Em plena crise, o Tribunal de Justiça do Rio tripudia e humilha seus servidores

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Charge do Dum (dumilustrador.blogspot.com)

Paulo Peres

Em meio ao pacote de maldades do pseudo governador Pezão, os servidores do Estado do Rio de Janeiro estão com pagamentos atrasados, enquanto a cúpula do Tribunal de Justiça do RJ faz a festa de alguns magistrados. Os diretores do Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do RJ (Sind-Justiça), Fred Barcellos, Ramon Carrero e Alzimar Andrade,  afirmam que os servidores estão com os vencimentos congelados há quase três anos e em greve há quase três meses. E o Tribunal, que diz não ter dinheiro atualizar os salários, inclusive de aposentados e  pensionistas, descobre uma “sobra orçamentária” e a gasta integralmente comprando férias e licenças de magistrados (direito que os servidores não têm) e contratando garçons por 14 milhões de reais (533 mil reais por mês), para servir lanches, chazinhos, sucos e água de coco, pagos por nós, contribuintes, à cúpula da magistratura. E tem servidor que ainda tem medo de lutar por seus direitos

CASA GRANDE E SENZALA – Diz a nota oficial emitida pelos diretores do Sind-Justiça: “Em que momento deixamos de nos indignar com isso? Por que aceitamos como normais estes absurdos que mostram que o Judiciário é uma enorme Casa Grande e que nós entramos como senzala, em pleno século XXI. Não adianta você compartilhar textos dizendo que na Suécia os magistrados não têm nem secretários, andam de metrô e ganham salários “apenas” dignos, ao contrário da farra que acontece aqui no Tribunal, se você não move uma palha para mudar isso.” 

Não adianta você fingir se ofender quando vê magistrados recebendo cem mil reais neste mês e comprando carro zero quilômetro com o dinheiro de venda das férias, se você não quer mudar isso. Não adianta você reclamar nos corredores que as coisas estão difíceis, se a sua omissão é a principal causa de estarmos nesta situação. Não adianta você curtir textos e aplaudir discursos, se isso não é acompanhado de uma boa dose de indignação e de coragem para fazer a diferença, explicam os coordenadores. 

Não adianta você culpar o Sindicato, a crise, o governo, o presidente, a corregedora ou o NUR se é você que permite que te tratem como o nada que você mesmo acaba aceitando que é.  Não adianta você inventar as melhores desculpas para si mesmo se, no fundo, nem você acredita no que diz para justificar a sua omissão.  Não adianta repetir o mantra de que “ainda estamos recebendo em dia”, porque você sabe que se esperarmos não receber em dia, estaremos iguais aos demais servidores, que hoje recebem com 3 meses de atraso e não têm mais forças para lutar. 

“Não adianta nada disso… a única coisa que adianta é você trocar as desculpas pela coragem, juntar-se aos colegas que lutam e mudar a historia da categoria da qual você faz parte. Falta muito pouco para o fim desta luta histórica. Não vamos retornar sem negociar. A Administração já sabe disso. O Tribunal que divulga mediação e discursa sobre “valorização” tem que ser o primeiro a dar o exemplo.Não estamos pedindo favores. Queremos respeito. Mas só pode exigir respeito quem se dá ao respeito. Você está fazendo isso?”, finalizam os dirigentes do Sind-Justiça, um sindicato que não tem presidente, é administrado por um colegiado e não está vinculado a nenhum partido político ou central sindical.

20 thoughts on “Em plena crise, o Tribunal de Justiça do Rio tripudia e humilha seus servidores

  1. Excelente texto. Parabens. O TJRJ é um Tribunal que merece estudo. Merece, também, uma intervenção séria do CNJ. Ao que parece, vivem num mundo a parte, só pensam em seus carros importados e suas férias, parte na Europa, EUA e em países como Vietnam, Tailandia etc e tals

  2. Economia 11.01.17 07:38

    O Globo destaca que a indústria do Rio obteve 13 liminares garantindo a empresas incentivos tributários concedidos pelo estado.

    “Elas teriam de devolver todo mês, a partir do dia 31 de janeiro, 10% do benefício a um fundo que pretende arrecadar R$ 220 milhões para pagar salários de servidores. Um grupo de empresas fluminenses trava na Justiça uma batalha contra o governo do estado para tentar derrubar uma lei que, na prática, reduz incentivos fiscais para custear salários de servidores.”

