Em vários países, multidões protestam nas ruas independentemente de ideologia política

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Em Paris, os “coletes amarelos” fazem protestos há um ano

Pedro do Coutto

Nas últimas semanas observou-se nos meios de comunicação uma onda de protestos que ocuparam as principais cidades de vários países, manifestando-se contra a falta de solução para questões sociais básicas, contra o desemprego, desigualdade social ou falta de liberdade de expressão, com Hong Kong como exemplo.

Não se trata de combates com base política, mas o motor central localiza-se na eterna falta de solução para problemas que ultrapassaram do século XX ao XXI longe de serem pelo menos iniciados esforços para que governos fossem ao encontro das ruas e no caso de várias nações, também o caminho das urnas.

ATÉ SANEAMENTO – No Brasil por exemplo, de acordo com o IBGE, metade da população não conta com serviços básicos de saneamento, o que gera uma série de problemas graves em decorrência. Fala-se em reduzir despesas do governo, porém não se fala em diminuir a terrível pressão social que inviabiliza qualquer impulso para ampliar a produtividade dos trabalhadores.

No Chile, os protestos atingiram dimensão tão extraordinária que o governo do país anunciou as bases de um plebiscito voltado para uma reforma constitucional de profundidade.

As multidões são, no fundo, a expressão de uma revolta contra governos capazes de prometer muito, mas quando empossados realizarem muito pouco em matéria de uma descompressão social inevitável. Inevitável, na teoria, pois na prática a omissão comanda o cenário partidário.

SOBREVIVÊNCIA – As pessoas se transformam em rostos na multidão, por sinal título de um filme de Elia Kazan. Os rostos da ansiedade são fotografados e filmados, traduzindo correntes de opinião movidas muito mais pela luta da sobrevivência do que pela conquista de poder.

Haverá sempre disputa pelo poder, uma vez que, sem comando, nenhuma nação ou nenhum Estado poderá apresentar-se como sinal e desfecho de embates naturais que se repetem. Para alcançar esse poder só existem, dois caminhos: ou as armas ou as urnas. Vamos ficar sempre com as urnas. Porque exemplos não faltam no planeta de opressões que sufocaram a voz e a vez dos cidadãos.

REDES SOCIAIS – Agora as manifestações públicas ganharam muito mais força porque além dos jornais e emissoras de rádio e televisão, existem as redes sociais, nas quais cada pessoa pode se transformar facilmente como editor de si mesmo. Os meios então de protesto atingiram uma dimensão bem maior do que os movimentos que vigoraram até o final do século XX.

Francamente, não é possível alguém afirmar-se como um ser humano satisfeito se não tem a seu serviço uma obrigação mínima do Estado para consigo e para suas famílias.

Com isso chega-se à conclusão de que o impasse continua a ser uma ameaça a eternizar-se para os séculos que vierem depois de nós. Portanto, os governos precisam corrigirem a si próprios, suas omissões e equívocos insuportáveis.

5 thoughts on “Em vários países, multidões protestam nas ruas independentemente de ideologia política

  1. O problema é que os políticos se esquecem que um dia já foram povo.
    Ascenderam de casta nesta vida… o resto que se dane!!
    Simples assim.
    Atenciosamente.

  2. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO analisa a intrigante questão do Mundo que hoje tendo um PIB de +- US$ 90.000 Bi para uma População de 7.500 Bi gera uma Renda perCapita de US$ 12.000 +- Renda perCapita do Brasil.
    Um Mundo assim, que nunca foi tão Rico inexplicavelmente está gerando Descontentamento e Convulsão Social em Países de Politica predominante Neo-Liberal ( EUA, Tea-Party, Occupy Wall Street, Pres. TRUMP, Chile, Hong-Kong, etc), e Países de Politica predominante Social-Democratas/Socialistas Bolivarianos ( França, Catalunha-Espanha, Itália, Venezuela, Bolívia, etc).

    O que se nota é que a Produção e especialmente PRODUTIVIDADE continua a crescer Constantemente há +- 1,5%amma e o Padrão de Vida da Classe Média e dos Pobres nos últimos 30 anos está na melhor das hipóteses estagnado.
    E se nem o Neo-Liberalismo ( Estado Mínimo), nem a Social-Democracia/Socialismo (Estado Grande), apresentam solução razoável para melhorar o Padrão de Vida da média do Povo, a solução virá de outro Caminho. Tudo parece apontar que a solução virá de uma Politica SEMI-TOTALITÁRIA que englobe o que tem de melhor no Neo-Liberalismo e na Social Democracia.
    Nem CAPITALISMO SEM ALMA, nem SOCIAL-DEMOCRACIA incapaz de gerar Empregos em quantidade suficiente.

  3. Tem gente que já no séc XXI ainda cai na conversa de que a nefasta ideologia esquerdista não está por trás desses tipos de manifestações violentas a pretexto de defender os oprimidos.

    Esse tipo de gente está contaminada sem saber pela essência com que se sustenta as religiões ou ideologias: o ABSOLUTO. Com isso se transtornam, perdendo a conexão com a realidade a ponto de achar que existe paraíso aqui na terra e com isso se tornam hospedeiros e transmissores dessa patologia , com a farsa da “salvação” da humanidade, da luta do “bem” contra o “mal”, estabelecido por ela.

    • O papo desse Mario é sempre o mesmo.
      A direita detém tudo, os castelos, os poderes, a lei…
      Tudo que fica de fora é a esquerdalha, que tem que bater a porta pedindo esmola…
      Ah! Vá a merda!

  4. Muito bom artigo. Em todo o mundo a classe política tem se distanciado dos anseios e sentimentos populares, e se voltado cada vez mais para os próprios interesses e os dos donos do poder e do dinheiro.

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