Empreiteira se tornou sócia do doleiro em hotel na Bahia

Ricardo Pessoa, da UTC, é sócio do doleiro

Cleide Carvalho
O Globo

A UTC Engenharia não se limitou a pagar propinas e usar o doleiro Alberto Youssef para o repasse a partidos políticos. A empresa, que pertence a Ricardo Pessoa, Francisco de Assis Oliveira Rocha e João Argollo, se tornou sócia do doleiro Alberto Youssef em empreendimentos hoteleiros na Bahia. Investigações da Polícia Federal (PF) mostram que a empreiteira se associou em 2010 à GFD, empresa de Youssef, no hotel Web Salvador Iguatemi e na compra de um terreno no município de Lauro de Freitas, na Bahia, adquirido por R$ 5,3 milhões, também destinado a um empreendimento hoteleiro.

Para que a sociedade se concretizasse, foi aberta uma Sociedade em Cota de Participação, tendo a UTC como sócia ostensiva e a GFD como sócia participante. O empresário Ricardo Pessoa, sócio da UTC Engenharia, teve a prisão preventiva decretada na sétima fase da Operação Lava Jato e está na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. O doleiro usava laranjas para operar empresas de fachada e também seus investimentos em ativos, adquiridos com recursos de origem ilícita. Segundo o Ministério Público Federal, Pessoa era amigo pessoal de Youssef.

OS CONTRATOS

A PF anexou ao processo que investiga a empresa e seus executivos o Instrumento Particular de Assunção Recíproca de Obrigações firmado entre a UTC Participações e GFD Investimentos em dezembro de 2010 para a compra do terreno em Lauro de Freitas. Foram interceptados também e-mails trocados por representantes do doleiro, entre eles Enivaldo Quadrado e Calos Alberto Pereira da Costa com representantes da UTC, entre eles Walmir Pinheiro.

Num deles, do ano passado, os dois grupos acertam a divisão de despesas para os meses de abril e maio e são enviadas planilhas de controle de cobrança (R$ 3.264.310,93) da GFD e os aportes (R$ 2.813.238,89) realizados no período de agosto de 2010 a abril de 2013.

A UTC é uma das empreiteiras contratadas pela Petrobras para obras na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul. No total, os negócios com a estatal superam R$ 8 bilhões.​

OS PRESOS NA LAVA JATO

Estão presos na Superintendência da PF do Paraná, dividindo três celas: Jayme Oliveira Filho, supostamente ligado ao doleiro Alberto Youssef; da Camargo Corrêa: Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente, João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração e Dalton dos Santos Avancini, presidente; da companhia Engevix: Gerson de Mello Almada, vice-presidente, Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor, Newton Prado Júnior, diretor; da Galvão Engenharia: Erton Medeiros Fonseca; da IESA: Valdir Lima Carreiro, diretor-presidente, Otto Sparenberg, diretor; da Mendes Junior: Sérgio Cunha Mendes, diretor-vice-presidente-executivo; da OAS: José Aldemário Pinheiro Filho, presidente, Mateus Coutinho de Sá Oliveira, vice-presidente do conselho, Alexandre Portela Barbosa, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor e José Ricardo Nogueira; da Petrobras: Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras; da Queiroz Galvão: Ildefonso Collares Filho, ex-diretor-presidente, Othon Zanoide de Moraes Filho, diretor; da UTC: Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente, Ednaldo Alves da Silva, Walmir Pinheiro Santana, e Carlos Alberto Costa Silva.

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One thought on “Empreiteira se tornou sócia do doleiro em hotel na Bahia

  1. No fundo e no raso, é o crime organizado na sua transformação em Corrupção Ltda.

    Pelo visto, o juiz federal Sérgio Moro sabe que a hora da profilaxia é agora, e não quer mesmo esperar acontecer a expansão das filiais do Crime S.A.

    Pensando bem, já foram longe demais.

    Hora de botar um ponto final nesse tipo de corporação, e os seus sócios, todos, na cadeia.

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