Emir Sader não deve ir mais à Casa de Rui Barbosa

Pedro do Coutto

Pelo que a Folha de São Paulo publicou na sua edição de domingo, Caderno Ilustríssima, primorosa reportagem de Marcelo Bartolli e Paulo Werneck, o sociólogo, Emir Sader, indicado presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, deve ser desconvidado e assim não mais visitar a casa do jurista, um templo do passado na rua São Clemente. Emir Sader, a quem conheci quando trabalhamos no Jornal do Brasil, revelou não conhecer o funcionamento daquele centro cultural, não ter afinidade com seu trabalho, tanto assim que planeja transformá-lo num pólo de debates sociais e políticos.

Mas, além disso, antes mesmo de sua nomeação ser publicada no Diário Oficial, afirmou textualmente que a Casa de Rui Barbosa possui dívidas e problemas que estão estourando nas mãos da ministra Ana de Holanda porque – acrescenta – ela fica quieta. É meio autista.
Francamente como é possível um futuro subordinado direto, ou ex-futuro depois disso, dizer que a titular da pasta é meio autista. Assim agindo, nitidamente procurou colocar-se num plano superior ao dela. Mas a ministra é ela, não ele.

Ingenuidade, imaturidade, deslumbramento. É por essas e outras que há pessoas que mudam completamente quando assumem qualquer fração de poder. Um desastre que reflete negativamente para todos. Especialmente contra os governos que escolhem pessoas assim atropeladoras, como, infelizmente está demonstrando ser Emir Sader.

Em duas entrevistas – uma à própria FSP, outra a O Globo, o professor reconhece não ter se informado muito, como seria de sua obrigação, a respeito da Casa Rui. Qual sua produção? Ele próprio afirma não saber. E dificilmente saberá depois de considerar autista a ministra Ana de Holanda. Penso que, após tal qualificação, só ele não viu o erro tremendo que estava cometendo. Estava cometendo, não. Cometeu. Como caminho “para modernizar a Casa Rui”, que tem mais de cem anos de erguida, já que a águia de Haia morou lá de 1893 até sua morte em 1923. Os trabalhos jurídicos que legou à história do Brasil encontram-se arquivados e lá repousam sobre a memória nacional.

Para a modernização e dinamização política que projeta, Sader ressaltou o corpo intelectual da Fundação. A estratégia – ressaltou – será batalhar para abrir concursos públicos e aumentar a quantidade de bolsas de pesquisa, além de contar com a progressiva aposentadoria dos atuais pesquisadores. Logo, eles não servem. O ex-futuro presidente deseja vê-los pelas costas rapidamente. Não é assim que se assume um cargo de confiança.
Ao afirmar que espera aposentadoria dos atuais pesquisadores, envolveu na frase tanto a ministra Ana de Holanda quanto a presidente Dilma Rousseff. Foi uma tirada juvenil.

Conheci no jornalismo algumas pessoas assim. Não se dão conta de que os cargos de direção são passageiros. Aparecem como albatrozes da tempestade, demitem meio mundo, e invariavelmente terminam sendo demitidos. Nada mais real do que o verso eterno de Noel Rosa: também faleceu sem ter percoço o autor da guilhotina de Paris.

A missão de quem dirige não é demitir. É integrar. É aproveitar o material humano que encontra no caminho, descobrindo novos talentos. Cada um tem sua história, sua bagagem. Desconhecendo a Instituição e tentando ridicularizar a ministra Ana de Holanda, Emir Sader deve se transformar esta semana no ex-presidente da Casa de Rui Barbosa. O que foi sem nunca ter sido. Direito de criação da frase para o grande Dias Gomes.

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