Temer usa a reforma da Previdência para dar início à campanha da sua reeleição

Resultado de imagem para roberto jefferson e temer

Jefferson é o “operador” da reeleição de Temer

Carlos Newton

A pretexto de superar as dificuldades à aprovação da reforma da Previdência, o presidente Michel Temer está adotando uma estratégia de impressionante habilidade, para iniciar as articulações visando sua reeleição em 2018. O chefe do governo parte da premissa de que o chamado “centrão” precisará se manter unido nas eleições de 2018, para evitar que prevaleça a polarização entre o candidato da direita, Jair Bolsonaro, e o candidato da esquerda, que pode ser Lula, Fernando Haddad, Jaques Wagner ou Ciro Gomes, dependendo das circunstâncias de momento.

O núcleo duro do Planalto sabe que Lula está praticamente fora da disputa, o PT terá de traçar um Plano B para a corrida eleitoral e o quadro sucessório mudará completamente. É justamente esta perspectiva que anima o núcleo duro do Planalto e alimenta o sonho de reeleição de Temer, apesar de sua rejeição e de seu indefensável envolvimento com a corrupção política.

ESTRATÉGIA – O chamado núcleo duro do Planalto, formado por Temer, Eliseu Padilha e a cúpula das respectivas assessorias, escolheu uma estratégia adequada, que está usando a reforma da Previdência para manter unida a atual coalizão governista, que inclui uma série de partidos, como PR, PP, PSD, DEM, PRB, PV, PSC,  PTC, e Solidariedade, e o objetivo final é construir uma candidatura única nesse grupo de partidos – em chapa encabeçada por Temer, é claro.

Conforme adiantamos aqui na Tribuna da Internet há três meses, quando ninguém acreditava que Temer iria tentar a reeleição, o operador da estratégia é Roberto Jefferson, que se apressou em negociar a adesão do PTB, partido do qual é “dono” e presidente vitalício, digamos assim.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, é muito esperto e finge que vai apoiar Temer. No domingo, foi anfitrião do jantar com ministros, parlamentares e presidentes de partidos aliados. O tema era reforma da Previdência, com participação especial de Roberto Jefferson, que roubou a cena, como é de seu estilo, e deu início ao projeto palaciano da reeleição.

FALTA COMBINAR – No papel, o plano parece perfeito, mas falta combinar com os russos, como dizia Garrincha. Alguns partidos que estão hoje na base aliada pretendem disputar a sucessão. PSD e PSC, por exemplo, já têm até pré-candidatos definidos – Henrique Meirelles e Paulo Rabello de Castro, atual presidente do BNDES. Outras legendas menores podem seguir o exemplo do PTB, é só questão de preço, mas o DEM deve fazer coligação com algum candidato que tenha chance, vai depender das pesquisas.

Uma das prioridades do Planalto é fazer negócio com o ministro Gilberto Kassab para impedir a candidatura de Meirelles pelo PSD, mas acontece que esta será a campanha mais rica da sucessão e o partido não quer perder a chance, digo, o dinheiro. Meirelles corre por fora, como se diz no turfe, e sonha com o apoio do DEM, uma possibilidade que não está fora de cogitações.

###
P.S. 1 – Roberto Jefferson é espertíssimo e vai se beneficiar do saco de bondades que Temer está abrindo para sair candidato.

P.S. 2 – E muita coisa já está acontecendo. Conforme ocorreu recentemente com João Doria, a candidatura de Jair Bolsonaro está sendo combatida e boicotada em várias frentes.  A vida do explosivo ex-capitão vem sendo vasculhada de trás para a frente. Mesmo assim, é um concorrente muito forte, mas precisa da candidatura de Lula para se contrapor e ir ao segundo turno.

P.S. 2Sem Lula na disputa, a corrida fica embolada, a candidatura de Ciro Gomes certamente ganha força e passa a ameaçar Bolsonaro. Até que ponto, ainda não se sabe. De toda forma, será uma eleição eletrizante. (C.N.)