    Traduzindo: vão tentar manter a ‘Bolsa-empresário’ consolidada na era petista.

  3. Fato emblemático da situação caótica que vivemos hj no estado do Rio de Janeiro:

    ” O jornalista Mário Filho foi o maior entusiasta da construção do Maracanã. Liderou uma campanha pela obra com energia militante e fervor patriótico. “Acreditar no estádio é acreditar no Brasil”, martelava, nas páginas cor de rosa do saudoso “Jornal dos Sports”.

    Depois de morto, o irmão de Nelson Rodrigues emprestaria o nome ao templo do futebol. O colosso de concreto foi rebatizado de estádio Mário Filho, embora os torcedores continuassem a chamá-lo de Maracanã —ou simplesmente Maraca.

    O palco que consagrou os dribles de Garrincha e os gols de Pelé e Zico não existe mais. Depois de sucessivas reformas, foi desfigurado a pretexto de atender aos desejos da Fifa. Uma coalizão de políticos e cartolas rasgou as leis de tombamento, demoliu a marquise histórica e conseguiu encolher até o gramado.

    O preço dos ingressos disparou, e o estádio perdeu o título de maior do mundo, a não ser em superfaturamento. O custo da reforma começou em R$ 700 milhões e chegou à incrível cifra de R$ 1,2 bilhão.

    As operações Lava Jato e Calicute ajudam a explicar os motivos. De acordo com as investigações, o ex-governador Sérgio Cabral cobrou pedágio de 5% sobre o valor total da obra. O Tribunal de Contas do Estado, que fez vistas grossas, é suspeito de embolsar propina de 1%.

    Se a desgraça não era pouca, ficou ainda maior depois da Olimpíada. Quando a festa acabou, o comitê da Rio-2016 entregou o estádio em ruínas, com o campo esburacado, vidros quebrados e um desfalque de 7.000 cadeiras na arquibancada. A Odebrecht quer devolver o elefante branco ao Estado, que não tem dinheiro nem para pagar salários de médicos e professores.

    Abandonado e sem luz, o Maracanã agora é alvo de uma onda de saques. A última vítima foi o busto de Mário Filho, roubado nesta segunda (9). Pensando bem, ele não merecia continuar lá para ver o que fizeram com o estádio.”

    http://m.folha.uol.com.br/colunas/bernardomellofranco/2017/01/1848774-roubaram-ate-o-mario.shtml?mobile

    • Copa do Mundo e Olimpíada na sequência, eis o resultado.Aconteceu o mesmo na maioria dos países que realizaram tais eventos.Sábia decisão tomou a prefeita de Roma, que dispensou a candidatura para 2.024.

  4. ” O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Rio de Janeiro, Wladimir Reale, entrou com representação junto à Comissão de Ética da Alta Administração do Governo do Estado, pedindo a exoneração do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, por improbidade administrativa.
    Segundo a representação, encaminhada no último dia 22, ao presidente da CEAA e secretário de Estado da Casa Civil, Regis Fichtner, Beltrame está incriminado em “fatos gravíssimos”, por ter agido com “má-fé” perante a Justiça e ter sido nomeado, irregularmente, em passado recente, delegado federal, no concurso público promovido pela Academia Nacional de Polícia, em 1993, cujo prazo de validade já estava vencido.
    “Tanto a nomeação como delegado quanto sua permanência como secretário de estado ferem a ética e a legalidade”, protesta o presidente da Adepol, que, em março de 2012, moveu uma representação contra Mariano Beltrame, junto à Procuradoria da República Federal de Brasília, visando a promoção de ação civil pública.
    Nessa representação, a Adepol relata a nomeação ilegal de Beltrame, que foi classificado em 896° lugar para um concurso cujo edital previa o preenchimento de apenas 200 vagas. “Ele perdeu todas as suas ações individuais que já se encontram transitadas em julgado, inclusive no STF”, frisa Wladimir Reale. ”
    Link :
    http://sospoliciaismilitares.blogspot.com.br/2013/02/associacao-dos-delegados-de-policia-do.html?m=1

    • Sem contar que a Uerj que tem mais de 28.000 alunos , um hospital e uma policlínica está para fechar.
      Ela foi fundada em 1930 e é a melhor avaliação Capes do Brasil na área de educação.

