Em relação aos políticos, somos coniventes ou idiotas?

Luiz Tito
O Tempo

A discussão sobre a propriedade ou não das doações privadas às campanhas eleitorais, muito motivadas pelos últimos escândalos que envolveram empresas fornecedoras da Petrobras, estão se desenvolvendo como se o que agora fora revelado fosse coisa inimaginável, um sinal dos tempos. Há décadas que as eleições no Brasil são financiadas dessa mesma forma, com empreiteiras, bancos, laboratórios, empresas multinacionais de variados setores destacando em seus orçamentos verbas consideráveis para transferir a candidatos e a seus partidos para custear a farra eleitoral. No capítulo das doações oficiais, esse é mais ou menos o quadro.

Há também, sabe-se, de candidatos financiados pelo jogo do bicho, pelo tráfico de drogas e outros fora da lei, cujos valores doados, por razões óbvias, ficam apenas nos caderninhos que vez ou outra a polícia apreende e divulga. As prestações de contas, junto à Justiça Eleitoral, ou revelam generosos aportes quase sempre das mesmas empresas feitos a candidatos muitas vezes concorrentes aos mesmos cargos ou apresentam mágicas, de candidatos que conseguiram sua eleição sem quase gastarem um tostão.

Elegem-se, dizem e eu acredito, com suas ideias, levadas pelo apoio de cabos eleitorais (isso ainda existe) e a eficácia do papelório com retratos, frases de compromisso e textos de farto lero-lero.

SALÁRIOS IMORAIS

O país não suporta mais o custo de eleições a cada dois anos. Não pode se manter mais o funcionamento, como se dá, de câmaras municipais, de assembleias legislativas, da Câmara Federal e do Senado com salários imorais, verbas de representação e cerimoniais, desperdício permanente, uma conjugação de gastos e investimentos que desrespeitam princípios elementares de moralidade pública.

Não tem sentido a quantidade de assessores, secretárias, prédios, material de escritório, equipamentos que são disponibilizados para muito pouco resultado. Todos sabem desses absurdos e nem no momento das eleições isso vem à tona. Simplesmente elegemos ou reelegemos os mesmos, aqueles que se nutrem e aos seus grupos dessas manobras. Uma criminosa podridão.

QUARENTA PARTIDOS

Cessaram os debates sobre o voto obrigatório, sobre a coincidência das eleições, sobre a obrigatoriedade de destinação fixa do orçamento nacional, dos Estados e municípios para o funcionamento dos legislativos. Não se falou mais sobre o voto distrital, sobre a representatividade dos partidos organizados às dúzias, sobre os tempos de TV e rádio para a propaganda eleitoral que viraram moeda.

Isso mesmo: monetizou-se o direito dos partidos ao tempo da propaganda gratuita e por isso temos quase quarenta partidos recebendo dinheiro público do Fundo Partidário e nada se faz para acabar com essa impropriedade. Nada. Em 2016 teremos eleições, em 2018 também e assim seguiremos. Pagando e votando. Jogando dinheiro fora e aplaudindo. Que idiotas somos!

5 thoughts on “Em relação aos políticos, somos coniventes ou idiotas?

  1. Quanto a este assunto não sou conivente e nem idiota. Pois, há mais de vinte anos deixei de votar mesmo não tendo atingido ainda a idade limite. Não dá para acreditar num grupo em que quase sua totalidade são um bando de inúteis e aproveitadores. Que sempre legislam em causa própria. O povo para este bando de sanguessugas só existem na época das eleições. Para mim um monte de merda e os políticos são a mesma coisa.

  2. É o retrato colorido, digital, irretocável, do sistema armado desde 1500 ou, 1808, como prefere uma corrente de pensamento, para nos acharcar com impostos escorchantes para manter essa farra. Trabalhamos cinco meses (cinco meses!!!! – quase metade do ano) para sustentar esse bando de gafanhotos insaciável no assalto ao “cofre da viúva.” O Estado brasileiro é como aquele juiz iníquo – que não temia a deus nem respeitava homem algum – da parábola contada por Jesus (Lucas 18: 1-8). Só que, diferentemente da viúva apontada nesta, o povo brasileiro não tem correlação de força política para enfrentar as quadrilhas que se apoderaram do brasil e se empoderam a cada dia que passa. Cada vez mais, vivemos no país do: “O/a senhor(a) sabe com quem está falando?” Também, se formos pensar, vivemos um verdadeiro círculo vicioso nesse país tão rico de povo tão miserável: o povo não evolui porque não estuda e não estuda porque não evolui a ponto de conscientizar-se dos seus direitos e exigir os serviços de primeiro mundo a que tem direito por conta do pagamento de impostos obscenos. Assim, paga-se impostos noruegueses e recebe-se em troca serviços africanos. Tudo para sustentar uma corja de espertalhões encastelados nos três podres poderes que trabalham unicamente para manter seus privilégios dignos das côrtes mais tradicionais mundo afora, enquanto o povo se contenta com cfc (cerveja, futebol e carnaval). A dona presidente, na situação calamitosa em que estamos, resolveu fazer uma dieta e pedalar sua bicicleta importada pelos jardins do Palácio onde vive. Lembra uma certa personagem francesa e seu famoso diálogo: “Por que o povo grita?” “Grita porque não tem pão, Majestade.” ” E por que não comem brioches?” A diferença é que, por aqui, o povo sequer grita, pelo menos enquanto tiver cerveja, carnaval e futebol (agora, funque também). Enquanto o povo morre nas “filas de espera?????????” do SUS (to) – os “donos” da fazenda chamada brasil estabeleceram que até a morte tem que esperar e fica por isso mesmo, embora os servos da gleba morram aos magotes todo os dias, nas tais filas, enquanto pagam Sírio Libanês e redes d’or para os senhores. Por falar nisso, reportagem da revista Exame do mês de Abril mostra como o dono da rede d’or está cada dia mais rico, desde que os donos da fazenda resolveram acabar com a saúde pública e investir dinheiro público nos planos de saúde. É o caso de perguntar, parafraseando aquela senhora distinta: “por que o povo está chorando?” Porque seus familiares estão morrendo por falta de atendimento médico.” “E por que não contratam um plano de saúde, ora?”

    Enquanto isso, no judiciário: o conhecido traficante ‘nem’, da rocinha, foi ab-sol-vi-do esta semana, por uma das varas criminais do tjrj…

    Cazuza cada vez mais atual:

    “Não me convidaram
    Pra esta festa pobre
    Que os homens armaram
    Pra me convencer
    A pagar sem ver
    Toda essa droga
    Que já vem malhada
    Antes de eu nascer…”

  3. Temos sido muito mais idiotas do que qualquer coisa. Somos idiotas porque elegemos sempre os mesmos e também somos idiotas porque não votamos em ninguém. Apenas a força de um voto consciente com alternância de poder e principalmente mudando a cara do legislativo a cada quatro anos, pode mudar o Brasil e entâo deixaremos de ser idiotas.

  4. Assino embaixo, tanto do artigo como dos dois comentários acima.
    Me entristece ver que hoje mesmo, aqui na TI, em outros artigos postados sobre sistema eleitoral, o pessoal prefere discutir alguns remendos no atual sistema.
    Ainda não compreenderam que o problema está na forma de escolher os candidatos. Enquanto forem os donos dos partidos a escolher os candidatos e nos impor o pior, não há nenhuma chance de mudar.
    Os escolhidos devem obediência à quem os escolheu, os donos dos partidos, e não aos eleitores que apenas os referendaram.

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