Em meio à crise, é preciso que cada brasileiro reflita sobre seu papel na política

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É cada vez mais pronunciada pela população brasileira a expressão “todo político é ladrão”. Realmente, tal afirmativa tem a sua razão de ser, visto que os representantes do povo no Congresso, em sua maioria, não atendem aos anseios daqueles que os colocaram lá. Daí a generalização, que significa uma reação de protesto.

Generalização à parte – pois o ato de generalizar é uma das maiores fragilidades de argumentação de nossa época –, é aferível que os recentes escândalos de corrupção e o descaso com a coisa pública contribuem decididamente para pensamentos como estes.

Mesmo partilhando esse sentimento que transborda da indignação manifestada pela maioria de nossa população frente às imoralidades e ao tergiversar inconsequente de quem nos representa, é necessário ponderar que devemos tirar a “política” deste debate.

NOSSAS REGRAS – É bom dizer que a política, em sua essência (original), deve ser compreendida como uma atividade criada para que nós, homens e mulheres que fazemos a sociedade, possamos decidir as regras pelas quais viveremos e os objetivos que buscaremos coletivamente. Em seu cerne, portanto, a atividade política é alicerçada no desenvolvimento de óticas, ideias e conceitos com o propósito de definir e defender o que almejamos.

A junção das bases formadoras da política com a noção aristotélica de que a vida em sociedade, por meio da razão, é que nos faz humanos, e isso remete à difundida visão de que nós, seres humanos, realmente somos por natureza animais políticos. Sendo assim, como podemos questionar nossa importância?

CLASSE POLÍTICA – Não podemos cair na armadilha de nos esquivarmos de nossa responsabilidade, para o escapismo de atribuir ao “Sistema” toda a culpa. Seria muito cômodo. Da mesma maneira, não confundamos a “política”, um elemento fundamental para a elevação coletiva e cuja aversão é um símbolo de falta de consciência, com a “classe política”, que em grande parte está desmoralizada e míope.

A velha proposição que política é uma questão muito séria para ser deixada para os políticos vem a calhar. Reflitamos sobre o nosso papel.

 

 

17 thoughts on “Em meio à crise, é preciso que cada brasileiro reflita sobre seu papel na política

  1. Procurei a matéria sobre Sócrates indicada pelo Jorge e minha dedução leva-me a curvar-me diante a triste realidade apresentada pelo professor Carlos Chagas no tema “O PASSADO DO FRACASSO, OU O FUTURO DA FRUSTRAÇÃO.”
    Mais de seis mil anos de ideologias mostram a verdade do tema do Carlos Chagas de modo que dizer que o voto é uma arma do povo e que estamos assim é porque o povo não sabe escolher, é um argumento tão frágil quanto a generalização, pois, o mal esta na massa, o caráter da massa. Esgotou-se as alternativas para sonhos; estamos entre voltar AO PASSADO DO FRACASSO, OU O FUTURO DA FRUSTRAÇÃO.

  2. Eu sempre pensei e ainda penso, que a política é a “carteira de identidade” de um povo.
    Jamais vai se conseguir mudar a política sem antes mudar o povo.
    Político não cai do céu, nem vem do estrangeiro, saem todos do meio da população e quando estes não prestam, o povo é melhor?
    O Que dizer do povo do Rio de Janeiro, que deixou de votar na juíza Denize Frossard, para votar no Sergio Cabral?
    Políticos que tiveram que renunciar para não serem cassados, na eleição seguinte voltam com votações consagradoras, quem os conduziu novamente?
    O povo não aprendeu a votar, o estado talvez seja o maior culpado, por não educar a população e deixar que vigaristas passem a manipular o poder.
    Num pais onde existam foro privilegiado, prisão especial, todo tipo de discriminação como este agora que beneficiou a mulher do Cabral e outras tantas mazela, o cidadão acha que política é isso mesmo, roubar o máximo que puder e se dar bem na vida.
    Quando o pais não é sério, não adianta, nada pode fazer o indivíduo mudar a sua atitude e tentar reparar as coisa, porque mesmo que seja bem intencionado, se não for um vigarista e enganador, jamais conseguirá ser eleito para qualquer coisa. A prática nos ensina, que no Brasil, política é para quem não tem vergonha.
    O envergonhado não consegue nem sair de casa, se sair e levar a vergonha junto, esta liquidado, o povo gosta é de político espalhafatoso e camaleônico.

  3. Não me parece que o povo rejeite a política – o que eles rejeitam é a classe política rasteira que temos no Brasil. E garanto que não vamos resolver esse problema com reflexão. O problema exige participação de todos, mas principalmente dos mais educados, hábeis em argumentar e liderar. O pobre não tem nem tempo nem educação para promover revolução de costumes e é alvo fácil para os demagogos.

  4. O que não podemos aceitar é a confusão propositada entre Política e Democracia com partidarismo-eleitoral, golpismo-ditatorial e plutocracia, com jeitão de cleptocracia e ares fétidos de bandidocracia, que é o que vigora no Brasil, fantasiada de democracia e política.

