Em dia de pacificação, três torpedos disparados por ministros do STF contra o presidente.

GENTE DE MÍDIA: CHARGES. Bolsonaro e a questão evangélica segundo ...

Charge do Miguel (Jornal do Commercio)

Percival Puggina

Durante quase toda minha vida ouvi a frase: “Não existe opinião pública; o que existe é opinião publicada”. Dela fiz uso, muitas vezes, para mostrar que a imprensa costumava atribuir à sociedade, como conteúdo de produção própria, ideias e opiniões cuidadosamente cultivadas no que ela, imprensa, disponibilizava.

Nos anos mais recentes, a popularização da Internet, dos smartphones e das redes sociais abriu um amplo espaço para as fontes de opinião se expandirem em crescimento exponencial e em diversidade tal que, pela primeira vez na história, se pode falar sobre opinião pública como algo diversificado e democratizado.

BOLSONARO NA MIRA – O leitor destas linhas sabe. Nossa mídia vem seguindo uma estratégia que, embora tendo Bolsonaro como alvo aparente de suas matérias, visa, com efeito, restaurar seu antigo plantio e supremacia contra as opiniões de conservadores e liberais. Durante sucessivas décadas essas duas palavras eram usadas para injuriar pensadores, políticos, professores.

Bolsonaro é, apenas, o alvo fácil para esse ataque a um público cuja opinião precisa sucumbir, novamente, no obscurantismo do movimento revolucionário, “autorrotulado” progressista, que dominou a política e a cultura brasileira com os péssimos resultados ainda hoje se fazendo conhecidos… graças às redes sociais.

Os jornais desta sexta-feira (26/06) trazem a notícia de que o presidente da República discursou ontem no Palácio do Planalto, em presença do ministro Dias Toffoli do STF e falou em colaboração e harmonia entre os poderes de Estado.

FIM DAS HOSTILIDADES? – Do que li, colhi a impressão de que o presidente recuava de sua atitude até então belicosa para ir ao encontro da conduta fidalga dos demais poderes… No entanto, pasmem os leitores, ontem mesmo, em entrevista à CNN, o ministro Gilmar Mendes, com sua habitual falta de compostura (um defeito que a mídia só vê em Bolsonaro) fez piadinha dizendo que as milícias do Rio podem emprestar um soldado e um cabo”… (1).

Também ontem, ao ser eleito para presidir o STF a partir de 10 de setembro, o ministro Luiz Fux afirmou sua disposição de manter o STF “no mais alto patamar das instituições brasileiras” (2).

Na véspera, em entrevista ao UOL, a ministra Cármen Lúcia, falando do que não entende, havia afirmado: “Acho difícil superar a pandemia com esse desgoverno” (3).

PIADAS MALICIOSAS – Diante desses três fatos, pergunto se você, leitor, viu na grande imprensa alguma repercussão a essas frases que jamais seriam ouvidas de ministros que respeitassem sua função e poder, zelosos pela harmonia imposta pela Constituição?

Desde quando ministros do STF estão liberados para fazer piadas maliciosas carregadas de intenções políticas? Desde quando um futuro presidente da Corte pode se comprometer com elevar seu poder acima das demais instituições, quando a CF diz que os poderes são independentes e harmônicos, sem que um se sobreponha aos outros? Desde quando uma ministra se permite fazer crítica política frontal, sem cabimento nem fundamento, como a formulada pela ministra Cármen Lúcia?

Quanta irresponsabilidade numa missão de tamanha responsabilidade! Tudo isso num intervalo de umas poucas horas, provavelmente em dia de folga dos loquazes ministros Alexandre de Moraes e Celso de Mello, muito mais useiros e vezeiros nesse tipo de manifestação de agravo ao Poder Executivo. Quanta parcialidade no comportamento da imprensa! Ah, se fossem ditos do presidente, ou de alguém a ele ligado!

(1) – Gilmar Mendes: ‘milícias do Rio podem emprestar um soldado e um cabo’

(2) – Fux é eleito presidente do STF e diz que respeitará independência dos Poderes dentro da Constituição

(3) – Acho difícil superar a pandemia com esse desgoverno, diz Cármen Lúcia

6 thoughts on “Em dia de pacificação, três torpedos disparados por ministros do STF contra o presidente.

  1. Desde quando senhor Puggina?!!!!!
    Essa resposta todos nós sabemos; desde que o PR “rasgou” as bandeiras de campanha e foi fazer “pacto com os demônios” para salvar seu clã.
    No início do governo eles estavam “pianinhos” lembra-se?!!!

  2. Estimado CN, até gostava de ler o Puggina, recebo mensagens com suas publicações, mas diante dessa aloprada e destrambelhada defesa que faz dessa escória, fico abismado e encafifado. Aliás, defender quaisquer desses poderosos pindoramenses é deveras desalentador. Como ensinou Millôr: “Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. Oremos! Abraço.

    • Mas, é isso que ele está fazendo. Ele está fazendo oposição ao nosso imperador, e a mais alguns interpretadores supremos.

      PS: E vocês não fazem oposição, vocês são do contra.

  3. Acabaram-se as restrições aos autos?
    Ministro virou comentarista político militante?
    Fazem juízo de valor fora dos processos e não se dão por impedidos na hora de julgar?
    Por outro lado, queriam ferrar o Moro por ter ferrado o Lula, agora o Moro quer ferrar o Bolsonaro.
    A esquerda perdida deveria montar uma metalúrgica ferraria, ferradura para os de casa e blindagem para os ladrões do meio ativista.

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