Em disputa o trofu “Quem Sofreu Mais”

Carlos Chagas

Enquanto o Supremo Tribunal Federal discute se a anistia apagou crimes de tortura cometidos por agentes do estado poca do regime militar, escorregam os dois principais candidatos sucesso presidencial para uma competio incua e desnecessria. Provocados ou por espontnea vontade, Dilma Rousseff e Jos Serra esmeram-se em declarar, uma, que sofreu no pau-de-arara e recebeu choques eltricos, e o outro, que deixou o pas para no ser morto, tendo sido perseguido no Chile at por diplomatas brasileiros l sediados.

Trata-se de uma disputa que no leva a nada. Por mais que o Brasil no perdoe nem esquea o vandalismo praticado nos idos da ditadura, como tambm no pode perdoar nem esquecer a morte de inocentes nas mos dos terroristas, melhor fariam os dois pretendentes ao palcio do Planalto se estivessem voltados para o futuro. Para planos e programas de governo destinados a desfazer os variados ns que ainda obstruem o desenvolvimento nacional.

Valeria deixar para a mais alta corte nacional de justia a deciso a respeito da abertura de processos contra implicados nas leses aos direitos humanos. O risco da reabertura do fosso que durante duas dcadas dividiu a nao. Ainda h pouco dois generais j ancios concederam polmicas e at discutveis entrevistas. Passaram da defesa ao ataque, levantando crticas, mas, tambm, apoio a atos e fatos passados. Seria eficaz para a democracia que esse processo continuasse? Mesmo sem a emisso de juzos de valor a respeito da palavra prxima do Supremo, bom lembrar que a Nova Repblica absorveu os anos de chumbo. V-los ressurgir agora pela palavra de candidatos presidncia da Repblica parece perigoso. Disputando a taa Quem Sofreu Mais, Serra e Dilma perdem excelente oportunidade de analisar o futuro.

No esmoreceram

Passou meio despercebida a notcia de uma reunio entre dirigentes do PT e do PMDB, num hotel pouco movimentado de Braslia, esta semana. A partir do impasse em Minas, voltaram a discutir a hiptese de Michel Temer ser garfado e substitudo por Helio Costa, como companheiro de chapa de Dilma Rousseff. Essa soluo pacificaria os dois partidos, nas Gerais, abrindo chance para Patrus Ananias ou Fernando Pimentel disputarem o palcio da Liberdade.

Uma evidncia parece indiscutvel: se lderes do PT foram propor ao PMDB a troca do candidato a vice, no o fizeram sem consultar o primeiro-companheiro. No ousariam contrariar suas diretrizes cautelosas de deixar as coisas como esto para ver como que ficam.

Ningum duvida de que o presidente Lula vem engolindo a indicao de Michel Temer mais ou menos como deglutiria um sapo de razoveis propores. E como no PMDB o seu presidente tem a maioria, mas jamais a unanimidade, pode explicar-se porque se reuniram sigilosamente personagens dos dois partidos.

H um obstculo nessa tentativa de armao: no combinaram com os russos, conforme aquele singelo episdio envolvendo o Garrincha e Vicente Feola. Hlio Costa no abre mo de candidatar-se ao governo de Minas. E o PT ainda no resolveu quem ser o seu candidato.

O ltimo visitante

A diplomacia brasileira trabalha em unssono para que Barack Obama nos visite ainda este ano. De Celso Amorim a Marco Aurlio Barbosa, as duas faces de nossa poltica externa esmeram-se em criar condies para a vinda do ilustre americano. Seria o coroamento do governo Lula, mesmo sem o complexo de inferioridade que durante dcadas nos assolou. Afinal, o cara teria reconhecida sua importncia no contexto mundial.

No parecem promissoras as perspectivas, em Washington, menos pela agenda carregada do presidente dos Estados Unidos, mais por conta de nosso namoro com o Ir. Ser preciso, primeiro, analisar os resultados da visita do Lula a Teer, agora em maio. Mas se Barack Obama desembarcasse em Braslia, com os tradicionais discursos de exaltao Amrica Latina e ao Brasil, aumentariam ainda mais os ndices de popularidade do nosso presidente.

O Plano B

Existem tucanos entusiasmados com o Plano B da campanha de Jos Serra, que diante da continuao da intransigncia de Acio Neves em aceitar candidatar-se vice-presidncia, encontraria excelente alternativa em Francisco Dornelles, presidente do PP. O diabo que esse partido, formalmente, integra a base do governo Lula. Precisar definir-se, provavelmente em junho, a respeito da candidatura Dilma Rousseff, j contando com forte apoio. Dornelles dispe da imagem da competncia, como ex-ministro de Jos Sarney e de Fernando Henrique, alm de um desempenho firme como senador pelo Rio de Janeiro. Alm do mais, primo de Acio Neves.

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