  5. Amigos Tribunário
    A imensa maioria da sociedade não sabe o que é POLÍTICA.
    basta falar-se para dize que “odeiam os políticos”.
    Ora, ser político é pensar na sociedade, ou seja, pensar no conjunto e não em si.
    Confundir partidos com política mostra a falta de cultura, de conhecimento e de discernimento da maioria das pessoas.
    Confundem educação com ensino, liberdade com libertinagem, público com privado e por ai afora. Filosofia? Para que?
    Aprender? Para que? Já tem tudo no “tio google” e com um contol”c” control”v” se copia tudo.
    O que vale é o “WhatsApp, facebook” e tudo mais que lhe coloque no mundo e lhe traga informações mesmo que supérfluas.
    Algum tempo atrás, escrevi sobre a relação estatuto/regimento/pessoas nas entidades.
    Com partidos é a mesma coisa. A lei pode ser perfeita, mas se os indivíduos puderem, para seu benefício ou dos seus, rasgam tudo e nada vale.
    Acreditem, tudo começa e termina nas pessoas.
    Assim, ou melhoramos a qualidade intelectual e moral das pessoas ou continuaremos, no conjunto, sendo uma sociedade de segunda classe – cidadãos de raça inferior.
    Não existe estado sério com povo corrupto. Também não existe corrupto com cidadãos sérios!
    Fallavena

    • Vamos ser mais simples, seu Antonio. Não me parece haver confusão entre política, político e partido. Não se trata de cultura ou refinamento ou o que quer que seja. O povo entende essas nuances, mas ele também sabe ser pragmático. Ele quer educação, segurança, saúde e futuro para os descendentes. Se isso vem com política, político ou partido não interessa – o que interessa é o resultado.
      Aqueles que podem precisam agir, pressionar as instituições, mostrar o descontentamento com o status quo.
      Nós temos que nos ver livres dos canalhas e tentar renovar as instituições, embora tenhamos contra nós o STF e o Legislativo. O primeiro coopera com a corrupção acobertando ladrões e o outro legisla em proveito próprio.

  6. A frágil democracia brasileira e sua política inconstante, flexível, permitiram que várias teses e hipóteses fossem lançadas com a finalidade de se encontrar uma conclusão a respeito do comportamento dos Três Poderes com relação ao povo e país.

    Neste página mesmo, onde vários comentários postados respondem ao correto e sério artigo de César Cavalcanti, muitas são as opiniões registradas advindas de outras considerações, mas não elegemos uma que seja a verdadeira, a legítima, aquela que explicaria e justificaria a situação ora reinante no Brasil, e que tanto faz o povo padecer!

    Perfeito ao se alegar que o parlamentar é originário do povo, e traz consigo os defeitos de uma sociedade omissa e alienada;

    Nada contra eu ter lido o descaso do brasileiro sobre a política e, em consequência, deixando de cumprir com as suas obrigações neste sentido;

    Também aceito que elegemos mal, que temos uma certa preferência pelo candidato histriônico, pelo boquirroto, parlapatão;

    Assim como votamos em candidatos sabidamente corruptos e desonestos, haja vista a promessa desse indivíduo de conseguir vagas ou benefícios a seus eleitores.

    No entanto, este elenco de possíveis explicações não se aprofunda na causa de o cidadão continuar nesta conduta que tanto o prejudica quanto à nação, então a pergunta, em decorrência,
    Por quê?!

    Índole, educação, caráter, o clima do país, o Judiciário?!

    Aonde estaria a verdadeira origem de o povo admitir e aceitar ser comandado por corruptos e desonestos, e de repudiar a política, que o coloca sempre como perdedor?!

    A meu ver, precisamos voltar no tempo, e basta resgatarmos a Proclamação da República até os dias de hoje para constatarmos que o cidadão brasileiro, a população, sempre foi posta de lado pelos presidentes.

    O povo sempre foi coadjuvante, jamais o verdadeiro interesse de seus governantes.

    Latifundiários, cafeeiros, produtores de leite, mais tarde os industriais e depois os comerciantes, da construção de Brasília até o momento atual as grandes empreiteiras, e desde o Império os banqueiros, essas elites permanecem no poder indefinidamente.

    Elegem ou não quem eles querem, mudam as leis conforme suas conveniências, e mantém os poder nas suas mãos, de acordo com as fortunas que possuem.

    Legislativo e Judiciário perceberam que deveriam se transformar em castas, e assim obtiveram seus êxitos, de modo que o poder civil de certa forma se aliasse ao constitucional e, unidos, lucrassem como nunca antes registrado, com a corrupção e desonestidade indiscutivelmente instituídas!

    Evidente que se trata de uma relação indecorosa, imoral, antiética, mas poderosa, imbatível, pois consegue manter impunes os criminosos que eles querem, evidentemente!

    Quanto ao povo, temos a tradição em consequência de sempre estar de fora dos grandes acontecimentos nacionais, de obedecer e outorgar poderes.