11 thoughts on “Temer usa a reforma da Previdência para dar início à campanha da sua reeleição

  1. Quem vota em Roberto Jefferson? A muito tempo, o mesmo não é mais a pessoa que se lançou na mídia com o programa de televisão no SBT. Aproveitou a notoriedade para ser mais uma peça da nefasta e imunda política brasileira. Quem não lembra da novela entre ele e Zé Dirceu? Do vídeo em que seu tutelado nos Correios pega um maço de notas como propina. Ele jogou a culpa do Mensalão em Dirceu e inocentou Lula. Mas a pergunta é: o que dá a esta gente tanta certeza de que se elegerão depois de tal falta? Existe de fato, tamanha fidelidade eleitoral, a ponto do eleitor cegar-se como cidadão e dar seu voto a um crápula independente do que representa? Ou existem mais coisas entre as urnas elétricas do que suspeita nossa vã filosofia? Quem responder alegando que o TSE aprova, convenhamos, o TSE também aprovou todas as contas de fraudes eleitorais, caixa dois e tudo mais descoberto na Lava Jato. TSE bom para o Brasil é TSE EXTINTO.

  2. Que piada sem graça. Temer não tem a menor possibilidade de sair eleito. Já tem contra ele milhares de votos dos funcionários públicos, tão atacados por ele, bem como de todos os seus familiares. Depois terá contra os votos de todos os trabalhadores que serão prejudicados pela reforma da providencia, e da reforma trabalhista, incluindo familiares. SEM CHANCE MESMO!!!

  3. O status quo é que está tentado bombardear a candidatura do Bolsonaro. Para mim ele está longe de ser um presidente ideal com variadas competências que o cargo “exigiria”. Porém é inegável que o país está numa situação de exceção onde os coronéis (gilmar, sarney, renan e até os lulas da vida) mandam e desmandam no dinheiro arrecadado e na constituição. Com isso o caos se instalou, tanto nas cúpulas governamentais e na qualidade dos serviços públicos como no dia a dia da população com facções armadas e crimes constantes.
    Andando nas ruas, de verdade e não em bolhas de ar, é fácil constatar que a população quer prioritariamente segurança para viver e alguém que os poderosos não apoiem. E aí, Bolsonaro nada de braçada, queiram ou não. Quanto mais a mídia+políticos+intelectuais batem, mais ele cresce como massa de pão.
    Antes do emprego é preciso estar VIVO, ter segurança para IR ao emprego. Simples assim, para quem anda de ônibus ou trem.

    • É fato. Estes se agarram a quem podem controlar ou seguem a mesma cartilha a que a elle$ se subordinam. Neste aspecto Bolsonaro se torna uma irritante e amedrontadora incógnita. O STF e o chefe do Executivo são meio que reféns do Congresso, já que cabe apenas a ele mesmo o poder LEGAL de tirar ou não todos os outros, inclusive a eles mesmos.

  4. Newton, tudo é possível nesta altura dos acontecimentos políticos. Pergunto: Será que Temer tem corgem de, bandido como é, apresentar-se como candidato? Seria um fato “fantástico e extraordinário um segundo turno entre Temer e Bolsonaro. O mundo todo diria: Os brasileiros estão cheirando muita maconha e fumando muita cocaina. Eu não ficaria chocado com nada,mas beberia boas doses de uisque.

  5. O Roberto Jefferson, ou o BOB TA EM TODAS, é realmente um cabo eleitoral a altura da performance eleitoral do Temer, ou seja são dois embusteiros.
    A envergadura moral de ambos, faz com que sejam uma parceria perfeita, dois impostores.
    O Jefferson foi da tropa de choque do Collor, deu no que deu, andou transitando pelo lamaçal petista e acabou “atolado”, agora como a Fênix, ressurge das cinzas para por urucubaca na vida do Temer. Enfim, é um pé frio.

  6. Sem a reforma da Previdência, o esforço do governo para arrumar as contas públicas, destroçadas pela irresponsável administração petista, será insuficiente para evitar um novo desastre. Sem esse avanço, o teto constitucional da despesa será furado em poucos anos. Todos esses pontos foram explicados muitas vezes, em Brasília, mas boa parte da chamada base governista mostrou pouca disposição, até agora, para cuidar do problema.

    Trata-se de uma questão do mais alto interesse nacional, assunto sem muito significado para a maior parte da fauna política. Essa fauna poderia agir de outra forma, se os interesses nacionais tivessem maior apelo eleitoral. Mas nem sempre têm. Neste caso, parte da responsabilidade é do governo, incapaz de explicar didaticamente ao público as características da reforma. Exemplo da falha: a idade mínima de 65 anos para aposentadoria dos homens só valerá 20 anos depois de iniciada a mudança, mas isso é ignorado. Para muita gente, o limite valerá imediatamente. A dificuldade começa, portanto, dentro do próprio governo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *