Empreiteiro relata extorsão em Diretoria da Petrobras

Fonseca pagou 5 milhões

Rubens Valente e Mario Cesar Carvalho
Folha

Um empresário recolheu propina de R$ 5 milhões, paga por uma empreiteira, dizendo-se representante da diretoria de Serviços e Engenharia da Petrobras, à época dirigida por um indicado do PT.

O relato foi feito à Polícia Federal pelo presidente da divisão industrial da Galvão Engenharia, Erton Fonseca. Ele disse ter feito o pagamento a Shinko Nakandari –o sobrenome correto do executivo é Nakandakari.

A Folha apurou que a Galvão tem provas do pagamento, que serão apresentadas à Justiça. A reportagem não conseguiu localizar Shinko.

Segundo o executivo da Galvão, que está preso, Shinko atuava junto com o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que já fez uma delação premiada e prometeu devolver à União US$ 97 milhões obtidos ilegalmente do esquema.

INDICADOS PELO PT

Barusco e Renato Duque foram indicados para a diretoria de Serviços pelo PT, que ficava com 3% dos valores dos contratos dessa área, segundo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Erton Fonseca afirmou à Polícia Federal que Shinko desempenhou, em relação aos contratos da diretoria de Serviços sob a gestão de Duque, um papel semelhante ao do doleiro Alberto Youssef nas obras tocadas pela diretoria de Abastecimento da estatal, então chefiada por Paulo Roberto.

A Folha revelou na última terça-feira (18) que, em depoimento à PF, o empresário da Galvão disse ter pago propina a empresas do doleiro Youssef. No depoimento, ele conta que o montante chegou a R$ 4 milhões. Segundo ele, houve “pressões” do deputado federal José Janene (PP-PR) – morto em 2010 –, de Costa e de Youssef. O dinheiro teria ido para o caixa do PP.

Foi na etapa seguinte do interrogatório que Fonseca reconheceu o segundo pagamento de propina, agora para a diretoria de serviços. Ele contou que foi procurado por Shinko e este lhe disse que deveria pagá-lo para que “conseguisse contratos na Petrobras”.

A Galvão diz ter sido vítima de extorsão: ou pagava suborno ou não obtinha novos contratos com a estatal.

DESVIO EM VIRACOPOS

Shinko Nakandakari, 65, é sócio da Talude Comercial e Construtora Ltda., que se encontra em recuperação judicial. Em 2007, ele e oito funcionários da Infraero foram alvo de uma ação movida por procuradores por irregularidades nas obras de ampliação do aeroporto de Viracopos (SP) entre 2000 e 2002.

O relatório final da CPI do Caos Aéreo, em 2007, afirmou que a Talude recebeu “pagamentos por serviços não realizados, que evidenciam a implantação de um esquema de desvio na Infraero”. A CPI calculou o valor dos desvios na reforma em R$ 3,5 milhões.

 

5 thoughts on “Empreiteiro relata extorsão em Diretoria da Petrobras

  1. A reportagem diz que Shinko Nakandakari e mais oito funcionários da Talude foram alvo de uma ação em 2007, e que os desvios da Infraero foram estimados em 3,5 milhões de reais. E o que aconteceu com os nove? Estão solos, estão sendo julgados, foram inocentados ou o quê?

  2. Será que o PCC está atacando a gangue do geraldo/serra/fhc/aloisio.???
    Começamos a semana bem de novo nesta Terra DEvastada pelas Saúvas Corruptas EfeAgacianas.
    15 dias, 7 policiais baleados, dois mortos, ônibus “torrados” á luz do dia, toque de recolher……..
    Carnificina Diária, para nossos pobres policiais conterem o que o proprio partidão corrupto não fez nestes 28 anos de Dinastia Francesa.
    Vou perguntar , mais sei que ninguém vai responder.
    Existe des-governador em São Paulo;????
    Se existe, onde está essa múmia descabelada .??????

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