    Permitimos que essas raízes de pessoas obedientes e resignadas à própria sorte registrassem esse rótulo, que nada podemos fazer para mudar este quadro, então repudiamos os políticos, rejeitamos a política, na razão direta que abandonamos a nós mesmos e o poder que teríamos tanto como eleitores quanto de sermos os legítimos proprietários do Brasil!

    Aceitamos pacificamente que a polícia, depois o Exército, mais uma vez a polícia, ajam em nome de uma ordem que moralmente não existe, pois os poderes constituídos e cúmplices das elites que ao longo do tempo dilapidam o patrimônio nacional e nos esmagam com impostos e carências nas áreas vitais ao povo e país, não deveria a polícia obedecer a poderes abjetos e deletérios, corruptos, desonestos e sem qualquer autoridade moral para nos afastar das decisões que nos dizem respeito diretamente, como agora, com relação às reformas da Previdência e Leis Trabalhistas!

    Justamente os inimigos do povo, que nos submetem às suas políticas prejudiciais e danosas à nação e cidadania, decidirão mais uma vez o nosso futuro que, de uma forma risível, imaginamos que um dia de greve irá fazê-los mudar de intenção!

    Ora, tal medida determinada por sindicatos e associações que falsamente representam o trabalhador, entendem que não ir trabalhar é causar prejuízos a nossos patrões e deixar o governo em palpos de aranha!

    Muito mais de que ingênuos, essas entidades transbordam de cinismo e hipocrisia, haja vista representarem, na verdade, os poderes constituídos porque escolhidos por estes para conduzir a massa trabalhadora, pois a greve de amanhã concede ao parlamento mais um dia de ausência em plenário, de gozarem a fortuna que amealham em salários e indenizações, enquanto muitos de nós correrão o risco de perder os seus empregos!

    Justamente porque dentro de cada um de nós existe a máxima de, obedecer e outorgar poderes, menos de desobedecer e não conceder poder para qualquer um mal intencionado, mentiroso, enganador, corrupto e desonesto, pois o poder me pertence, é meu, que vou concedê-lo para quem eu quiser!

    Falta-nos altivez, orgulho como brasileiro, vontade de exercer o poder, consequentemente transferimos para gente de má índole, mau caráter, mal intencionada, o que seria de nossa responsabilidade, de nossa decisão, justamente porque pensamos antes que devemos OBEDECER E OUTORGAR PODERES!

    No dia que levantarmos a cabeça e nos dermos por conta que podemos ver o sol e não apenas o seu reflexo, que enxergamos o céu e não através das águas dos lagos, rios e mares, que podemos caminhar para onde quisermos e não porque nos indicaram o caminho, que temos condições de decidir sobre o que queremos para nós mesmos, para nossas vidas e de nossos filhos e familiares, elegeremos gente verdadeiramente do povo, e não pessoas que apenas nasceram no mesmo país e moram nas mesmas cidades, mas não pertencem à massa, que não nos entendem, que seguem seus movimentos políticos, suas ideologias, mas nos deixam de lado, não nos consideram, e que os elegemos porque ainda por cima aceitamos que temos a obrigação de votar quando, na verdade, podemos até não sair de casa para nos dirigirmos às zonas eleitorais, basta querer!

    Esta greve idiota, mal conduzida, que premia vagabundos para aproveitarem mais um dia do feriadão, se fosse para valer deveria ser feita em Brasília, e com milhares de brasileiros ocupando o Congresso e Planalto simultaneamente, protestando, gritando, esbravejando que estão nos explorando, que estão nos transformando em escravos, que estão acabando com o nosso futuro, mas na capital federal, no local onde os corruptos e desonestos decidem por nós, e que somente obedecemos e outorgamos poderes, desgraçadamente!

    Belo artigo, César, pois proporciona a chance de pensarmos, de debatermos, de discutirmos o que queremos para nós, se continuarmos obedientes e omissos ou, então, nos erguermos como homens e dizer em alto e bom som que, quem manda em mim sou eu mesmo, e não ladrões e desonestos!

    Um abraço.
    Saúde e paz.

    • Prezado amigo Francisco Bendl,

      Agradeço, de coração,teu precioso comentário.
      Os elogios me envaideceram.

      Muita saúde e paz.

      Abraço.

  7. Quem pratica a politica, no Brasil, é única e exclusivamente a ‘classe politica’, mandando ferro em toda a população…

    Política, no Brasil, é um bife a cavalo,
    ou um cheese-burguer, com 2 ovos….

  8. O que acontece de verdade é muito simples. Nas últimas décadas a economia, principalmente representada pelas grandes empresas oligopolistas, a mídia corporativa e o setor financeiro subjugaram total e completamente a política. Existem artigos que explicitam como o Estado Brasileiro foi sequestrado pelos banqueiros. Nesse contexto, a atividade política é inócua e o discurso político torna-se vazio e desprovido de verdade. É disso que provém as grandes frustrações que temos tido no Brasil, principalmente desde a redemocratização em 1985. Tudo que se falar sobre Política é apenas um discurso teórico, mas que não acontece na realidade.

  9. Já que o texto está indo para o arquivo, agradeço a todos comentaristas que prestigiaram o texto com suas opiniões.

    Abração a todos.

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