Em linguagem acessível, “Mentes perigosas” mostra que os psicopatas estão entre nós

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Como animais predadores, vampiros ou parasitas humanos, esses indivíduos sempre sugam suas presas até o limite improvável de uso e abuso. Na matemática desprezível dos psicopatas, só existe o acréscimo unilateral e predatório, e somente eles são os beneficiados”.

Algumas pessoas aparentam ser leves e delicadas como algodão, mas, na primeira oportunidade, não exitam em nos prejudicar em benefício próprio. É sobre essas pessoas que o livro “Mentes perigosas” trata. 

AUTORA – Ana Beatriz Barbosa Silva é psiquiatra e há anos estuda o Comportamento Humano. Além de seu trabalho na área, é palestrante, escritora e realiza conferências e consultorias. Nesse livro, ela trata sobre características e comportamentos dos psicopatas, pessoas que aparentam total normalidade, mas que, nas palavras da autora, são “frias, manipuladoras, cruéis e destituídas de culpa, remorso ou compaixão”. 

LINGUAGEM ACESSÍVEL – Esse é um livro que cumpre seu objetivo: explica o transtorno de forma clara e numa linguagem acessível. Mesmo quando explica pontos mais específicos da Psicologia, as informações são apresentadas de maneira didática de forma que todos entendam. 

Assim, qualquer um pode ler, mesmo os que não têm noção de conceitos acadêmicos. O raciocínio que a autora constrói é simples, objetivo e responde às principais dúvidas sobre o tema. Ou seja, todos conseguem desfrutar da leitura e arrisco dizer que é uma leitura necessária, principalmente quem gosta de temas relacionados à mente humana. 

Considero esse livro um “manual de proteção”: após a leitura, todos serão capazes de reconhecer pessoas assim e pensar em como tirá-las de suas vidas. 

ELES ESTÃO ENTRE NÓS – Durante a leitura é quase impossível não pensar em várias pessoas que já passaram pela nossa vida ou de algum conhecido. Seja no ambiente de trabalho ou mesmo no âmbito familiar, vários nomes aparecem em nossa mente (pelo menos em relação a algumas características citadas). 

Sob essa perspectiva, a própria autora sempre cita o fato de que psicopatas podem estar em qualquer lugar, e não necessariamente precisam ser violentos. O principal indicador é a falta de empatia e amor. São pessoas manipuladoras, cativantes, inteligentes e pacientes, que vão, aos poucos, “conquistando terreno” até começarem a implementar o caos no ambiente ou relacionamentos ao seu redor. 

EXEMPLOS – Conversei com alguns leitores sobre o livro e muitos mencionaram os exemplos como sendo muito sensacionalistas. Eu, particularmente, achei razoáveis.. Ela defende que psicopatas não precisam ser assassinos e, por isso, além dos exemplos mais extremos, ela inclui casos de estelionatários, que vivem de golpes, e fala até de vítimas de pessoas possessivas e “sem coração”. 

A própria introdução do livro é bem impactante é pode ser um exemplo (mas em forma de parábola). Vale reproduzir o pequeno trecho: 

Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio. O escorpião vinha fazer um pedido:

“Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?”

O sapo respondeu: “Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralisado e vou afundar”.

Disse o escorpião: “Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos”.

Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio.

No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo.

Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: “Por quê? Por quê?”

E o escorpião respondeu: “Por que sou um escorpião e essa é a minha natureza”.

Livro: Mentes perigosas
Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Fontanar (a nova edição é da Principium – selo da Globo Livros)
Páginas: 218

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ALGUNS TRECHOS

  • “Para os psicopatas, a mentira é como um instrumento de trabalho”
  • “Não demonstram a menor vergonha caso sejam flagrados em suas mentiras. Para eles, a culpa é sempre dos outros”
  • “Eles tratam pessoas como ‘coisas’ que, quando não servem mais, são descartadas”
  • “Essas páginas percorrem as mentes sombrias de criaturas cujas vidas parecem não ter se desenvolvido totalmente. Saber identificá-las pode ser um antídoto (talvez o único) contra seu veneno paralisante e mortal”
  • “Os psicopatas estão por toda a parte, e no dia-a-dia é possível encontrá-los em diversas categorias profissionais”
  • “Não se esqueça: psicopatas são incapazes de amar, eles não possuem a consciência genuína que caracteriza a espécie humana”

14 thoughts on “Em linguagem acessível, “Mentes perigosas” mostra que os psicopatas estão entre nós

  1. Excelente indicação de leitura.

    Aparentemente temos agora um psicopata até na presidência da república, e outros que o rodeiam na família e até em equipes de trabalho.

