Devendo R$ 141 bilhões aos bancos, empreiteiras podem falir

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Técnicos do Banco Central estão vasculhando, com lupa, os empréstimos concedidos pelo sistema financeiro às construtoras pegas na Operação Lava-Jato. Há o temor de que a onda de quebradeira dessas empresas leve junto uma série de bancos. Vários analistas vêm ressaltando que, ainda que pequeno, surgiu no horizonte a possibilidade de risco sistêmico. As empreiteiras devem pelo menos R$ 141 bilhões às instituições financeiras. Por determinação do BC, os bancos estão reforçando as provisões para possíveis calotes. Mas essa reserva de capital não é suficiente para fazer frente à falência em série das construtoras.

Na tentativa de acalmar os credores, os donos das empreiteiras acusadas de surrupiarem dinheiro da Petrobras vêm separando seus ativos dos negócios investigados pela Polícia Federal. Nas conversas com bancos e investidores, dizem que, caso as áreas de construção venham a ruir, não haverá nenhuma contaminação das empresas controladas. Ninguém acredita.

INVESTIDORES PERDEM

Os brasileiros que aplicam em fundos de investimento estão pagando caro pelos problemas enfrentados pelas grandes empreiteiras do país. Nos últimos anos, elas emitiram títulos como debêntures para reforçar o caixa. Boa parte desses papéis foi comprada pelos bancos, que os destinaram aos fundos. Como os títulos perderam valor, os prejuízos estão sendo repartidos entre os poupadores.

PETROS E FUNCEF NO EXTERIOR

Os fundos de pensão dos empregados da Petrobras (Petros) e da Caixa Econômica Federal (Funcef) destinaram pelo menos US$ 1,5 bilhão para o exterior. Em vez de destinar os recursos para empreendimentos de infraestrutura no país, preferem aplicar em títulos de diversos países.

E um dos maiores empresários de Brasília está inconsolável. Ele destinou R$ 200 milhões para a compra de ações da Petrobras, quando os papéis estavam cotados próximos de R$ 40. Agora, tem menos de um quarto do patrimônio.

10 thoughts on “Devendo R$ 141 bilhões aos bancos, empreiteiras podem falir

  1. As empreiteiras são as “hélices mitocondrial do DNA” do capitalismo brasileiro: nascem, prosperam e falem à sombra do Estado brasileiro (Erário). As empreiteiras são levados à bancarrota (de maneira planejadas, principalmente, pelo expediente da elisão fiscal e pelo endividamento com o propósito de calote e não de alavancagem financeira), o mesmo não acontecem com seus proprietários/controladores e/ou administradores (executivos) que esmeram no crime de colarinho branco (aliás expressão banida de mídia burguesa. Por que será!).

  2. Está sendo profundamente educacional, o inferno vivido pelas empreiteiras. Elas estavam se achando a última flor do Lácio. Vemos agora, pelas denúncias dos delatores da Lava Jato que o poço da qual elas irrigavam suas fortunas vinha do erário público, dinheiro que jorrava para elas nas teias da corrupção e faltam nos Hospitais, nas Escolas Públicas e nas Ações Sociais.

    Portanto, nada deve ser feito com recursos do Estado para salvar essas empresas da falência. E os Bancos que alardeiam perdas, isso é o risco do negócio e por causa deles, cobram fortunas de juros e correção monetária dos seus clientes. Devem perder também, afinal investidores da Petrobrás perderam fortunas com a queda das ações. Por qual razão, um grupo pode ser socorrido e outro não? A isonomia existe para corrigir as injustiças.

    Quanto ao falado desemprego dos empregados das empreiteiras, isso pode ser resolvido imediatamente, com a entrada no mercado brasileiro, de construtoras chinesas, americanas e europeias para socorrer o país. Apenas, pode haver uma obrigação: Contratar 90% de trabalhadores brasileiros com o Estado fiscalizando e multando pesadamente, inclusive com o distrato imediato se não forem cumpridos esse patamar. Afinal, empreiteiras brasileiras atuam no Oriente Médio, em Cuba, nos Estados Unidos, porque as empreiteiras estrangeiras não podem atuar no mercado nacional? Há reserva de mercado para nossas empreiteiras formadoras de cartel?

