Empreiteiras faziam também doações diretas a deputados

André Shalders
Estado de Minas

Além de irrigar comitês e partidos, as construtoras investigadas pela Operação Lava a Jato fizeram doações diretas a pelo menos 62 deputados federais eleitos para a próxima legislatura (2015-2019). As empresas também financiaram 43 candidatos à Câmara que serão suplentes. As empresas Engevix, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, OAS, Odebrecht e UTC/Constram despejaram R$ 6,59 milhões na campanha desses candidatos. O valor é relativamente pequeno se comparado ao total doado pelas empresas em 2014: juntas, as empresas investigadas investiram cerca de R$ 182 milhões em candidatos.
As doações diretas abrangem deputados eleitos por 18 dos 28 partidos que terão representação na Câmara. A maior parte das doações é feita a partidos e comitês de campanha, que distribuem o dinheiro aos candidatos. Muitas vezes, os parlamentares só ficam sabendo da origem do recurso na hora de prestar contas. “Recebi os recursos da direção partidária, mas nunca tive qualquer relação com a empresa”, contou uma deputada reeleita, que recebeu dinheiro da Andrade Gutierrez. Estima-se que cerca de 200 parlamentares receberam dinheiro em 2014.
As empresas não distinguem governo e oposição ao fazer as doações. Este ano, elas incluíram desde o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), que recebeu R$ 30 mil da Odebrecht, até o vice-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP), agraciado com R$ 150 mil da UTC Engenharia. Também receberam R$ 30 mil da Odebrecht os deputados Júlio Delgado (PSB-MG) e o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Luiz Carlos Heinze (PP-RS).

PT RECEBEU MAIS
Entre as futuras bancadas, a do PT será a com o maior número de parlamentares eleitos com ajuda das empresas: 11 receberam doações das seis empresas. O PSDB, que terá a terceira maior bancada da Casa, vem logo atrás, com 10 deputados.

O especialista em orçamento público Gil Castelo Branco lembra que, a princípio, não existe ilegalidade nas doações. “A forma de financiamento das campanhas terá de mudar, inclusive porque já existe uma posição da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal pela inconstitucionalidade do financiamento privado”, diz.

Ele aponta que pode haver problemas futuros com parlamentares financiados pelas construtoras, responsáveis por investigar essas mesmas empresas: “Creio que esses deveriam se declarar impedidos de participar das apurações dos desdobramentos da Lava a Jato. É estranho que eles sejam responsáveis diretos pela apuração de fatos que envolvem os próprios financiadores de campanha”.

DEPUTADOS

Sérgio Zveiter (PSD-RJ) – R$ 400 mil da UTC
Jutahy Magalhães (PSDB-BA) – R$ 300 mil da UTC
Domingos Neto (Pros-CE) – R$ 300 mil da Galvão Engenharia
José Rocha (PR-BA) – R$ 200 mil da UTC
Luiz Sérgio (PT-RJ) – R$ 200 mil da UTC

PARTIDOS

PT – 11 deputados (R$ 1,1 milhão)
PSDB – 10 deputados (R$ 813 mil)
PSD – 4 deputados (R$ 520 mil)
PP – 7 deputados (R$ 310 mil)
PMDB – 5 deputados (R$ 230 mil)
PSB – 4 deputados (R$ 140 mil)

Levantamento feito pelo EM com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral. Não foi possível consultar as doações das empresas Mendes Júnior, Iesa e Camargo Corrêa.

One thought on “Empreiteiras faziam também doações diretas a deputados

  1. E fica o pessoal aqui defendendo os bandidos que foram candidatos. É tudo bandido mesmo.
    Mas não acredito que este tema seja muito comentado. Farão como aqueles que estão sentados fazem ao chegar um idoso na condução : viram a cara pra janela. Se fossem simpáticos ao PDT, haveria muitos comentários. Aliás, ainda não respingou lama no partido de Jefferson Perez.

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