Em matéria de Egito, o embaixador brasileiro merece o Prêmio Nobel da Desinformação. Deu sucessivas entrevistas, “analisando” a situação, e não acertou nada. Disse até que “os militares não querem o poder”. Ha!Ha!Ha!

Helio Fernandes

É difícil resistir, com a Globo, Net, Globonews deixando o microfone para o embaixador do Brasil no Egito dizer o que quiser. Deslumbrado, vai “transmitindo” enxurrada de tolices. Como digo no título, sabe pouco mas tenta influir. Está no Cairo, não acerta uma “notícia”, tudo é opinião, quer mesmo é aparecer.

De anteontem, saiu ontem em manchete, no Rio e São Paulo: “Não existe tese (tese?) de golpe de militares”. Estes não querem outra coisa, tentaram manter Mubarak até setembro, quase 7 meses.

Poucos sabem o que está acontecendo no Egito, a multidão está nas ruas, longe do embaixador do Brasil. E nos bastidores do governo, o embaixador fala o que quer e o que finge que “apurou”. O chanceler Patriota devia mandar o embaixador ficar em silêncio. E Dona Dilma tem que “cobrar” do chanceler a parlapatice do embaixador.

As notas eram as mais desencontradas. À 9 da manhã de ontem, uma agência de notícias (ligada aos americanos) dizia: “Mubarak está viajando para fora do país, não se sabe para onde”. Às 14 horas, mais “informações”  não confirmadas (e portanto, muito mais um “informe” do que “informação”, garantida na fonte).

Aí completavam: “Mubarak e o vice renunciaram e podem passar o cargo a um CONSELHO DE MILITARES”. Agora constatem a divergência das palavras. RENUNCIARAM era no efetivo e definitivo. Já a possibilidade do Conselho Militar, era no condicional. Esse Conselho Militar PODERIA ASSUMIR.

Além do mais, tudo que ninguém quer, no Egito e fora do Egito, é um grupo, chamem como quiserem, assumindo o Poder. Eles estão mandando no país há mais de 30 anos, o que é que mudaria? Nada, lógico.

No início da semana, o mundo assistiu reunião do “governo” do Egito, eram 17 militares. Não havia um civil que fosse. Os militares do Egito, dominam de 40 a 50 por cento de tudo que existe no país. Esses militares farão o que com Mubarak? E com o país?

A multidão revoltada, que não sai das ruas, vai se exasperando, se revoltando, protestando de todas as maneiras. Mas está percebendo que não há saída ou solução para eles. Os militares falam em governo de COALIZÃO, mas o povo entende que o que eles querem mesmo é governo de COLISÃO.

Mubarak dizia anteontem pela manhã: “Não vou renunciar, o povo me adora, eu passei a vida pensando neles”. Menos de 24 horas depois, renunciava à Presidência do Egito, cargo que ocupava há 30 anos.

O anúncio da renúncia foi feito pelo vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, na TV estatal. Mas ele não vai assumir. Motivo: o ex-presidente entregou o poder aos militares. Logo, logo foi divulgado (por fontes extra-oficiais) que o ministro da Defesa do Egito, Mohamed Hussein Tantawi, vai chefiar o Conselho Militar que assumiu o controle do país. A TV al-Arabiya informou que o conselho vai demitir o gabinete e suspender as duas casas do Parlamento.

O embaixador brasileiro (nem vou citar o nome dele, por piedade) acertou em cheio: os militares não queriam o poder. Ha!Ha!Ha! O ilustre diplomata perdeu uma grande oportunidade de ficar calado. Mas quem resiste e um microfone de TV, ou a dois microfones, ou a vários microfones?

***

PS – Em todo o país, centenas de milhares de pessoas comemoram a queda do ex-ditador, que deixou o Cairo horas antes de sua renúncia ser anunciada. Bela comemoração, que não vai dar em nada.

PS2 – Os militares, que sempre mandaram, vão continuar mandando. Vão alegar que o mais antigo país do mundo ainda não está “maduro” para uma democracia.

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