Emílio Ibrahim destrói a ideia de Eduardo Paes de demolir elevado

Pedro do Coutto

Em excelente artigo publicado na edição de O Globo de terça-feira 13, o engenheiro Emílio Ibrahim, oportunamente, destruiu, em termos de pura lógica, o absurdo projeto do prefeito Eduardo Paes de demolir o elevado da Perimetral. Ibrahim iluminou o problema e – aí sim – demoliu a ideia que, além de desfigurar a paisagem exaltada por Lúcio Costa, em carta que lhe enviou, bloquearia a conexão norte-sul da cidade e o acesso à ponte Rio Niterói.

Eduardo Paes, ele próprio já disse, deseja revitalizar a zona portuária através do oferecimento de condições de infraestrutura para empreendimentos imobiliários. Está completamente por fora. Quem assegura o êxito de empreendimentos imobiliários é o consumo. Não o poder público. A Avenida Rodrigues Alves não é Porto Madero, Buenos Aires.

Grande secretário de Obras dos governos Carlos Lacerda e Chagas Freitas, por mais uma coincidência do destino, coube a Emílio Ibrahim iniciar a obra, em 62 e concluí-la em 79. A conclusão, no segundo governo de Chagas, teve que superar um obstáculo. O ministro da Marinha, Adalberto Barros Nunes, resistia à perspectiva de a pista passar sobre o Quartel dos Fuzileiros Navais.

Chagas Freitas e Emílio Ibrahim, então, final do governo Ernesto Geisel, colocaram em pauta a solução de gradear o elevado naquele trecho. Não se registrou problema algum ao longo dos 33 anos que separam o fim da obra com os dias de hoje. Eduardo Paes quer destruir tudo isso.

Por uma coincidência também, testemunhei, como repórter do Correio da Manhã, a assinatura do convênio que viabilizou a obra. Foi entre o governador Carlos Lacerda e o ministro Virgílio Távora, dos Transportes. Governo João Goulart, ano eleitoral. Na antiga Guanabara, defrontavam-se, para vice-governador, Eloi Dutra, apoiado por Jango, Lopo Coelho, por Lacerda.

Mas Goulart liberou Virgílio para destinar os recursos iniciais, apesar do confronto e da cerrada oposição que o governador lhe fazia. Lacerda disse na ocasião, sou testemunha: “Receba ministro o agradecimento, e o transmita ao presidente, de quem, como eu, não agradece com facilidade. Dezoito meses depois, Lacerda se envolveria profundamente no golpe militar que derrubou Goulart. Mas esta é outra história.

Coincidência existem, é claro. Todos nós nos lembramos de tantas ao longo da vida. Quando Chagas Freitas, em 79, inaugurou o elevado da Perimetral, fui um dos primeiros a passar pela pista. Era diretor da LBA e saia de uma entrevista no programa O Povo na TV, de Wilton Franco, SBT. Dava 14 pontos, apenas 3 abaixo da Globo. Sucesso de audiência. Dialoguei com um dos entrevistadores: era Roberto Jefferson. Wagner Montes integrava o elenco de Wilton Franco. Bem, isso ficou no passado.

A obra se prolongou através de 17 anos. Cito o exemplo para mostrar como são lentas as realizações brasileiras, exceto as que marcaram os anos dourados de JK. O custo da lentidão é elevadíssimo. Não só acarreta o encarecimento, como diminui o retorno econômico e social das obras. Maior rapidez na execução, maiores os efeitos do que foi construído.

Eduardo Paes quer derrubar todo um esforço imenso, uma solução de engenharia fantástica, basta observar como o elevado se conecta com a ponte Rio Niterói e também, como frisou Emílio Ibrahim, com a Avenida Brasil.

O prefeito parece desejar submergir o trânsito nas áreas centrais do Rio. Impressionante desconhecimento da realidade. As manifestações contrárias vêm de todos os lados. Mas Eduardo Paes insiste como uma estranha compulsão no sentido do desastre. Mas agora, diante dos argumentos em série de Emílio Ibrahim, o prefeito terá que recuar. Prosseguir na intenção tornar-se-ia até uma alucinação. O artigo publicado no Globo é uma peça em defesa da cidade.

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