  2. “Como animais predadores, vampiros ou parasitas humanos, esses indivíduos sempre sugam suas presas até o limite improvável de uso e abuso.”

    No campo político, é o retrato dos socialistas.

    • É retrato não somente dos socialistas, mas também de políticos corruptos de quaisquer ideologias, de direita, centro, esquerda… e dos neocaudilhos populistas latinoamericanos.

  3. “Eles tratam pessoas como ‘coisas’ que, quando não servem mais, são descartadas”
    -Se o item acima fosse determinante no conjunto da obra, então eu poderia afirmar: o mundo atual virou um orates a céu aberto! Na sociedade competitiva, resultante do capitalismo canibalesco, essa figura do “usurpador utilitarista”, contemporaneamente, predomina. As pessoas, se não barradas, tendem, instintiva ou premeditadamente, a usar a outra como um papel higiênico!
    Por vezes, a coisa é urdida com uma boa dose de lubrificante ou analgésico, que pessoas desprovidas de discernimento, ou mesmo porque já faz parte do senso comum, sequer atentam:
    Qual diferença há entre um sugador mefistofélico e o exemplo a seguir? Bandidos acabaram de cometer um latrocínio, perseguido pela polícia, jogam o caro em fuga pra cima de um transeunte e atropelam-no. Sabem que a prioridade da polícia é socorrer a vítima. E aí, os exploradores vampíricos também não.levam desgraças a outrem, para se darem bem?

  4. O livro no geral é muito bom, contém dicas e tiradas ótimas, atualíssimo, a parábola do Escorpião e do Sapo que a autora tb usou por ser de domínio público é mais velha do que andar para frente, mas cabe tb no contexto da obra, principalmente no Brasil. Todavia, na minha visão, ela errou feio no percentual de psicopatas estimado em 4% da população, percentual esse que na verdade me parece superior a 30%, para não ser pessimista, até porque, na verdade, a esta altura do campeonato, estamos sobrevivendo em plena era dos psicopatas, principalmente dos loucos por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, que vivem em estado de guerra (desamor total) partidária, tribal, primitiva, permanente e insana capazes de tudo e qualquer coisa para lograr os seus intento$, à moda todos os bônus para ele$ e o resto que se dane com os ônus. Aliás, sinto informá-los que, no Brasil, cerca de 70% dos municípios estão tomados de assalto, nas urnas e no voto, por psicopata$ do tipo acima mencionado. E, a meu ver, o remédio contra essa doença terrível é a Democracia Direta com Meritocracia, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, alicerçado na paz, no amor, no perdão, na conciliação, na união e na mobilização pela Mega-Solução, que tem como foco o sucesso pleno do bem comum do conjunto da população.

  5. O livro indicado pela Júlia Aquino, bem que poderia ter um título mais específico, mas reuniria, paradoxalmente, as mais variáveis formas de psicopatias existentes:

    “Parlamentares, mentes perigosas.”

    A bem da verdade, as patologias existentes com relação aos distúrbios mentais ou comportamentos considerados sociopatas, afirmo que são CONSEQUÊNCIAS dos tempos atuais.

    A espécie humana sempre sofreu com as mudanças, reformas políticas e religiosas, novas bases sociais ou aumento nas dificuldades para sobreviver.
    Entretanto, a partir da explosão industrial, quando as distâncias entre as classes sociais passaram a ser maiores, o trabalhador vem sendo roubado, explorado e manipulado de maneiras sórdida e cruel.

    Na década de sessenta, quando a propaganda tomou vulto, o consumo mais ainda selecionou o ser humano entre aqueles que podiam comprar e os que jamais poderiam ter as mercadorias divulgadas.

