Empreiteiro explica o cartel e denuncia a Odebrecht

Mario Cesar Carvalho, Flávio Ferreira e Alexandre Aragão
Folha

O ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, reconheceu em interrogatório na Justiça Federal no Paraná que existia um cartel de empreiteiras nas obras da Petrobras. “Realmente havia combinação das empresas e eu participei das negociações”, disse, citando o caso do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio).

Segundo ele, nas reuniões ficou decidido que a Camargo só receberia contratos menores no Comperj porque a empreiteira já havia fechado um negócio de R$ 3,4 bilhões com a Petrobras na Refinaria Abreu e Lima.

ODEBRECHET PARTICIPAVA

O executivo disse que participavam dessas reuniões em que a divisão de obras era discutida a Odebrecht, UTC, OAS, Andrade Gutierrez, Techint, Promon, Queiroz Galvão e Toyo.

Avancini afirmou que os líderes dessas discussões eram Márcio Faria, da Odebrecht, e Ricardo Pessoa, da UTC. Ainda segundo ele, todas as empreiteiras que tinham contratos com a Petrobras pagavam suborno que beneficiavam o PT e PP, partidos que, segundo ele, indicaram as diretorias de Serviços e Abastecimento da estatal, respectivamente.

“Todas elas pagavam [propina]. A informação que tínhamos era que isso era regra”, afirmou.

De acordo com Avancini, a Camargo pagou R$ 110 milhões em comissões para conseguir os contratos das refinarias Abreu e Lima, Repar, no Paraná, e Revap, em São Paulo.

A propina era de 1% do valor do contrato, segundo ele.

O ex-diretor de Serviços Renato Duque, que está preso em Curitiba, e Paulo Roberto Costa, que ocupava a área de Abastecimento e foi solto após fechar um acordo de delação, eram os beneficiários dos repasses ilícitos, ainda segundo o presidente da Camargo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os novos depoimentos dos executivos da Camargo Corrêa desmontaram a versão fantasiosa da Odebrecht, de que não havia cartel e não distribuía propinas. Está ficando cada vez mais ridícula a linha de defesa da maior empreiteira do país. Mal comparando, a Odebrecht parece uma velha prostituta que tenta se passar por uma casta donzela, em plena festa de bacanal, numa peça escrita em estilo besteirol por Fausto Fawcett para ser apresentada na boate Erótica. Sinceramente…  (C.N.)

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