Em recuperação judicial, Grupo Abril ganha tempo para equilibrar as finanças

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No momento está sendo preparado o plano de recuperação

José Carlos Werneck

Foi com muito pesar que tomei conhecimento de que, prestes a completar 70 anos de existência, o Grupo Abril, responsável pela edição das revistas Veja e Exame, além de outras consagradas publicações, ingressou com um pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira, 15 de agosto. A medida, prevista em lei, serve para que a empresa possa buscar um novo equilíbrio de suas contas, que, segundo o Grupo, foram afetadas nos últimos anos por uma combinação de duas forças negativas.

Uma delas é a ruptura tecnológica que atinge mundialmente as atividades de comunicação, incluindo o jornalismo e a publicidade. A outra diz respeito aos impactos da profunda crise no Brasil, cuja marca mais evidente foi uma queda acumulada de 10% no produto interno bruto per capita, causando a perda de milhões de empregos e dificuldades para inúmeras empresas.

FORMALIZAÇÃO – O pedido de recuperação judicial foi formalizado nesta quinta-feira, através do sistema eletrônico disponibilizado pela Justiça, e será objeto de análise por um juiz de Vara Empresarial nas próximas semanas.

Após ser aprovado, o plano de recuperação judicial será apresentado num prazo de 60 dias aos credores da companhia. A dívida submetida à proposta de recuperação judicial é de 1,6 bilhão de reais. O mecanismo da recuperação prevê um período de 180 dias em que a companhia não pode ser executada, para que a dívida seja renovada após a negociação da empresa com seus credores.

TRADIÇÃO – Fundada por Victor Civita, a Editora Abril fez parte da vida de várias gerações de brasileiros, através de publicações em diversas áreas, do entretenimento à educação e à cultura.

Sua bela trajetória sempre foi marcada pela inovação editorial, com o lançamento de títulos que se tornaram icônicos, desde as revistas infantis da Disney, com o pioneiro Pato Donald, até a revista “Veja”, a maior semanal do Brasil e uma das maiores do mundo e que está completando 50 anos.

Outras publicações, como “Claudia”, considerada a mais importante revista feminina brasileira, e “Quatro Rodas”, leitura imprescindível para os apreciadores de automóveis, e a quinzenal “Exame” publicada há 51 anos, dedicada a economia, negócios, finanças e carreira. Atualmente “Exame” é também o maior site dessas áreas no Brasil, atingindo cerca de 25 milhões de visualizações por mês.

AOS MILHÕES – As revistas da Abril totalizam uma tiragem total de 5 milhões de exemplares mensais e possuem mais de 60 milhões de seguidores em redes sociais. Essa popularidade advém no fato de que a Abril se constituiu em uma verdadeira escola do jornalismo.

A qualidade do trabalho feito por suas revistas e sites é de reconhecida há décadas, mas especialmente hoje é valorizada, quando o público busca se orientar e se proteger contra as notícias falsas.

Não obstante a estes fatores, o ambiente econômico desfavorável e os desafios da mudança tecnológica levaram a empresa a fazer sucessivas reformulações operacionais nos últimos anos, fazendo que vários títulos tivessem sua publicação interrompida, mesmo com a empresa já se movendo na área digital.

Para enfrentar estes problemas, a família Civita, controladora do Grupo Abril, contratou a consultoria internacional Alvarez & Marsal para fazer um trabalho de reestruturação organizacional.

Que tenham êxito e voltem com mais força e retomem a importância que sempre tiveram na Imprensa brasileira.

19 thoughts on “Em recuperação judicial, Grupo Abril ganha tempo para equilibrar as finanças

  1. A Abril teve vários tropeços com a sua linha editorial e com isso foi perdendo os seus leitores. Enquanto foi uma editora independente teve milhões de leitores e quando em um dado momento se atirou para a esquerda, perdeu aqueles que realmente liam e a sustentavam. Fui assinante por mais de vinte anos e quando mudaram de lado, fiz a minha parte. Cancelei as minhas assinaturas.

  2. Não há muito que lamentar. A Abril, principalmente a Veja, há muito deixou de fazer jornalismo para passar a vender propaganda ideológica. A Veja é apenas a imagem espelhada da Carta Capital.
    De modo geral a nossa grande imprensa está mais preocupada em defender interesses econômicos do que em investigar. Lembram como todas as grandes revistas saíram em defesa dos grandes frigoríficos contra a Polícia Federal, quando da operação carne fraca?

  3. Sonhar não é proibido. Com a dívida que contraiu, a empresa jamais vai se recuperar. Os donos devem ter tirado o possível do Caixa e agora fornecedores e credores vão ficar chupando dedo. Já era pedra cantada há mais de 4 anos pelo Paulo Henrique Amorim. A próxima, segundo o jornalista comunista, é a Globo.

    • .. A Rádio Jovem Tucapan vai pelo mesmo caminho…..
      Quando secar a fonte do dinheiro público, aqueles jornalistas amestrados vão ter de segurar placas de emprego na Praça Ramos de Azevedo e Barão de Itapetininga para livrar o pão com mortadela (sem queijo derretido). do dia….

  4. Minha família toda cancelou a assinatura a partir do momento que a revista “veja” mudou para “espia”. Começou fake news direto, matérias falsas e pobres e diz que me diz e enganação da sociedade, perdemos o prazer de ler boas matéria, que de fato informavam, como era antes de mudar para a esquerda.

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