Em delação histórica, Dario Messer renuncia a patrimônio bilionário, mas fica com apartamento e R$ 3 milhões

Doleiro abriu mão de imóveis no Paraguai , em NY e de quadros

Juliana Castro
O Globo

Ao assinar o maior acordo de delação da Justiça brasileira, o doleiro Dario Messer renunciou a um patrimônio de R$ 1 bilhão. A negociação prevê que Messer vai ficar com um apartamento de 75 metros quadrados no Leblon, na Zona Sul do Rio, e com R$ 3 milhões. Esse dinheiro está em uma conta nas Bahamas, que tem saldo de US$ 12 milhões. O “doleiro dos doleiros” terá acesso à sua parte quando os recursos forem repatriados.

O Globo mostrou nesta quinta-feira, dia 13, que, entre os bens dos quais Messer abriu mão, estão 81 imóveis no Paraguai, um apartamento de US$ 5 milhões em Nova York e quadros de Di Cavalcanti. A maior parte do patrimônio do doleiro – R$ 700 milhões – está no Paraguai. Os procuradores da Lava-Jato do Rio vão entrar com um pedido de cooperação para ter acesso às propriedades.

EMPRÉSTIMO – O doleiro, acusado de liderar um esquema que movimentou US$ 1,6 bilhão em 52 países, ficou foragido da Lava-Jato do Rio durante 15 meses até ser preso em julho do ano passado. Na delação, Messer fala sobre o ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes, a quem diz que sua família emprestou US$ 13 milhões. Hoje senador vitalício no Paraguai e suspeito de ter ajudado na fuga de Messer, Cartes virou réu por organização criminosa.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a ordem de prisão que havia contra ele. Em 2017, Messer chegou a iniciar um acordo de colaboração com o MPF. Na época, o valor a ser devolvido por ele era de R$ 70 milhões, mas as negociações não foram adiante. Outros doleiros fizeram delação e vieram outras operações, o que acabou enfraquecendo o poder de barganha de Messer.

Quando foi preso e retomou as tratativas para o acordo, o doleiro teve que ceder e abrir mão de um valor bem maior do que na negociação anterior. O acordo de delação de Messer, acusado de esquemas nacionais e transnacionais de lavagem de dinheiro e outros crimes, foi homologado pelas 2ª e a 7ª Varas Federais Criminais do Rio, após as tratativas serem feitas com o MPF e a Polícia Federal.

INVESTIGAÇÕES – Depoimentos do doleiro já foram juntados aos autos de processos decorrentes de três investigações sobre de lavagem de dinheiro a partir do Uruguai, transações de dólar-cabo para lavar dinheiro em contrabando de esmeraldas e sobre o braço no Paraguai da organização transnacional de lavagem de dinheiro liderada por Messer.

Pelo acordo, o doleiro deverá cumprir pena de até 18 anos e 9 meses de prisão, com progressão de regime prevista em lei (regime inicial é o fechado). Com isso, deve cumprir cerca de dois anos em regime fechado. Atualmente, ele está em prisão domiciliar em Copacabana, por compor o grupo de risco da Covid-19. Familiares de Messer já haviam feito delação com o acordo de pagar R$ 270 milhões e abrir mais de mais R$ 100 milhões em patrimônio.

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