Em qualquer país, a classe média é uma fonte inesgotável de recursos para os governos. Basta ter criatividade na hora de inventar novos impostos

Carlos Newton 

A internet tornou-se um manancial inesgotável de conhecimento e cultura. Interessante destacar que é um meio democrático de educação, já disponível a considerável parte da população (elite e classe média), embora as camadas mais pobres, como sempre, sigam marginalizadas.

Vamos reproduzir abaixo um histórico diálogo que circula na web, mostrando como a classe média era explorada pela realeza da França no século XVII, em pleno reinado de Luís XIV de Bourbon, que nasceu em 1638, na cidade de Saint Germain-en-Laye, e morreu em Versalhes, em 1715.

Conhecido como “Rei-Sol”, foi o maior monarca absolutista da França, e reinou de 1643 a 1715. A ele é atribuída a famosa frase: “L’État c’est moi” (O Estado sou eu), apesar de grande parte dos historiadores achar que isso é apenas um mito. Construiu o Palácio dos Inválidos e o luxuoso Palácio de Versalhes, perto de Paris, onde morreu em 1715, cercado das mais fantásticas mordomias.

Durante o reinado de Luis XIV, houve um diálogo que entrou na História, travado por Jean Baptiste Colbert (ministro de estado) e Jules Mazarin (cardeal e primeiro-ministro da França). Vejam este diálogo histórico e reflitam sobre sua atualidade.

O interessante é que a dinâmica da história consegue ser, nas decisões de gabinete, simples e ao mesmo tempo irônica e mordaz, sem perder a dramaticidade e a sincronia com o tempo futuro. Ou seja, tudo se revoluciona e muda para permanecer exatamente com as mesmas cores de fundo, com o mesmo drama.

Colbert: Para arrecadar dinheiro, há um momento em que enganar (o contribuinte) já não é possível. Eu gostaria que me explicasse como é que é possível continuar a gastar, quando já se está endividado até ao pescoço…

Mazarin: Se é um simples mortal, lógico, quando ele está coberto de dívidas, vai parar na prisão. Mas o Estado… o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!

Colbert: Ah, sim? O Senhor acha isso mesmo? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de obter se já criamos todos os impostos imagináveis?

Mazarin: Criam-se outros.

Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarin: Sim, é impossível.

Colbert: E então os ricos?

 Mazarin: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

 Colbert: Então como havemos de fazer?

 Mazarin: Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente situada entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos, mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tiramos. É um reservatório inesgotável!

***

Esta sensacional e reveladora troca de idéias, retirada do livro “Diálogos de Estado”, mostra que já faz muito tempo que a classe média vem sendo chamada para pagar as contas de um Estado que tudo quer, mas pouco oferece em matéria de contrapartidas sociais.

No Brasil, a classe média está espremida entre a miséria absoluta e a riqueza total. Poucos países no mundo têm essa disparidade aqui verificada. Em nosso país, ninguém repara que um trabalhador (ministro do Supremo que acumula serviço no TSE) pode ganhar um salário 54 vezes maior do que o de outro trabalhador (salário mínimo), além de receber vantagens especiais que lhe são reservadas, como apartamento funcional gratuito (sem pagar nem condomínio), carro com motorista, plano de saúde grátis e tudo o mais.

Enquanto houver essa disparidade entre o menor e o maior salário, jamais se poderá dizer que exista justiça social, seja no Brasil ou em qualquer outra parte do mundo. Como dizia o genial pensador inglês Lord Kenneth Clark: “Civilização, nunca vi nenhuma. Mas tenho certeza de que, se algum dia encontrar uma, saberei reconhecer”.

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