de bandeiras históricas, causou desilusão e até mesmo mágoa e rancor em antigos militantes. Alguns, em casos extremos, foram direto para as siglas mais conservadoras.

ADERÊNCIA

Mas, então, por que o voto crítico ainda teria maior aderência ao PT, e não ao PSDB? A resposta seria: porque, apesar de serem praticamente iguais programaticamente, as duas candidaturas ainda representam de forma simbólica ou ideológica pautas e segmentos sociais distintos. Em um vocabulário mais romântico, eleitores de Dilma e de Aécio têm visões de mundo diferentes. E, em um segundo turno tão disputado, mesmo sem concordar com as práticas do PT, parece urgente para um grupo de eleitores votar em candidaturas mais alinhadas com questões como direitos humanos, igualdade, justiça e inclusão social.

E, caso Dilma vença, o PT e a presidente deveriam não só agradecer a esses eleitores, mas rever a própria trajetória trilhada pelo partido na última década. Apesar de ser uma minoria, há um número significativo de brasileiros preocupados com a afirmação de um grande partido no campo da esquerda brasileira. Ou, pelo menos, um partido com uma pauta similar a uma social-democracia, algo até então inexistente no país.

Apesar dos delírios de um golpe comunista ou algo similar, a polarização raivosa da eleição de 2014 pode ser revertida como um legado, pois o Brasil forçosamente discutiu a desigualdade abissal da habitação, saúde, educação e distribuição de renda do país. (transcrito de O Tempo)

3 thoughts on “Em busca de representação

  1. Quanta bobagem. A Dilma já está com o prazo de validade vencendo. Em novembro começa, em Nova Iorque, o processo para responsabilizá-la como presidente do Conselho, pelos prejuízos aos investidores da Bolsa de lá. Caso ele ganhe vou fazer um bolão na internet.

  2. Ineptocracia, na forma como se apresenta em muitos governos é o sistema onde pessoas com menos capacidade são escolhidas (eleitas) por pessoas com menos capacidade de produção e onde os membros de uma sociedade com baixas condições de sustentação ou serem bem sucedidas são recompensadas com bens e serviços pagos pela riqueza confiscada de um número menor de produtores. Ayn Rand descreve: “Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.” O popular nome para ineptocracia poderia ser “clientelismo”. Trocava-se apoio pela proteção, benesses e apadrinhamentos. Prática existente até os atuias dias.

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