Em francês, Mourão rebate as críticas do presidente Emmanuel Macron à soja brasileira

Hamilton Mourão

Mourão demonstra que a acusação de Macron foi leviana

Emilly Behnke
Estadão

Em reação a declarações do presidente da França, Emmanuel Macron, sobre o desmatamento na Amazônia e a produção de soja no Brasil, o vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta quarta-feira, 13, que o mandatário francês desconhece a produção de soja brasileira. Como presidente do Conselho Nacional da Amazônia, Mourão destacou que a produção agrícola da região amazônica é “ínfima” e que Macron apenas “externou interesses protecionistas dos agricultores franceses”.

Na terça-feira, 12, em suas redes oficiais, o presidente francês afirmou que “continuar a depender da soja brasileira seria apoiar o desmatamento da Amazônia”.

PRODUZIR NA EUROPA – No vídeo publicado em sua conta oficial do Twitter, o presidente francês fala em “não depender mais” da soja brasileira e produzir o grão na Europa. “Nós somos coerentes com nossas ambições ecológicas, estamos lutando para produzir soja na Europa”, afirmou.

Questionado sobre as declarações nesta quarta, Mourão afirmou, em francês, que Macron não estava bem. “Monsieur Macron? Monsieur Macron n’est pas bien (O Sr. Macron não está bem). Monsieur Macron desconhece a produção de soja no Brasil. Nossa produção de soja é feita no Cerrado ou no Sul do País. A produção agrícola na Amazônia é ínfima”, declarou Mourão para jornalistas na chegada à sala da vice-presidência.

Ele destacou que o Brasil tem menos de 8% da sua área dedicada à agricultura, enquanto a França tem mais de 60%. Apesar disso, avaliou que o país europeu não tem condições de competir com o Brasil na produção de soja. “Nesse aspecto, na questão da produção agrícola damos de 10 a 0 neles (franceses)”, disse.

FAZ PARTE DO JOGO – “Nada mais, nada menos, Macron externou interesses protecionistas dos agricultores franceses, faz parte do jogo político”, opinou. Na avaliação do vice-presidente, a fala do presidente francês não deverá influenciar outros líderes mundiais. “Acho que foi discurso interno.”

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia consultados pelo Estadão/Broadcast, quase 20% das exportações para a União Europeia, bloco do qual os franceses fazem parte, são de soja e farelo de soja produzidos pelo Brasil.

No ano passado, o Brasil exportou US$ 27,1 milhões em soja para a França, além de US$ 544 milhões de farelo de soja, de um total de US$ 1,983 bilhão em embarques para o país europeu. A quantidade recebida pela França pode ser ainda maior considerando dados agregados da produção recebida por portos da Espanha e Países Baixos e depois escoada para demais países europeus.

SEM COMENTÁRIOS – Procurados pela reportagem na terça, os ministérios da Economia e da Agricultura disseram que não comentariam as declarações de Macron. Questionada nesta quarta, a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) orientou procurar novamente o Ministério da Agricultura, que até a publicação deste texto não havia respondido ao pedido de manifestação.

Em nota, a Frente Parlamentar da Agropecuária disse que acompanhou com “constrangimento” a fala de Macron, ligando a produção de soja ao desmatamento. “Somos sustentáveis, cumprimos regras sanitárias e ambientais mais rígidas do que os países competidores e estamos alcançando um padrão de qualidade nunca visto antes, sem aumentar nossa área de plantio. Para a França alcançar o patamar do Brasil, vai precisar conquistar novos territórios, o que a modernidade e a civilidade não permitem mais”, afirmou o deputado Alceu Moreira, presidente da frente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Como se vê, Mourão dá de 10 a 0 em Bolsonaro, que devia pedir para sair e ficar administrando seu patrimônio imobiliário. (C.N)

9 thoughts on “Em francês, Mourão rebate as críticas do presidente Emmanuel Macron à soja brasileira

  1. Deve dar coice em francês também, estúpido… Capacho deste coiso! Tenha dignidade e suicide junto deste jegue e seus seguidores, para o bem de uma Nação destroçada! Credo!

  2. “Como se vê, Mourão dá de 10 a 0 em Bolsonaro, que devia pedir para sair e ficar administrando seu patrimônio imobiliário”.

    Sr. Carlos Newton,
    Concordo que o crápula administre seu patrimônio imobiliário de dentro de Bangu oito! Ele é toda a sua familícia.
    Aliás, todos já deveriam estar vendo o sol nascer quadrado!!
    É o mínimo que eu espero.
    Um forte abraço pro Sr. e desejando melhores dias pra este país que com orgulho no peito chamávamos de Brasil.
    JL

  3. “Para a França alcançar o patamar do Brasil, vai precisar conquistar novos territórios, o que a modernidade e a civilidade não permitem mais”.

    Essas palavras do deputado Alceu Moreira, presidente da frente Frente Parlamentar da Agropecuária são bastantes para se entender o problema.

    Aliás, a França até hoje mantém a Guiana Francesa como seu território. Aliás, a Guiana Francesa é o único território continental nas Américas que ainda está sob a soberania de um país europeu.

    Em comparação com a matriz França na Europa,
    a Guiana Francesa a região enfrenta problemas face a infra-estrutura infinitamente mais pobre, custo de vida bem mais elevado, taxas de criminalidade mais altas e agitação social mais maior.

    A Guiana Francesa não produz soja, mas suas exportações incluem madeira extraída de sua floresta tropical.

    Madeira, viu – respeitável senhor Macron ?

    .

  4. Celso a modernidade hoje realmente manda por $.
    Já estão ventilando a venda de terras para estrangeiros ou então as nações indígenas.
    São muitos atalhos para tomar o que é do Brasil.
    Se não em realidade pelo menos no imaginário dos poderosos estrangeiros o Brasil já está divididinho.

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