  5. Cade austeridade fiscal, isonomia, cortar na própria carne, valorização dos servidores públicos (que a imprensa traduz como corporativismo para o baixo clero) e a mesma imprensa se omite por questões obvias de interesse próprio.

  6. TRIBUNAL FAZ CONVÊNIO DE ESTACIONAMENTO PARA ALUNOS DA EMERJ NO MENEZES CORTES
    Por Direção Geral em 11/01/2017
    Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 2017.

    AO

    TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

    Dr. Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho

    Exmo. Presidente,

    O Sind-Justiça – Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro – neste ato representado por seus diretores gerais Fred Barcellos, Ramon Carrera e Alzimar Andrade, vem expor e ao final requerer o que se segue.

    Foi publicado no Diário Eletrônico desta segunda-feira, 9, sob o número 2611860, pág. 43, comunicado da Emerj, com o seguinte teor:

    “Convênio firmado entre a Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro ((EMERJ) e o Terminal Garagem Menezes Côrtes (TGMC), celebrado em 06/12/2016, cujo objeto é a utilização de vagas de estacionamento de automóvel nas dependências e propriedade do TGMC, única e exclusivamente para alunos da EMERJ, que vierem a ser habilitados por esta, junto ao TGMC, com vigência de 12 (doze) meses, abrangendo o período de 01/01/2017 a 31/12/2017.”

    Como é cediço, a Emerj depende de recursos públicos oriundos dos cofres do Tribunal de Justiça e, ao que se sabe, os alunos da Emerj não possuem qualquer vínculo com o Poder Judiciário. Destaque-se, ainda, que os servidores concursados desta Casa, há muito reclamam das dificuldades de estacionamento, mormente porque as vagas ao derredor do Tribunal são todas, sem qualquer motivo aparente, demarcadas e direcionadas apenas para a cúpula do Tribunal, incluindo a própria Emerj.

    Assim sendo, independentemente de o convênio envolver simples concessão de desconto para os alunos ou o direito à vaga de forma gratuita, arcada pelo Tribunal, informamos que os servidores desta Casa possuem idêntico interesse, já que são concursados deste Tribunal e possuem vínculo permanente com a instituição. Assim sendo, em nome da transparência e da lei da informação, requeremos que V. Exa. informe:

    1) Existe algum ônus para a Emerj ou para o Tribunal, neste convênio, sob qualquer forma?

    2) Qual será a fonte dos recursos que custearão estas vagas?

    3) Quantas vagas estão sendo destinadas exclusivamente aos alunos da Emerj?

    4) Há previsão de ressarcimento integral por parte dos alunos da Emerj de eventuais custos?

    5) Solicitamos que V. Exa. nos forneça, em 48h, cópia do convênio firmado, para que haja a devida publicidade dos termos do que foi acordado, para eventual discussão junto ao CNJ.

    Destacamos, por fim, que a preocupação do Sind-Justiça tem por motivação o correto uso dos recursos deste Tribunal, aliado à necessidade de transparência e agravado pelas recentes denúncias envolvendo a Alerj, coincidentemente envolvendo o mesmo tema (pagamento de vagas cativas no TGMC), que causou escândalo e comoção social, o que ora pretendemos evitar em defesa da imagem do Tribunal de Justiça.

    Desde já, agradecemos a atenção e desejamos que V. Exa. tenha um final de gestão voltado para o reconhecimento dos nossos direitos constitucionais, o cumprimento da Constituição e das leis e, principalmente, a efetiva valorização dos servidores, a qual aguardamos ansiosamente durante toda esta gestão.

    Atenciosamente,

    Fred Barcellos

    Ramon Carrera

    Alzimar Andrade

  7. COMEÇAM AS NEGOCIAÇÕES
    Por Direção Geral em 11/01/2017

    1) OAB ingressou com ação contra o Sind-Justiça e sofreu fragorosa derrota. Tentou impor a presença de 80% dos servidores nas serventias e o corte de ponto dos servidores. A Magistrada deferiu apenas o que nós já fazemos, ou seja, manutenção de 30% do efetivo para o cumprimento de medidas emergenciais.