    O Brasil sairia ganhando com a entrada das empreiteiras internacionais, pois elas estariam sob o controle dos seus países e teriam que cumprir a legislação nacional, logo, seria dificílima a cooptação de maus brasileiros no sentido de tirar vantagem dos contratos por qualquer motivo. Os famosos 10% de grandes somas, que ao final elevam as obras acima do planejado, o que denominam de superfaturamento e aditivos, eufemismos para corrupção mesmo.

    Uma dificuldade é uma oportunidade para corrigir erros.

  3. “O Brasil sairia ganhando com a entrada das empreiteiras internacionais, pois elas estariam sob o controle dos seus países e teriam que cumprir a legislação nacional, ”

    Meu caro Roberto. Não acredito no que acabo de ler. Em vez de mudarmos o sistema eleitoral e demais normas, por comodismo devemos entregar o Brasil mais uma vez para empresas estrangeiras ?

    http://capitalismo-social.blogspot.com.br/2013/07/grandes-empreendimentos-podem-sim-ser.html

    • Entregar de maneira nenhuma Martin. Construir Refinarias, pontes, viadutos, etc… como fazem as nossas empreiteiras no exterior, conforme exemplifiquei. Porque elas ( nossas empreiteiras) podem trabalhar lá e as de lá não podem trabalhar aqui. Por favor, isso não tem nada de entreguismo. Entreguismo foi a venda da Vale do Rio Doce, privatizada por 3 bilhões de reais, quando valia Um trilhão.

      E outra coisa, as empreiteiras internacionais iriam disputar as licitações com as nossas que não participaram dos cartéis na estatal petrolífera.

      Senhor Martin, explicite melhor qual o seu medo da concorrência, afinal, o senhor é mestre em escrever aqui sob as delícias do capitalismo. E então…

  4. Os acionistas controladores destas empresas já “separaram” o lucro que eles teriam na conclusão da obra. O deles já está garantido. Na Suíça. Juntamente com o de quem contratou a obra, no caso, os verdadeiros controladores da Petrobrás, que “casualmente” são os políticos.
    Por isso que sempre digo, que a burguesia que faz parte da Corte, quando as empresas deles quebram, eles ficam mais ricos.
    Portanto, quem perde com o fechamento destas empresas ? Os empregados.
    O que proponho em Capitalismo Social, é que os acionistas majoritários dessas empresas, empreiteiras no caso, sejam presos e multados num valor que corresponda à 100% das suas ações e essas ações sejam repassadas de alguma forma – financiadas com o próprio valor da multa – à seus empregados, numa divisão proporcional à seus salários.
    O que não podemos aceitar, é que este filé do mercado também passe para empresários estrangeiros, apenas porque os nossos, sempre acumpliciados com políticos corruptos (redundância), são incapazes de realizar negócios honestamente.
    E muito menos podemos aceitar, que à cada falcatrua entre esses “empresários” e os políticos de plantão, sejam os empregados a ficar sem emprego e sem renda.

  5. Os empregados não podem ser prejudicados, Sr. Martin, em hipótese nenhuma. Em linha diferente da sua argumentação, propus, que 90% dos empregados sejam de trabalhadores nacionais, objetivando preservar os empregos. Apenas a alta direção seriam das empresas internacionais, assim como faz a Odebrechet no exterior.

    Bem, alguma coisa deve ser feita. Continuar como está é que não pode.

  6. Fantástico relato o último parágrafo do jormalista do Correio. A Petrobrás só atingiu pela última vez 40 reais no dia 2 de dezembro de 2009, seu preço máximo atingido naquele ano. Antes só em 2007, quando chegou até a 42 REAIS e rondou as proximidades. Então, o “grande empresário de Brasília” DESTINOU 200 milhões de reais DECLARADOS, é claro, e as adquiriu pelo preço mencionado pelo jornalista Vicente Nunes. Desde o ano de 2007 ou final de 2009 nunca mais atingiu a casa dos 40 REAIS ou chegou PRÓXIMO. O histórico dos preços está na web para consulta e comprovação. Acabo de consultar. O cara viu em BRASÍLIA seus 200 MILHÕES DE REAIS EM AÇÕES DE UMA ÚNICA EMPRESA se deteriorar POUCO A POUCO nos últimos 6 ANOS OU MAIS e NADA FEZ. Ninguém com tanto dinheiro assim, convivendo com os poderosos do país, cai tanto tempo de quatro para comer capim e ainda mais no mesmo espaço. Não acredito nesse jornalista Vicente Nunes.

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