Em protesto contra apoio de jornal à filha de Fujimori, Vargas Llosa deixa de publicar sua coluna.

Carlos Newton

Era só o que faltava. O prêmio Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa, desistiu de seguir publicando sua coluna “Pedra de Toque” no jornal peruano “El Comercio”, ao qual acusou, por carta, de ter se tornado uma “máquina de propaganda” da candidatura da direitista Keiko Fujimori.

“El Comercio” é uma espécie de “O Globo” peruano, pois a organização é proprietária também dos jornais “Perú21”, “Gestión”, “Trome” e “Depor”, assim como do “Canal N” de televisão a cabo. Além disso, é acionista majoritário da “América TV”, canal mais importante do país.

“Em seu afã de impedir por todos os meios a vitória de Ollanta Humala, “El Comercio” viola as mais elementares noções de objetividade e de ética jornalísticas”, afirma o escritor. “Silencia e manipula a informação, deforma os fatos, abre suas páginas às mentiras e calúnias que possam danificar o adversário, enquanto em todo o grupo de comunicação (que possui) demite ou intimida os jornalistas independentes”.

“Não posso permitir que minha coluna ‘Pedra de Toque’ continue sendo publicada nessa caricatura do que deve ser um órgão de expressão genuinamente livre, pluralista e democrático”, enfatiza ao pedir ao diário espanhol “El País” – que divulga suas colunas em vários países – que deixe de enviar suas colaborações ao “El Comercio”, jornal mais antigo do Peru.

O escritor apoia o candidato de esquerda Ollanta Humala no segundo turno das eleições presidenciais de 5 de junho contra a fujimorista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão em 2009 por violações dos Direito Humanos durante seu mandato.

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