Em resposta à ameaça de Braga Netto, presidentes de partidos querem rejeitar o voto impresso

Imagem da MatériaLauriberto Pompeu (Estadão) /  Charge do Kacio (Metrópoles)

Os presidentes do PSDB, DEM, MDB, Solidariedade e PSD articulam a derrubada da proposta de emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, defendida pelo governo. O movimento já existia há algumas semanas, mas agora ganhou impulso, após a ameaça do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, de não haver eleições em 2022 caso o Congresso não aprove o voto impresso, conforme revelou o Estadão.

Há outros partidos que são contra a PEC, mas esses são os que encabeçam a linha de frente do movimento para adiantar a votação e rejeitar o texto.

SEM ADIAMENTO – A mobilização dos partidos foi informada pela CNN e confirmada pelo Estadão. Na prática, os partidos se mobilizam para evitar qualquer possibilidade de adiamento da comissão formada para analisar o tema. A ideia é que a proposta seja votada logo na volta do recesso legislativo, na primeira semana de agosto.

“O nosso trabalho é para rejeitar esse absurdo”, disse o presidente do DEM, ACM Neto, ao Estadão. “Essa coisa do Braga Netto acaba reforçando a articulação contra (a PEC)”, declarou o ex-prefeito de Salvador.

Como mostrou o Estadão, a Comissão Especial da Câmara sobre o tema chegou a ter maioria de votos favoráveis para aprovar voto impresso, mas presidentes de partidos e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) agiram para trocar os integrantes da comissão e deixar o texto sem apoio suficiente.

ONZE PARTIDOS – No fim de junho, presidentes de 11 partidos fecharam um posicionamento contra o voto impresso. Os caciques das legendas, incluindo os da base do presidente Jair Bolsonaro no Congresso, decidiram derrubar a proposta discutida na Câmara e patrocinada pelo chefe do Planalto.

Na semana passada, no último dia antes do recesso legislativo, deputados contra a PEC tentaram convocar o colegiado para rejeitar o texto, mas o presidente da comissão, o deputado bolsonarista Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), adiou a votação com uma manobra regimental.

O deputado Fábio Trad (PSD-MS), integrante titular da comissão especial, afirmou que a orientação do seu partido “é para rejeitar”. De acordo com ele, as ações do ministro reforçam as articulações contra a ideia. “Esta ameaça do Braga Netto aumentou a indisposição com a PEC”, declarou.

BANDEIRA DO PLANALTO – Bolsonaro já deu declarações consideradas golpistas ao dizer que “ou fazemos eleições limpas ou não temos eleições”. Bolsonaro afirma, seguidamente, que sem esse mecanismo as eleições serão fraudadas. Ele também repete, sem nunca ter apresentado qualquer prova, que teria vencido a eleição de 2018 já no primeiro turno e que o deputado Aécio Neves (PSDB) venceu a disputa de 2014, algo que o próprio tucano disse não acreditar. 

O voto impresso já foi implantado em caráter experimental nas eleições presidenciais de 2002 — e acabou reprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Naquele ano, para testar o sistema, a medida foi adotada em 150 municípios, atingindo 6,18% do eleitorado. 

“Sua introdução no processo de votação nada agregou em termos de segurança ou transparência. Por outro lado, criou problemas”, apontou um relatório do TSE.

9 thoughts on “Em resposta à ameaça de Braga Netto, presidentes de partidos querem rejeitar o voto impresso

  1. O povo está morrendo á mingua, falta dinheiro pra tudo, mas o Idiota gasta os recursos com motociatas, passeio do filhinho rachadinha a Israel e ainda recria ministério para proteger o parceiro Onyx.

  2. Militar falando de transparência é estranhíssimo…

    Já ameaçar a Democracia é algo natural para eles.

    Os militares, a cúpula, sempre detestou a Transparência. Nunca praticou Transparência. Seja dos atos e muito menos dos gastos públicos.

    E o que a Ditadura deixou para as gerações seguintes?
    Certamente queimaram muita coisa. Mas Transparência dos atos e gastos praticados no período é que não foi…

    Lembro um artigo que mencionava daquele período pouca informação era acessível ainda hoje, no que se refere às operações de valores mobiliários, receitas e despesas públicas.

  3. “mas presidentes de partidos e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) agiram para trocar os integrantes da comissão e deixar o texto sem apoio suficiente

    E desde quando ministros do STF podem agir para trocar integrantes de comissão do Congresso? Esta flagrante ilegalidade é motivo mais que suficiente para fechar o Supremo Tribunal de Facínoras (stf), também conhecido como escritório de advocacia do crime organizado. As violações dos principios democráticos são praticadas às pencas pelos urubus golpistas. O lobby dos sinistros do STF, junto aos corruptos caciques partidários, é a prova cabal da existência de fraudes eleitorais, nas “apurações de cabresto” comandadas secretamente pelo TSE (tribunal sequestrador das eleições).

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