Em pleno preparativo para a Copa e a Olimpíada, o crime toma conta das ruas do Rio de Janeiro, enquanto o governador, candidamente, ainda julga que vivemos “no melhor dos mundos”.

Helio Fernandes

Durou pouco, muito pouco, o projeto de marketing político armado pelo governador serginho cabralzinho filhinho para arrasar os adversários. Durou pouco, mas foi suficiente para ele se reeleger, folgadamente. Agora é preciso voltar à realidade.

Menos de dois meses depois da eleição, não somente restou provado que as famosas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) não resolvem a grave questão da saúde, como também as UPPs (Unidades de Policiamento Permanente) não solucionam nem diminuem a questão da criminalidade, muito pelo contrário.

Nas favelas pacificadas, já se sabe que houve um pacto sinistro entre autoridades e traficantes, com aceitação tácita do comércio de drogas, desde que não chame atenção nem haja tiroteios e balas perdidas. Traduzindo: o tráfico permanece, em clima ameno, e os jovens PMS que foram lotados nessas UPPs (quase todos são novatos) correm o risco de ficar ricos – se é que vocês me entendem, como dizia o genial cronista Maneco Muller, o “Jacinto de Thormes”.

Em linguajar claro; para os traficantes, fica muito mais barato subornar os policiais (que ganham salários irrisórios para arriscar a vida, embora uma coisa não justifique a outra) do que manter os custosos aparatos de “soldados e olheiros”, com armas e munições.

Outro efeito colateral do projeto de marketing político de cabralzinho, mais do que esperado, era o crime dominar as ruas. É claro que os soldados do tráfico, que perderam “o trabalho” nos morros onde já existem UPPs, não tardariam a arranjar outras ocupações. Esta é uma explicação mais do que lógica.

Pode-se argumentar que o aumento da criminalidade nas ruas tem mil explicações, é claro. Mas algumas são mais evidentes. Exemplo: a polícia não mais controla o trânsito. Antes, era a PM que cuidava disso, depois passaram para a Guarda Municipal e agora quem faz o serviço são uns jovens terceirizados que usam macacões azuis e verdes, bem espalhafatosos, e ficam apitando sem parar, enlouquecendo os moradores das proximidades.

Em Nova Iorque e outras grandes cidades, é exatamente o contrário. Quem controla o trânsito é a polícia. O motivo é óbvio. Com essa estratégia, em cada esquina há um policial armado, que pode reagir contra os criminosos e chamar reforços a qualquer momento. Funciona? Claro que sim. A cidade fica visivelmente policiada.

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PS – O que não funciona e nunca vai funcionar é o projeto de Sérgio Cabral. O Rio de Janeiro tem mais de mil favelas. Já perdi a conta. O governo não possui contingente policial nem mesmo para patrulhar as ruas, os crimes ocorrem até em frente ao Palácio do governador, como se viu novamente esta semana, é um achincalhe. E ainda há quem aplauda a política de segurança de Sérgio Cabral.

PS2 – O mesmo descalabro se verifica na área da Saúde, em que a prioridade são as UPAs, enquanto os grandes hospitais literalmente agonizam, a exemplo de seus pacientes que não conseguem acesso às UTIs, nem mesmo munidos de determinação judicial.

PS3 – Sergiinho cabralzinho diz que este é seu último mandato e pretende abandonar a política. Já vai tarde. Deveria ter se dedicado a outra ocupação. Seria um excelente publicitário, um marqueteiro de primeira.

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