Empfia, presuno e arrogncia

Carlos Chagas

Empfia, presuno e arrogncia costumam ser vcio dos tolos. Com todo o respeito, so essas as posturas mais verificadas no palcio do Planalto, no PT e na campanha de Dilma Rousseff, depois da divulgao da ltima pesquisa eleitoral da Datafolha, domingo passado. Imagine-se a prxima, a ser conhecida hoje, da CNI-Ibope, caso mantida a ascenso da candidata.

O clima no governo de tanta euforia que assessores e ministros j convencem o presidente Lula de no precisar mais fazer concesses a partidos aliados. Da as informaes de Michel Temer estar sendo garfado como candidato a vice-presidente na chapa oficial. Para que entregar ao PMDB considervel parte do bolo do poder se Dilma pode considerar-se eleita pelas prprias foras do Lula?

Por conta disso voltaram a cogitar de Henrique Meirelles, que daria tranqilidade ao mercado, mas no traria um voto sequer para a ministra. A equao evoluiu e hoje concentra-se em Ciro Gomes como a melhor soluo, pela liderana de que dispe e, mais ainda, por afast-lo da disputa presidencial. O ex-ministro e ex-governador do Cear parece pronto a ser seduzido pela proposta. Seu papel, na chapa, seria o de verdugo, batendo firme em Jos Serra, enquanto Dilma faria s vezes da boazinha, reservando-se para exaltar o presidente Lula e falar da continuidade no futuro.

A poltica d muitas voltas e parece no mnimo prematuro raciocinar como os partidrios da candidata. Pesquisas no ganham eleio, refletem no mximo um momento. Os nmeros costumam ser levianos, ainda que indiquem tendncias.

Perigoso para o governo seria o PMDB reagir ao descarte de Michel Temer e partir para a retaliao, capaz de cristalizar-se na candidatura prpria, desde que apoiada pela totalidade do partido. Jos Serra colheria dividendos.

TRIPLEX DE UM MILHO

No se cometer a injustia de condenar o presidente Lula por haver entrado numa cooperativa de bancrios e adquirido a prestao, no Guaruj, de frente para a praia, um apartamento triplex de luxo, ao preo de um milho de reais. O primeiro-companheiro ter economizado as mesadas que recebeu do PT por muitos anos e, depois de 2002, os vencimentos de presidente da Repblica. Afinal, todos os gastos pessoais e da famlia presidencial correm por conta dos cofres pblicos.

O problema, no caso, a disfuno. As massas consideram-no um igual, da sua imensa popularidade. Fala o que o povo quer ouvir e age em favor dos menos favorecidos. Mas vai viver como vivem as elites, que tambm privilegia. Nada mais natural do que pretenda usufruir das benesses das altas camadas. No caso, uma confortvel residncia para os fins de semana e as temporadas de vero, depois que deixar o poder. Mesmo assim…

BICOS EM CHOQUE

Andam estremecidas as relaes entre Jos Serra e Fernando Henrique. De alguns dias para c o socilogo parou de dar declaraes a respeito da campanha do governador. Quando falava, destoava, tornando-se at inconveniente na cobrana da antecipao do lanamento da candidatura. Serra no gostou e fez chegar seu desagrado ao antigo chefe.

Outro que no se encontra propriamente nas boas graas do candidato tucano o senador Tasso Jereissati. Afinal, se todo mundo ficar dando palpite na estratgia de Serra, a campanha se tornar um caos. Se der certo sua cautela, muito bem. Se der errado, assumir sozinho a responsabilidade.

TRS ONDE S CABEM DOIS

No Cear, disputam o Senado Euncio Oliveira, Tasso Jereissati e Jos Pimentel. Como s existem duas vagas, um vai sobrar. O ministro da Previdncia Social apresenta-se como candidato do presidente Lula, que o teria estimulado como representante do PT. O atual senador e ex-governador do PSDB dispe de ampla popularidade e mais recursos ainda, alm da simpatia do governador Cid Gomes. J o deputado e ex-ministro chega com o peso do PMDB e sua experincia poltica e empresarial, eleito para a Cmara em 2006 com a maior votao do estado.

Fica difcil fazer prognsticos, ainda que Euncio e Tasso paream a um passo de formar a dobradinha. Como governo governo, e Pimentel tem sido um ministro excepcional, melhor aguardar…

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