Em discurso sobre eleição, Gleisi evita mencionar a candidatura de Haddad

Gleisi falou por 10 minutos e não citou Haddad

Patrícia Campos Mello
Folha

Em discurso de 10 minutos na abertura do seminário ameaças à democracia promovido pela Fundação Perseu Abramo, a presidente do PT, Gleisi Hoffman, não citou nem uma única vez Fernando Haddad, candidato à Presidência do PT que substituiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na chapa do partido nesta terça-feira (11).

“Lutamos até o último minuto para que nossa suprema corte revisse esse processo injusto (que impediu Lula de concorrer), mas não conseguimos”, disse Gleisi. “Tanto o Lula quanto o PT avaliaram que iríamos substituir a candidatura de Lula e concorrer às eleições”, disse ela, sem referir-se à candidatura de Haddad.

LEGITIMIDADE – A presidente da legenda afirmou que o fato de Lula não participar das eleições já desestabiliza o processo porque, segundo ela, uma parcela grande da população não poderá exercer livremente seu direito de voto. “Não estamos totalmente certos de que essa eleição ocorra em ambiente normal, vai depender muito do desempenho que o PT vai ter. Para a frágil economia brasileira, isso é muito grave”.

Gleisi citou as declarações do comandante do exército, general Eduardo Villas Bôas, que afirmou nesta semana que a legitimidade do próximo governo pode ser questionada.

“Não é normal uma democracia onde o comandante do exército dá declarações dizendo estar preocupado com o processo eleitoral”, disse Gleisi.

CRÍTICAS – No seminário, organizado pelo ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ex-líderes europeus criticaram a prisão de Lula. O ex-primeiro-ministro italiano Massimo D’Alema, que visitou Lula na prisão em Curitiba na quinta-feira, afirmou que Lula “está um pouco mais magro, e machucado por seu julgamento injusto, mas não está fundamentalmente diferente”. “Lula continua com a mesma visão, a mesma determinação lúcida, e falou mais sobre a fome no mundo do que sobre seus problemas.”

O ex-primeiro-ministro da frança, Dominique de Villepin, afirmou que o Brasil está em um momento decisivo. “O Brasil vive um ponto de inflexão nesta eleição: ou escolhe o caminho das regras democráticas ou vai em direção à violência política, a mais ódio e medo, em uma ventura sem fim como já vimos na América Latina e outros países, é retroceder na história.”

 

20 thoughts on “Em discurso sobre eleição, Gleisi evita mencionar a candidatura de Haddad

  1. A pesquisa da XP para o segundo turno mostra Jair Bolsonaro praticamente empatado com seus principais adversários.

    Ele tem 36% contra 37% de Geraldo Alckmin, 36% contra 37% de Marina Silva, 35% contra 40% de Ciro Gomes e 40% contra 38% de Fernando Haddad.

    O candidato do PT perde de 10 pontos percentuais na disputa direta com Geraldo Alckmin: 38% a 28%.

  2. Acho que está marcando .
    Saiu o Ibope do RS o Haddad foi para segundo e o Paim se reelege , vamos esperar o Datafolha .

  3. Para esses fanáticos, Lula é deus. Seria uma afronta ao criador citar o nome do Haddad. Na verdade, seria uma blasfêmia, um pecado, preterir a divindade em prol de quem é apenas um anjo.
    E parece que eles ainda não desistiram do deus chegar à Presidência…

  4. A Policia Federal e o General Tecnobit….

    A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo, Tania Prado, vê com extrema preocupação a declaração vinda de um dos candidatos a vice-presidência do Brasil, sinalizando indesejável hipertrofia do Poder Executivo e promovendo desequilíbrio entre os Poderes da União, e questiona os efeitos disso na estabilidade do país, nas relações jurídicas e, sobretudo, no funcionamento das instituições de Estado.

    “É imprescindível saber o que se planeja para o conteúdo da nova Constituição, sugerida pelo general, e que essa proposta seja incluída com transparência e clareza no programa de governo da chapa, enviado ao TSE”, diz. “Tudo o que o Brasil não precisa é de uma Constituição outorgada, imposta, como a de 1937, com supressão das estruturas que hoje estão funcionando no tocante à responsabilização de corruptos e organizações criminosas. O processo de depuração pelo qual passa o país se deu graças ao sistema de freios e contrapesos previstos justamente na Constituição vigente”, acrescenta.

    • -Pelo texto da intelectual, até parece que ela mora em um país sério, por isso se preocupa com a harmonia e o tamanho dos “nobres poderes” para que qualquer mudança não venha a prejudicar ou comprometer o tão lindo e eficiente funcionamento do Estado.

      -Até parece que ela mora em um lugar que não seja comandado pelo crime organizado e que o presidente não seja um bandido – que só não está preso por conta de privilégios -, por isso se dá ao trabalho de pregar a virgindade e a pureza dos atos dos governantes se esquecendo de saber, ou se esquivando de dizer, que reside em uma zona.
      Zona ética, zona política e/ou zona de guerra. A escolha é livre.

      -Até parece que ela mora na Suíça.

    • Sim, os políticos fizeram uma merda de constituição que tem uma só finalidade: proteger eles mesmos. E, afora, quem sempre falou mal agora virou uma virgem celeste? Tem sim, que fazer uma nova constituição que não tenha nem uma marca de qualquer político do país. E, tem sim, que ser referendada em plebiscito.

    • Plebiscito é consulta feita antes de se apresentar uma determinada medida, implica numa opção entre uma coisa e outra. Para aprovar um texto legal depois de ser apresentado, se aplica o Referendo, com as opções Sim para aceitar, Não para recusar.

  5. “A revolução dos bichos” autor George Orwell.
    Caramba o pt executa exatamente como está escrito.
    Primeiro “esquecem” pessoas no caso o Haddad que deveria ter toda atenção do partido.
    Segundo:Endeusam o apedeuta e o mesmo se diz preocupado com a fome no mundo como se não tivesse usado e abusado dos cartões corporativos vide o da rose mari.
    Este livro devia ser a cartilha nas escolas, para ficar no imo do povo os cuidados que tem que se ter com os hipócritas.
    Depois que eles ‘tomarem’ o poder e destruir o país, vão colocar a culpa na classe média, em todos para ‘distrair’ o povo, como a Kirchener fazia com o Jornal Clarim, na Argentina.
    Não podemos deixar esta “corja” tomar o poder. Isto se ainda tivermos tempo.

    • -Virgilio, de acordo com essas pesquisas, todo o santo dia as pessoas mudam de candidato: “-Já que eu vou trocar a cueca, aproveito e troco de candidato também.”
      -Ou será que é porque eles entrevistam diferentes bolsões eleitorais a cada dia?

  6. A imbrochavel rejeição do Bozzonaro aumentou .
    Vamos aos números:

    Bolsonaro: 44%
    Marina: 30%
    Haddad: 26%
    Alckmin: 25%
    Ciro: 21%
    Vera: 19%
    Cabo Daciolo: 18%
    Eymael: 17%
    Boulos: 17%
    Meirelles: 17%
    Alvaro Dias: 16%
    João Goulart Filho: 14%
    Amoêdo: 15%

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