Em matéria de televisão, a Globo recebia a CONCESSÃO, e fazia todas as CONCESSÕES.

Carlos Frederico Alverga:
“Pergunto a você, Helio, que sabe tudo: depois do fim da TV Tupi, no final da década de setenta, início da de 80, o governo da época, do general Figueiredo, escolheu dar a concessão da extinta TUPI ao Sílvio Santos, excluindo o JB e também o Grupo Abril, os quais, na visão da direita militar, eram mais críticos ao regime do que o dócil e subserviente Sílvio Santos (Senor Abravanel). Foi isso mesmo que aconteceu?”

Comentário de Helio Fernandes:
Quase, Alverga, mas um pouco longe no tempo. A TV Tupi, trazida para o Brasil por Chateaubriand em 1950, teve pouco tempo de liderança. Instalada no antigo Cassino da Urca, (o jogo acabou em 1946, a Tupi começou em 50), foi a única durante algum tempo. Mas logo surgiram outros canais: a TV Rio e duas de São Paulo. A TV Rio era comandada pelo jovem Walter Clark, que mais tarde iria para a TV Globo, que surgiria em 1965.

(Joe Wallach, agora com 86 anos, o único americano que Roberto Marinho aproveitou da Time-Life, deu entrevista à revista Trip. E disse textualmente: “Walter Clark foi o único gênio da televisão brasileira. Da TV Rio foi para a Globo, todo o PADRÃO DE QUALIDADE DA GLOBO é dele, não do Boni”.)

(Wallach, que ficou o tempo todo na Globo e se aposentou maravilhosamente, continua, estou reproduzindo o que diz e que eu conhecia, mas com a profundidade e a participação dele: “O Boni ficou na Tupi, o Walter fez tudo na Globo, criou coisas nas quais nem acreditávamos e se transformaram em sucesso completo”).

(Terminando, a entrevista é longa: “Infelizmente, o Walter Clark começou a beber, de tal maneira, que não se aguentava em pé. Um dia, em plena ditadura, com a direção da Globo recebida para jantar pelo presidente (Geisel), começou a criticar violentamente o próprio presidente, e caiu desmaiado. Foi demitido sumariamente”.)

A TV Tupi foi se aguentando, Chateaubriand morreu em 1968, mas já “estava fora do ar e longe de tudo há algum tempo”. A TV Globo levou um
período para se impor, a partir dos anos 70, dominou o Rio, e SURPREENDENTE e ILEGALMENTE, São Paulo.

Figueiredo não teve participação em nada ou em pouca coisa. O “Jornal do Brasil” teve interesse verdadeiro na televisão, em 1965 (isso com precisão), já havia mandado até um grande jornalista (Carlos Lemos) para Londres, estudar como funcionava a BBC. E se aprofundar nos meandros da televisão.

Tendo a TV Globo afastado a Time-Life, conseguiu se livrar do Grupo Jornal do Brasil, com a mesma justificativa: “A lei não permite televisões estrangeiras funcionando no Brasil”. Era verdade. E ficou com todo o equipamento da americana e impediu a TV JB de funcionar. Se não fosse isso, o JB não morreria, de afirmaria em cima da Globo. (Roberto Marinho sabia das coisas).

***

PS – Quanto à pergunta final, Alverga, ela se responde pela própria análise, tua, do Carlos Lanchetta e de muitos que colocam as mesmas dúvidas e interrogações.

PS2 – Ninguém era tão subserviente quanto Roberto Marinho, basta ver o fato, I-R-R-E-S-P-O-N-D-Í-V-E-L: a Organização começou ali, se firmou pela reciprocidade, recebia CONCESSÃO, fazia todas as CONCESSÕES. Essa é a forma mais eficiente para obter sucesso no capitalismo. Ou até mesmo em outros regimes.

PS3 – Quanto ao Grupo Abril, (ou Civita) não ganhou canal de televisão, era estrangeiro, a lei não permitia. Mas tão SUBSERVIENTES quanto Roberto marinho, basta ver o passado deles.

PS4 – Italianos, praticaram tantas irregularidades, que tiveram que FUGIR, para não serem presos.

PS5 – Foram para a Argentina, os métodos eram os mesmos, EXPULSOS. Descobriram o “sonho americano”, desembarcaram nos Estados Unidos.

PS6- Apanhados em FLAGRANTE, fizeram ACORDO. Em vez de presos, vieram para o Brasil fundar uma revista, a SUJÍSSIMA VEJA. Em 1968. O que é que 1968 nos lembra, além do monstruoso e selvagem AI-5?

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