Embaixador que assessora Rodrigo Maia é mais um candidato ao Itamaraty

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Bolsonaro ainda não escolheu seu ministro do Exterior

José Carlos Werneck

Segundo reportagem de Igor Gielow, na Folha, o embaixador Hélio Ramos assessor do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, surgiu como o mais novo postulante ao cargo de chanceler do governo de Jair Bolsonaro. Na última terça-feira, ele publicou um artigo, em coautoria com o embaixador Marcelo Dantas, que foi lido no Itamaraty como uma carta de intenções. No texto, Hélio Ramos sugere um caminho a ser seguido presidente eleito, no que diz respeito à Política Externa.

Outros nomes são cotados para titular do Ministério das Relações Exteriores, mas, segundo alguns observadores, Ramos tem bom cacife para disputar a Pasta.

PADRINHO – Ramos tem um padrinho político que tem se aproximado do presidente eleito, pelo fato de que o DEM pode ajudar e muito o PSL a encaminhar as pautas do futuro Governo na Câmara dos Deputados.

O artigo de Helio Ramos sugere uma “equipe coesa e fiel” e, ao tratar de temas espinhosos como política ambiental, diz que é necessário proteger o país de “ingerência externa”.

Dizem que o conteúdo do texto impressionou favoravelmente o presidente eleito, que manifestou desejo de retirar o Brasil dos acordos climáticos firmados em Paris.

CAPITAL POLÍTICO – A reportagem da Folha diz que o texto de Ramos enfatiza que o capital político do país, acumulado ao longo de anos no setor, “não pode ser desperdiçado” e defende uma visão mais conservadora do próximo governo com relação à política externa.

Critica o que chama de “pedaladas diplomáticas” que, no seu entender vinham acontecendo desde a década de 1990, porque o Brasil assume posições progressistas em foros multilaterais que são contra sua legislação, fazendo com que a diplomacia tente imprimir esses compromissos no debate político do País.

O texto faz referência clara à defesa da liberação do aborto, advogando que essa prática tem de ser coibida, mas salienta que isso precisa ser feito com extrema cautela, dentro da agenda de direitos humanos, consciente da imagem, interna e externa, de Bolsonaro como um opositor dos ativistas desta área.

FLEXIBILIDADE – Concordando com o pensamento dos seguidores de Jair Bolsonaro, o texto diz que o Brasil precisa ter mais flexibilidade na negociação de acordos bilaterais com países desenvolvidos.

A equipe de Bolsonaro, até o momento, não bateu o martelo para a escolha de um nome para viabilizar as mudanças pretendidas e prometidas por ele.

O Ministério das Relações Exteriores foi a única instituição de Estado citada pelo presidente eleito em seu discurso da vitória.    O Itamaraty precisa, no entender do presidente eleito “ser libertado” da influência que os oito anos da nefasta política imprimida pelo chanceler Celso Amorim por ordem do presidente, para quem Luiz Inácio Lula da Silva é “Nosso Guia”.

FORA DO EIXO – No período de 2003 a 2010, o Itamaraty preconizou aproximação de países fora do eixo tradicional da diplomacia com EUA e membros da União Europeia. Uma reversão se ensaiou no governo da presidente Dilma Rousseff e se consolidou com Michel Temer .

Conta pontos para o assessor especial de Rodrigo Maia, ele ter servido em países de grande peso como os EUA, onde ocupou o posto Cônsul-Geral em Miami, já que Jair Bolsonaro colocou as relações com país chefiado por Donald Trump como a principal prioridade, no que diz respeito à política exterior de seu Governo.

As apostas para o Itamaraty não tem nomes solidamente definidos. Ernesto Fraga Araújo, diretor para Estados Unidos e Canadá, é dos poucos diplomatas graduados que fez campanha aberta a favor de Bolsonaro, mas nunca chefiou uma Embaixada, o que entre alguns de seus pares poderia diminuir suas  chances.

NA DISPUTA – O jornalista Igor Gielow, que é editor de política da Folha, diz que outro diplomata lembrado é o embaixador Luiz Fernando Serra, que era o embaixador em Seul, quando em fevereiro Bolsonaro visitou a Coreia do Sul. e os que torcem por seu nome dizem que de o pré-candidato ficou impressionado com o embaixador e com o tratamento que lhe foi dispensado. Serra retornou ao Brasíl e no momento está sem posto.

Resta a hipótese, atualmente a mais provável, de encontrar-se uma solução política. Caso isso aconteça haveriam nomes para todos os gostos, começando pela competentíssima Ana

Amélia, do PP do Rio Grande do Sul, que foi candidata a vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin. Além de ter feito uma impecável atuação no Senado Federal ela foi lembrada por ser mulher, ruralista e gaúcha, o que teoricamente a aproximaria do Mercosul, Bloco que os apoiadores de Bolsonaro consideram um entrave para o desenvolvimento da política externa brasileira.

5 thoughts on “Embaixador que assessora Rodrigo Maia é mais um candidato ao Itamaraty

  1. Tomara que se lembrem também de Eduardo Saboia, o diplomata que fez o resgate histórico do senador boliviano Jorge Pinto Molina, ajudando-o a escapar do cerco do tirano lhama-de-franja.

    Saboia é um homem de grande qualidade institucional, um patriota…

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