    Nossas instabilidades políticas, planos econômicos, mudanças de moedas, inflação, o surgimento da corrupção avassaladora e imbatível, o sistema econômico cada vez mais forte, juros escorchantes, consumo desenfreado para se estar na moda ou de acordo com o que determinavam colunistas sociais e as novelas, perda do emprego, ensino frágil, fuga da escola, faculdades que não eram finalizadas, aumento da pobreza e da miséria, medo de se sair de casa, sexo desbragado e irresponsável, propaganda maciça de um nível de vida impossível para a maioria do povo brasileiro, convenhamos, haja condição mental e estabilidade emocional para suportar tantas variáveis que incidem sobre a existência justamente dos mais necessitados!

    Em decorrência dessas incompatibilidades entre o ser e o ter, com o patrimônio obtido valendo mais que o caráter e a personalidade, os conflitos seriam inexoráveis entre o que se gostaria de ser com o que se é ou naquilo que se tornou o indivíduo, ocasionando as frustrações e depressões.

    A maioria das pessoas foge dos problemas tentando esconder a realidade, e passa a viver em um mundo só seu, o alienado, aquele que não quer saber de nada e nada o perturba e o incomoda;
    uma outra parte deseja vingar-se da vida que tem.

    Transtornados pela situação, a falta de futuro, as imensas dificuldades no dia a dia, dívidas, falta de dinheiro, sem crédito, sem carro, sem casa, casamentos desfeitos, filhos abandonados à própria sorte, drogas, AIDS, falta de ensino para se conquistar cargos melhores, a única reação adequada para alguns é cobrar, de quem quer que seja, o ônus da sua existência insignificante, desprezada pelos poderes, familiares, amigos que não os possui, a vida que lhes foi madrasta.

    Digo mais:
    acho que até temos muito poucos casos onde as patologias mentais são causadoras de violências desmedidas, com exceção do dependente químico atrás da droga para se acalmar, matando quem lhe impedir a manutenção do seu vínculo com a existência, por pior e mais humilhante que esta seja na verdade.

    Dito isso, certamente um estudo mais aprofundado não sobre as consequências de hoje o ser humano se encontrar nesse patamar, mas as razões pelas quais atingiu esse estágio de intranquilidade e desequilíbrio, creio que os resultados apontariam inicialmente as injustiças sociais.
    Enquanto poucos gozam as delícias dos extremos, a maioria absoluta sofre e pena com a carência, e de saber que suas vidas iniciaram e terminarão do mesmo jeito ou até piores!

    Quem seriam os verdadeiros responsáveis pelo surgimento das “mentes perigosas”?!

    Quando um livro aparecer no mercado abordando essas questões com propriedade, estudos meticulosos, resultados obtidos de análises criteriosas, quero ser o primeiro a comprá-lo.

    Mentes perigosas, a indicação em tela, pode ser um livro interessante, mas deixa em aberto justamente os porquês de nossas perturbações e desvios de caráter e personalidade.

    Volto a dizer:
    um pesquisador/escritor/analista/psiquiatra, deveria se dedicar a esse estudo, de até onde os poderes constituídos seriam os causadores de sociopatias, os responsáveis diretos de nossas mudanças comportamentais, e a busca incessante de compensações pelos danos e prejuízos que nos ocasionam diuturnamente!

    Parabenizo Júlia de Aquino que, eventualmente, tem deixado suas sugestões literárias para articulistas, comentaristas e leitores da TI.

    O Newton bem que poderia abrir uma página para Júlia, onde semanalmente ela postaria os títulos mais em conta tanto na sua opinião, quanto às críticas publicadas.

    Saudações e meus respeitos Júlia.

  6. Caros tribunários,
    A faca é o de menos… mais cortante que qualquer arma branca, é a mente doentia e torturadora de um psicopata.
    Temos um excelente exemplo que anda livre leve e solto…
    Concordam que a faca é o de menos?
    rsrs…
    Cordialmente.

    • Tem que se tomar cuidado com impressões tiradas de descrições simplistas para nao confundir e resultar em preconceito errado com relação às pessoas portadoras de transtornos da personalidade do comportamento humano.

      Quem define um sujeito com essa ou aquele é, respectivamente, o médico psiquiatra e o psicólogo.

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