    Esta decisão tem um alcance muito maior do que pretendia a OAB. Por via transversa, a magistrada reconheceu a legalidade de nossa greve. Ela não determinou a ilegalidade. Não mandou que retornássemos. Não mandou atender a todos os casos. Apenas reconheceu o nosso direito de greve, desde que mantenhamos 30% para urgências, o que já vimos fazendo.

    A nossa greve é legal. Nós já sabíamos disso. E agora a OAB e a Administração também sabem.

    2) Houve duas reuniões importantes hoje com a Administração. Pela manhã, durou uma hora e meia. Foi tentado um acordo. Foram feitas algumas propostas. Marcou-se nova reunião para a tarde. Mais uma hora de reunião. Não chegamos a um acordo, infelizmente. Mas estamos a caminho de uma solução. Não vamos antecipar os termos do que foi discutido, porque já que não se chegou a um acordo ainda, seria criar expectativas que podem não se confirmar. O Sind não precisa vender ilusão. Quando tivermos uma proposta efetiva, iniciaremos as assembleias em todo o Estado para a categoria decidir. Até lá, continuamos em greve.

    Foi mais uma tentativa do Sind-Justiça no sentido de construir uma saída para a categoria. Sempre estamos abertos ao diálogo. O presidente se comprometeu a voltar a falar conosco na sexta-feira. Vamos aguardar. Não temos pressa. Principalmente agora que temos o aval da Justiça para continuar a nossa greve, que é justa e legítima.

    Estas negociações só foram possíveis graças à forte greve da categoria. Infelizmente, alguns colegas têm saído da greve quando nos aproximamos do período mais importante, em que dependemos da força da categoria para termos força nas negociações. Não há nenhum motivo para colegas que estão na luta conosco há dois meses e meio saírem agora, sem qualquer conquista ainda, quando estamos tão perto de obtê-la. A nossa greve é legal. Quem diz é a Justiça federal. Qual a próxima desculpa?

    3) Os diretores Fred Barcellos e Ramon Carrera estiveram hoje em Brasília. Conversaram com a equipe do Relator do processo. Os assessores reconheceram a omissão em relação ao provimento 125 da Corregedoria, já que a decisão foi dada fazendo menção ao provimento 123, mas, evidentemente, o teor é o mesmo. Comprometeram-se a falar com o Relator ainda hoje. Estamos aguardando uma solução em breve.

    4) PRECISAMOS DE TODOS OS COLEGAS. O Sind-Justiça derrubou no CNJ as maldades da Corregedoria. O Sind-Justiça derrubou na Justiça Federal as mentiras da OAB. O Sind-Justiça conseguiu o reconhecimento da greve como legal. Temos tomado todas as precauções para que o movimento, que é justo e legítimo, chegue ao fim logo com conquistas para categoria. O único que ainda parece não acreditar na força da greve é o próprio servidor, que ainda corre para as serventias no primeiro grito ilegal da Corregedoria.

    Só vamos sair desta greve com um bom acordo se tivermos o respaldo da categoria. E para isso precisamos de você.Junte-se a nós. Precisamos manter a greve cada vez mais forte. Não importa o tempo que leve. Importa o direito que temos. E do qual não vamos abrir mão. Não temos o direito de abrir mão dos nossos direitos. A gestão está próximo do fim. A nossa luta também.

    Na sexta-feira, vamos conversar novamente para ouvir a proposta da Administração. Em respeito à negociação que foi aberta, deixamos de encaminhar aos jornais hoje o material que preparamos. Em uma demonstração de boa vontade e de busca do diálogo, vamos aguardar até esta sexta-feira.

    Se a greve não tivesse a força necessária, a OAB não estaria nos processando (e perdendo) e a Administração não estaria preocupada. Pare de dar ouvidos a boatos de quem só quer desestimular os colegas para justificar a sua própria omissão e pare de ter medo de ameaças ilegais da Corregedoria. Lute ao lado dos seus colegas. É a nossa única chance de vitória, porque o ano que começa será tão ou mais terrível do que o anterior.

    Se aprovarem o novo pacote de maldades costurado por Pezão e Temer, teremos muita luta. É melhor praticar desde já, porque vamos precisar.Continue confiando no trabalho do Sind-Justiça. Continue confiando na força da categoria. Continue confiando em você. Juntos, somos fortes! Nesta quinta, às 14h, protesto em frente ao TJ!

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